A Ponte é uma miragem


gaia

Quem tenha estado atento à evolução da cidade do Porto nos últimos anos, não pode ter deixado de reparar numa transformação, em alguns caso radical, do ambiente da cidade. Para o bem e para o mal, o Porto é hoje um lugar muito diferente daquele que conhecíamos há poucos anos. Visitado diariamente por milhares de turistas, modificou a sua paisagem e a sua energia, interveio profundamente no património edificado e as suas ruas, cafés, livrarias e monumentos estão hoje cheias de pessoas oriundas dos mais variados países do mundo e das mais diferentes culturas. Mesmo os seus lugares históricos, e os mais pitorescos, sofreram um processo profundo de adaptação, a maioria das vezes no sentido de melhor responderem às exigências da nova indústria rainha da cidade, o Turismo.

Vila Nova de Gaia é a cidade que fica do outro lado do rio. Do ponto de vista turístico, a sua principal ligação à cidade do Porto é pela Ponte Luís I, uma das mais belas obras de engenharia legadas pelo século do ferro, que constitui um ex libris das duas cidades da foz do Douro e faz parte de uma das mais belas paisagens urbanas do mundo.

O tabuleiro superior da Ponte Luís I é atravessado diariamente por milhares de turistas. Procuram o lado de Gaia para melhor observar a beleza urbana inigualável da Beira-Rio e da Ribeira, o serpentear final do Douro rumo à foz e ao poente, ou a textura belíssima dos telhados dos Armazéns de Vinho do Porto, povoados de gaivotas.

Contudo, aquilo com que esses milhares de pessoas se deparam ao chegar à sala de visitas de Gaia, a zona à cota alta do Jardim do Morro, é este detrito paisagístico que se pode observar na fotografia, dominado por lixo, dejectos e borrões de tinta, fazendo lembrar os guetos suburbanos mais sinistros. O contraste entre uma e outra margens é gritante, anacrónico e absurdo.

Numa altura em que o Turismo serve de motor a uma transformação urbana, social e económica sem precedentes na cidade do Porto, com vantagens visíveis para a sua população, Gaia, a vizinha do lado, cidade com enormes potencialidades turísticas e um património histórico de valor incalculável, parece apostada em recuar no tempo e ignorar as oportunidades únicas que hoje se apresentam ao seu progresso.

Comments

  1. Konigvs says:

    Também espero para ver o que se vai fazer no Jardim do Morro… acho que um dia destes (mal me recupere) passo lá e tiro umas fotografias, para memória futura…
    Que eu conheça, e conheço mal Gaia (apesar de lá trabalhar) não tem um jardim digno desse nome, e conforme alguém tem vindo a mostrar aqui no Aventar, não se tratar muito bem as árvores por lá… (apesar de ironicamente Gaia ser exemplo nos parque naturais como o Parque Biológico, Lavandeira, Botânico do Castelo, etc etc)

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