A municipalização do ensino


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Dá conta a comunicação social que uma escola de Gaia inventou um “projecto” a que deu o nome de Saber, pelo qual terá sido “distinguida” nos EUA – o jornal não diz por quem* – e que recebeu também a benção da autarquia, que publicita o feito através de meios institucionais. Ora, consiste esse original “projecto”, segundo a bizarra notícia, em pôr alunos do secundário a ensinar os seus colegas mais novos.

Embora se assinale a criatividade e o arrojo da infeliz ideia, deve também dar-se nota e aviso que este distinto tipo de absurdo, e outros mais graves ainda, é o que provavelmente nos espera se se vier a concretizar a tal municipalização da Educação. Em não se tratando este dito projecto de uma mera brincadeira, ele é certamente uma irresponsabilidade demagógica que desqualifica a Escola, a figura do Professor e o próprio Ministério da Educação, enquanto entidades às quais cabe orientar de modo responsável e sério o sistema público de ensino, que é assunto sério.
Uma vez que está igualmente anunciada a municipalização de serviços de saúde, aguardemos por um qualquer “projecto” de vanguarda, inventado para os lados de Gaia, que ponha doentes crónicos a fazer triagem nas urgências ou até, quem sabe, pequenas cirurgias.

* A edição em papel do jornal informa que se trata do Torrance Center. Editado às 10h13.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Não tenho nada contra a ideia, mas acho-a muito perigosa se não houver uma preparação capaz.

    Sempre ouvi dizer (e ainda pratico no meu trabalho, pois para além de Gestor, sou Formador) que a Formação é um mester de imensa responsabilidade e que há qualificações ou habilitações necessárias para o fazer.

    Espero que não seja uma daquelas medidas lançadas à Natureza para se sair bem numa qualquer fotografia.

  2. Ana A. says:

    É preciso empreender, meus senhores, empreender…
    Acho estranho, como é que estes “projectos inovadores” vêem a luz do dia, assim sem mais. Um cidadão que queira fazer uma marquise, tem que tirar não sei quantas licenças e esperar anos (a menos que tenha “cunhas”) e mesmo assim, em nome da estética nem sempre é aprovado. Resumindo, na Educação pode valer quase tudo. Aliás, também temos aqueles alunos que não tendo média para entrar na faculdade, vão para os ensinos recorrentes privados “sacar” média…

  3. Eu quero ir prá ilha... says:

    Já vi esse método aplicado no mato em plena selva angolana!
    Parece que alguns chegaram a altos cargos…

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