da Ignorância

Platão conta, no seu famoso plágio do Livro de Filolau, um episódio passado com Sólon, o mais sábio dos Sete Sábios da Grécia Antiga.

De visita ao Egipto, Sólon é admoestado com alguma ternura por um velho sacerdote, que critica a tendência grega para, ciclicamente, se auto-destruir para, logo depois, se reinventar do nada. Diz o Sacerdote no Timeu:

Entre vós [os gregos], porém, e entre os restantes povos, todas as vezes que vos acontece estarem equipados com as letras e todas as coisas de que as cidades têm necessidade, de novo, passados os anos habituais e como se fosse uma doença, caem sobre vós e os outros os fluxos do céu, restando entre vós apenas os iletrados e os ignorantes, de tal maneira que voltais ao princípio, tornando-vos outra vez como que novos, sem nada saberdes, nem do que aconteceu aqui, nem do que se passou entre vós nos tempos primitivos.

Comments


  1. Essa parece ser uma tragédia recorrente. A barbárie tem a força bruta e a força bruta, por algum tempo, triunfa. às vezes por muito tempo. Podemos pôr esta leitura na queda do Império Romano, na Contra-Reforma (o Barroco, que foi o mais político e mais reaccionário dos estilos, dirigido como uma lança contra o Renascimento), o fim violento do Renascimento Islâmico no Século XII, a Revolução Cultural chinesa que foi mais um de vários spisódios semelhantes numa história de milénios… Tudo isto são meras leituras, evidentemente, feitas a partir de pontos de vista que são numa larga medida arbitrários; mas servem para entender que o mistério está, não na morte, mas na renascença.

  2. anónimo says:

    Se o Hitler foi o inicio do ciclo de ignorância/desumanidade, então já estamos no ciclo seguinte.

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