Não há milagres


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Segundo o economista Eugénio Rosa, a redução do défice global das Administrações Públicas em 2016 foi obtido em resultado de um elevado excedente na Segurança Social (1.559 milhões €) e na Administração Local (662 milhões €).

Ao enorme excedente na Segurança Social chegou-se através de uma redução do número de beneficiários de prestações sociais, como o Subsídio de Desemprego, o RSI, CSI e o Abono de Família. O número total de beneficiários diminuiu, entre Dezembro de 2015 e Janeiro de 2017, em 126.609.

A taxa de cobertura do Subsídio de Desemprego era em Dezembro de 2016 de apenas 28,8%, inferior à de 2015, que foi de 29,5%. Isto significa que em cada 100 desempregados, menos de 29 estão a receber aquela prestação social. Segundo o INE, 42% dos desempregados estão no limiar da pobreza.

Em 2016, o Serviço Nacional de Saúde sofreu uma forte contenção da despesa, o que naturalmente se traduz no serviço prestado às populações. Em 2015 e 2016, a despesa do SNS cresceu 105,5 milhões €, enquanto a despesa com Pessoal, por via da reposição de salários, cresceu 171,5 milhões €.

Por outro lado, os montantes pagos pelo Estado pelos juros e encargos da dívida são mais do dobro de todo o investimento realizado.

Conclui-se que a contenção do défice está a ser feita à custa dos mais pobres, da Segurança Social, da Administração Local e da degradação do Serviço Nacional de Saúde.

Não se compreende como é que um governo que se diz defensor do Estado Social, apresenta este nível de excedentes (1.559 milhões€) no Ministério ao qual cabe, precisamente, zelar pelo cumprimento dos direitos dos mais desprotegidos.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Roma não se muda num dia, e quem manda no euro não deixa fazer melhor.

  2. Ora, amigo Bruno, claro que o mexilhão é que tem de pagar a crise, exactamente porque é mexilhão. É para isso que ele serve e não há alternativa (TINA).
    Ou não?????

  3. martinhopm says:

    Continuamos espartilhados por Bruxelas! Veja-se, por exemplo, a verba que anualmente o país tem que desembolsar só para o serviço da dívida. O país, assim, não consegue levantar cabeça. Não consegue crescer economicamente o suficiente. Vamos portanto adiando o inevitável. Isto, ou rebenta de um lado, ou rebenta do outro. Vamos ver o que vai suceder nas próximas eleições na UE. Infelizmente não mandamos no nosso próprio país.

  4. Rui Mateus says:

    Enquanto estivermos amarrados ao euro e à sua dívida, a situação se manterá.

  5. Não se percebe ? São tudo erros de percepção mutua, homem,,,,, e claro não se esqueça de Bruxelas, a Merkl, O Cavaco, os PAFs enfim culpados não faltam. Os sujeitos passivos e os eleitores não têm culpa nenhuma.
    Nem os burros tropeçam duas vezes na mesma pedra.

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