Centeno


centenolusa

Defendi aqui Mário Centeno das atoardas que envolviam já queixa-crime e outras originalidades plenas de coerência política, como é timbre, aliás, do irrevogável CDS. Se o Ministro das Finanças não mentiu, deve encerrar-se o assunto e seguir em frente. Mas se mentiu, deve sair. Um alto responsável público não pode mentir.

Comments

  1. Manuel Torres da Silva says:

    Que culpa tem Mário Centeno de uma das partes não ter antecipado todos os efeitos da medida proposta (deixarem os gestores da CGD de serem considerados gestores públicos), tendo essa uma das partes sido assessorada por advogados que nem se deram ao trabalho de dizer ao consulente: “olhe que uma Lei da AR não pode ser afastada por um DL”, sonegando, assim, quiçá por incompetência, uma informação importante.
    Já agora, será verdade que esses advogados foram pagos com dinheiro da CGD, ou seja, por todos nós?
    Não tem, Bruno Santos, de defender ninguém, muito menos Mário Centeno. Basta que se informe um pouco melhor sobre os meandros desta querela, perdão, desta inventona da PÀF.
    Que mentem, mentem, ainda não perderam o mau hábito, uma de cujas evidências se situa na famosa devolução da sobretaxa às portas das eleições.
    É que Mário Centeno deve estar a causar calafrios de inveja e ciúme aos entendidos do governo anterior, tão pródigos em austeridade, cortes, aumentos colossais do IRS, devolução encenada da sobretaxa e orçamentos do Estado rectificativos, por erros de previsão, e inconstitucionais também.
    Ou isto tudo é para apagar a memória desses quatro anos a ferro e fogo, de cócoras perante o FMI e os austeritários de serviço, com a cumplicidade e o colinho de Cavaco Silva?

  2. Ana A. says:

    Eu não sei se ele mentiu!
    Mas, que atire a primeira pedra, o político que nunca disse uma inverdade!

    • Ana A., desculpe, se não sabe se ele mentiu, pelo menos não caia na tentação de generalizar o pecado a todos os que exercem ou exerceram cargos políticos.
      Esclareço que não sou da família nem conheço Mário Centeno (nem ele a mim). Só sei que nasceu em V. R. de Santo António e que veio para Lisboa estudar com 10 anos. Ah, e que os seus pais eram donos de um restaurante.
      Porventura, o defeito de Mário Centeno terá sido o de “dar corda” (ser complacente) a (com) algumas histórias contadas por pessoas que não eram um exemplo de honestidade, entre 2011 e 2015. Ao que já sei, porque investiguei, mal contadas.

  3. Rui Naldinho says:

    DANIEL OLIVEIRA

    Centeno, demasiado importante para cair

    Quem verifique o que Mário Centeno e Mourinho Félix foram dizendo publicamente perceberá que, tecnicamente, nunca mentiram. Tiveram sempre o cuidado de dizer apenas que não tinham assinado qualquer acordo com António Domingues, que não havia um acordo escrito. Na realidade, fiquei com a certeza que havia um compromisso quando me apercebi na insistência em referir um “documento escrito”. Deste ponto de vista, não há espaço para a demissão de um ministro e muito menos, como chegou a sugerir o CDS, para qualquer ação criminal por perjúrio.
    Quando questionado sobre a existência de um acordo:
    “não existe nenhum documento escrito” ou “Não assinei nenhum acordo, nenhum acordo aludia a essa questão (…) Este foi um entendimento que se baseou na confiança, pelo que não foi preciso nenhum acordo escrito”. E Centeno disse isto: “O compromisso do Governo é que a CGD se manterá um banco público, um banco capitalizado de maneira a desempenhar todo o papel no sistema financeiro, e um banco competitivo”. Nem Centeno, nem Mourinho Félix disseram alguma vez, de forma clara, que não havia um compromisso. Disseram sempre que não havia um compromisso escrito, que de facto nunca apareceu.
    Isto quer dizer que estão inocentes? Não, porque a meia-verdade ou a verdade escondida sugeria uma mentira. Centeno não mentiu mas enganou.
    Parece uma questão de semântica e até talvez seja.
    Mas é a diferença de haver ou não haver perjúrio numa comissão de inquérito. Mas há espaço para o julgamento ético de quem, depois de Centeno ter assumido um compromisso inaceitável recusar-se a assumir as suas consequências políticas. Seja como for, Mário
    Centeno nunca poderia cair por causa disto. Poderá parecer aos mais incautos que os ministros caem por causa deste tipo de coisas. Mas eles só caem por causa destas coisas quando não há outras que os segurem. E a Centeno seguram duas: os resultados que conseguiu – que desmentem todas as previsões das sacrossantas instituições internacionais –, e o facto de ser um ministro demasiado importante e com mais facilidade de diálogo com as instituições europeias num governo que tem uma arquitetura fraca e que Bruxelas vê com maus olhos. Fala a mesma linguagem que e os burocratas de Bruxelas. Não é bom sinal, mas é o que é.
    E a democracia está num ponto tão baixo em que os nossos ministros têm de ser do agrado de burocratas que ninguém elegeu.
    Em resumo, Centeno é demasiado importante para cair. E não havendo nada que, tecnicamente, o obrigue à demissão, não cairá. Foi por saber tudo isto que Marcelo Rebelo de Sousa se atravessou pelo ministro das Finanças. Não faz sentido deixar fragilizar o ministro com a principal pasta do governo se ele por lá vai continuar.
    Será tudo isto cinismo em demasia? Não mais do que aquele que leva o partido liderado pelo irrevogável Portas, a mostrar-se tão chocado com a mentira. Não mais do que Passos Coelho tentar esconder nesta novela a sua vontade antiga de privatizar a CGD e o seu laxismo com todos os problemas que a banca nacional foi acumulando. O comportamento de Centeno só pode ser inaceitável, para quem espere deste governo mais rigor ético do que no anterior. Cada um responderá até que ponto está chocado.

  4. Anti-pafioso says:

    Quando a quadrilha de malfeitores cuja linguagem oficial é a mentira se porta cumo virgens violadas, Merecem o desprezo de 95% dos Portugueses .

  5. O que podia ser “engraçado”, seria o jovem deputado do CDS a quem atribuiram..ou disse ; SER LEGITIMO MENTIR PARA GANHAR ELEIÇÕES… apresentar queixa crime sem qualquer pudor. Tambem a isso já estamos muuuiiito habituados…à FALTA DE PUDOR!

Trackbacks

  1. […] com o Bruno Santos: “Se o Ministro das Finanças não mentiu, deve encerrar-se o assunto e seguir em frente. Mas se menti…“. Tão simples quanto isto. Um alto responsável público deve ser à prova de bala, […]

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