A demagogia e o assédio laboral


Esta intervenção da deputada Isabel Moreira sobre o assédio no local de trabalho e sobre o projecto de lei de que é subscritora não é, certamente, uma brincadeira. Mas é perigosa propaganda. A Sra. deputada fala, entre outras coisas do mesmo calibre e eficácia, da criação de “e-mails” da IGF e da ACT para onde as vítimas podem escrever denunciando o assédio. A pergunta que fica é onde estará a Sra. deputada Isabel Moreira quando os patrões dessas vítimas descobrirem os autores da denúncia?

Estamos a brincar com coisas muito sérias, Sra. deputada.

Comments

  1. Brunão, eu sinceramente não acredito que este novo projecto de lei vá resultar em alguma coisa. isto porque recentemente experienciei que tanto as autoridades do trabalho como as civis desvalorizam por completo a questão. Recentemente, a minha namorada dirigiu-se à GNR para apresentar queixa contra um fulano, funcionário da Controlauto em Viseu que a tentou assediar. Gorada a tentativa (à minha frente) de assédio dado que ela não lhe deu azo para a prossecução dos seus objectivos, começou a tratá-la de forma rude e muito machista. O oficial da GNR que a atendeu desvalorizou por completo a situação com o argumento clássico: “ah e tal, você pode apresentar queixa mas isso não vai dar em nada” – odeio quando eles apresentam este argumento para tentar dissuadir as pessoas de exercer um direito que lhes assiste e cujos resultados só podem ser produzidos ou produzíveis no futuro. Noutro caso, uma das minhas antigas colegas de trabalho, tentou apresentar queixa na ACT contra um dos patrões. O resultado foi o mesmo. Posto isto, pergunto-me para que é que a ACT existe?
    As vítimas podem escrever para a dita conta de email e até podem escrever em anónimo. A ACT até pode investigar. A questão é que o código laboral é muito largo e protege sempre as costas dos patrões. Não podendo despedir directamente a pessoa em causa pelos motivos da queixa, irão arranjar um dos refúgios que a lei enumera para abrir um processo disciplinar. Para tal, mesmo que a questão chegue à barra do tribunal de trabalho contarão sempre com o clássico testemunho dos empregados que criticam pelas costas e apoiam pela frente. E penso que está tudo dito.

  2. Rui Naldinho says:

    Há um filme, já com dois ou três anos, com a Marion Cotillard como artista principal, que retrata em parte esse tipo de comportamentos.
    https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Dois_Dias,_Uma_Noite

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