A dignidade no trabalho


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Esta história da Padaria começou com um directo com cerca de cinco minutos num canal de televisão e uma entrevista num grande jornal. O gestor padeiro, bom conhecedor, pelos vistos, dos meandros jornalísticos, terá achado que a publicidade, pela qual ninguém sabe quanto pagou, ou como pagou, lhe traria fama e proveito.

Foi uma daquelas acções de marketing muito ao gosto dos jovens empreendedores cosmopolitas, que têm do mundo empresarial visões extremamente sofisticadas e inteligentes, que passam quase todas pelo primado da degradação humana e da “coisificação” do homem e da mulher que trabalham.

A verdade, porém, é que as declarações iniciais do padeiro, cheias de desprezo altivo por quem lhe faz a massa, são o retrato verdadeiro de um país feudal, que retrocedeu décadas nos direitos e na dignidade de quem trabalha e está hoje entregue a “empreendedores” a quem faz falta, como pão para a boca, a quarta classe antiga.

 

Imagem retirada da internet

Comments

  1. joaovieira1 says:

    Segundo José Soeiro, o patrão da Padaria portuguesa, Nuno Carvalho e o jornalista João Miguel Tavares mancomunaram-se para, através de uma argumentação falaciosa, tentarem levar, de novo, em direcção à escravatura do séc.XIX, centenas de milhares de trabalhadores portugueses que, dificilmente, auferem o salário mínimo, agora, 557€. Enquanto JMT, no seu cálculo de “merceeiro”, aumenta o salário mínimo para 877€, valor obtido pela inclusão da TSU patronal de 23,75%, multiplicado por 14 (12+SFerias+SNatal), deduzido de 22 dias de férias e dividido por 11, escamoteando os diversos apoios financeiros às empresas, a cobertura de férias e da segurança social, o patrão-pasteleiro NC quer que se volte às 60 horas semanais de trabalho sem protecção social, pagamento de horas-extras, folga semanal e fim de semana porque afirma, são os próprios trabalhadores que o “exigem” para ganhar mais ou seja por preferirem a sobreposição de um “plano de negócio que os enriqueça”, leia-se, trabalhar até cair num centro de saúde, hospital ou para o lado. ao estatuto ora em vigor (40 horas semanais – 8 horas/dia). No século XIX, trabalhava-se 12 horas, às vezes mais, não havia salário mínimo nem descanso semanal nem limites aos despedimentos nem segurança social. A luta pelas 40 horas semanais (em cada dia, 8 horas de trabalho, 8 horas de descanso, 8 horas para o resto) deu origem ao 1º de maio e aos mártires de Chicago de 1886. Só faltava que a nossa democracia, cheia de tropeções, cambalhotas e desigualdades persistentes, servisse agora para, recuando mais de 1 século, reduzir ou eliminar direitos sociais e políticos fundamentais que tantos sacrifícios e vidas custaram e constituem o acervo imorredoiro actual da nossa CRP.

  2. Rui Naldinho says:

    Depois de Martim Neves, e cito:
    “aquele jovem empreendedor de 16 anos há época, um clone pré fabricado pela RTP do Miguel Gonçalves, em versão empreendedores com açúcar… Desde quando um mocinho que se vestia à dread tinha um nome tão betinho? E de onde lhe veio o dinheiro para investir? Do céu? ” …que foi a um programa Prós e Contras, da Fátima Campos Ferreira, aparece-nos agora este senhor na SIC, pela mão de outro pré formatador de mentes, a gente suspeita quem foi, mas não tem certezas, debitando meia dúzia de disparates que o próprio nem teria intenção de as produzir, mas terá sido induzido a fazê-lo.
    Para já, sem tirar o mérito à pessoa em causa, este negócio teve logo à cabeça uma figura mediática, Zé Diogo Qunitela, seu sócio, que na abertura da primeira ou segunda loja, até teve direito a publicidade de borla nos telejornais.
    Depois foi nas rádios,a RFM, e de novo na RTP1, do qual o Zé Diogo era convidado,
    https://m.youtube.com/watch?v=2_4rnDVrY6I.

    Isto até me faz lembrar a revista “Cristina”, e a marca de perfume com o nome da senhora.
    Vale a pena comprar a revista, mesmo sendo de uma enorme futilidade. E o perfume, igual a tantos outros.
    Afinal, é da Cristina Ferreira.

    • Eu mesma says:

      Desculpe, que mérito tem o empreendedor padeirístico? O de demonstrar uma visão distorcida e ultrapassada do que são direitos e deveres laborais? O de ter protagonizado um momento televisivo lamentável? E já agora, o betinho Quintela, o mais bem pago e medíocre figurante da televisão portuguesa, o aspirante a humorista que estava a mais nos felinos fedorentos, que mérito tem ele? O de ter como sócio o mui discutível Dias Loureiro? Só uma última nota, lamentável a RFM, rádio que aprecio, dar tempo de antena a esse filho-família para óbvia lavagem de imagem.

      • Rui Naldinho says:

        Não me refiro a isso. Óbvio que aí há demérito, e bastante.
        O que não ponho em causa é o seu potencial para os negócios, ou mesmo, a arte de amassar o pão.
        Você pode ter alguém com jeito para uma qualquer atividade e depois não essa mesma pessoa não se saber comportar corretamente.

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