A miséria da riqueza


O Jornal PÚBLICO teve que recorrer ao Tribunal para ter acesso a informação financeira de divulgação pública obrigatória, mas que lhe foi sonegada pela Cáritas de Lisboa e pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSS).

Hoje o jornal dá notícia de que a IPSS criada para ajudar os pobres, tem depósitos bancários no montante de 2,4 milhões de euros e 320 mil euros investidos em obrigações. Possui ainda imóveis cujo valor ascende a 1,4 milhões de euros.

No ano de 2014, a Cáritas obteve um lucro líquido de 119 mil euros, tendo gasto 147 mil euros na ajuda aos pobres, do quais apenas 11.314 euros sairam do seu próprio bolso, pois os donativos particulares recebidos ascenderam a 325 mil euros.

Além de ter obtido a informação só depois de recorrer a instâncias judiciais, o PÚBLICO dá nota de que as contas da Cáritas não batem certo, pois verifica-se que os apoios dirigidos para ajuda directa aos pobres é ainda mais residual do que o que se depreende das contas apresentadas ao MTSSS. Terá sido em razão destas e de outras incongruências que foi apresentada uma queixa junto do Ministério Público, queixa que já originou a abertura de um inquérito.

Além do bizarro, embora não surpreendente, facto de termos uma IPSS dedicada à caridade, que detém uma fortuna no banco e em património, estamos confrontados com um comportamento de opacidade inaceitável num Estado de Direito, quando o próprio Ministério que tutela a actividade das IPSS se recusa a fornecer informação que, por lei, está obrigado a dar.

É, aliás, extremamente preocupante o clima de suspeita que vem envolvendo várias IPSS e a falta de transparência com que, aparentemente, exercem a sua actividade, suscitando a intervenção do Ministério Público já em mais do que um caso. Neste cenário, compete ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, assegurar que se cumprem as regras do Estado de Direito e se actua com a transparência que é exigida a uma administração pública democrática, sendo inaceitável que parta do próprio Ministério a sonegação de dados que a lei classifica como públicos e que devem estar ao acesso de todos, tal como, aliás, o Tribunal veio confirmar.

Nunca é de mais sublinhar a imoralidade que reveste este negócio, que gera lucros sumptuosos à custa da miséria humana. Isto é algo que deve envergonhar as instituições envolvidas e o Estado que as financia e protege, à custa do sofrimento de seres humanos desprotegidos e entregues à sua sorte, ou nas mãos da agiotagem caritativa e misericordiosa.

Resta a esperança, sempre ela, que a Justiça tenha a capacidade para impor o Estado de Direito e alguma decência a um país cada vez mais perdido na falta de escrúpulos e de vergonha.

 

Fotografia: internet

Comments

  1. joão lopes says:

    Estou á espera(sentado) da reação indignada e histerica das direitas unidas…e tambem de alguns auto intitulados cristãos.

  2. Luís says:

    Como cristão acho tudo isto inadmissível!

  3. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Eu também, claro. Independentemente de ser uma organização católica, talvez até mais por isso, a Cáritas tem uma responsabilidade acrescida, enquanto IPSS, perante a sociedade. Mas atenção – as IPSS não se circunscrevem à Igreja. Será que nas outras IPSS corre tudo como deve ser?

  4. Rui Mateus says:

    Justa a denúncia…mas ha casos e casos. Infelizmente o grande problema é que o Estado não é o principal garante da protecção dessas crianças, mesmo que nos últimos anos tenha havido uma melhoria significativa.

  5. Como cidadão e cristão acho lamentável este tipo de conduta descortinada pela investigação jornalística.
    Felicito o autor do trabalho jornalístico.
    O Estado (todos nós e sobretudo os representantes eleitos deveriam ser mais criteriosos nas avaliações que fazem a estas instituições que são necessárias.
    Não esquecer que as IPSS que aprece ser o caso dependem em termos de “alvará, financiamento, regulação do Estado – Ministério da Soli e Seg Social. Os ministros deveriam dar meios e instrumentos para se fiscalizar melhor estas IPSS. Claro parte da fiscalização passa pelo ministério da finanças.
    O Estado tem de melhorar os mecanismos de financiamento e sistemas de publicitação das contas para evitar que os dirigentes destas IPSS se sintam acima de todas as regulações e impunes.
    Há os mecanismos de vasos comunicantes entre alguns dirigentes destas IPSS e alguns ambientes políticos.
    o Estado em vez de financiar as IPSS por cada utente deveriam financiar os próprios utentes para escolher a iPSS que melhore lhes convinha ou outra forma de apoio mesmo dentro da família ou da vizinhança pagando o serviço social com o apoio do Estado.
    Sei do que escrevo. Se fizerem uma recolha das notícias sobre os velhos abandonados verificarão que elas surgem sempre em agosto e setembro para influenciar o preço pago pelo Estado às IPSS em sede de orçamento.
    Quem reclama é sempre o mesmos dirigentes das IPSS.!! Curioso!!
    Lembro que há IPSS com problemas graves de financiamento apesar do esforço e muitas vezes da abnegação dos seus dirigentes. Não tomemos a núvem por juno…
    Já fundei e dirigi IPSSS.
    É uma forma importante de participação social.

  6. Filipe says:

    Realmente é triste como instituições de caridade e outras de dependências , se montam em cima do Estado como parasitas e quanta mais miséria existir melhor , mais enchem as barrigas de riqueza por conta da desgraça dos outros . É que eles não os ensinam a sair da lama , querem é que eles andem lá presos , para mamarem mais e mais todos os anos . Em relação a outras instituições mafiosas a roçar tráfico de seres humanos e com isso ainda mamam do Estado retirando crianças indefesas a pais e os entregando a outros … é outro escândalo Nazi .Se tiverem as famílias com pão e água , não os 89 euros de rendimento mínimo porque esse valor até os drogados a arrumar carros fazem numa semana , e em vez de untarem os capangas com cerca de 800 euros para as acolherem , lhe garantam condições , não era preciso entregarem dinheiro vivo , podiam entregar vales para troca de alimentos , medicamentos e roupas , muitas instituições deixavam de mamar e acabarem com os Mercedes parados à porta dos seus titulares …

  7. anti pafioso. says:

    Ó meus amigoszzzzzzzz.é mais milhão menos milhão ,tendes de ter calma e continuar a deixar na caixinha algum para nosso deleite cristão .Bem hajam ide em Paz .

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