Sorria


Todos os equipamentos electrónicos com ligação à internet, incluindo automóveis ou outros veículos de transporte, têm uma “porta dos fundos”, quer dizer, a possibilidade de serem totalmente comandados à distância sem o conhecimento do seu proprietário ou utilizador. Seja ele um cidadão comum, ou um chefe de estado – Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, tem sido espiado, designadamente através do seu telemóvel, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. O sistema operativo Windows, só para dar um exemplo, já traz de origem o código que permite a intrusão, vigilância, manipulação, cópia ou destruição de ficheiros e de hardware, incluindo microfones e as câmeras de vídeo. O mesmo se aplica a smartphones, Ipads, smart tv e por aí adiante.

Esta é, sucintamente, a última revelação da Wikileaks.

Não é claro, nesta altura, se a informação assim obtida estará a ser comercializada, ou de algum modo partilhada. Ou seja, não se sabe, embora isso seja plausível, se os detentores da tecnologia que permite este tipo de acção prestam “serviços” a clientes – leia-se Estados ou grandes empresas – espalhados pelo mundo, como, por exemplo, em Paris, em Bruxelas ou em Freixo de Espada à Cinta.

Não é claro também o motivo pelo qual esta revelação tem suscitado tão pouca atenção, uma vez que se trata do mais importante acontecimento global desde o ataque à torres gémeas e a queda da torre financeira. Mas, mais do que isso, coloca ante o nosso olhar infelizmente cego a exuberância do Panóptico total, da manipulação da realidade e da indução de comportamentos.

É o apogeu do design civilizacional, do mais invasivo, sofisticado e inatacável Fascismo.

Comments

  1. Ferpin says:

    Uma coisa é a vulnerabilidade a pirataria, outra é o fabricante incluir isso à partida.
    Importa-se de indicar as fontes credíveis do que afirma?

    • Bruno Santos says:

      Aquilo a que chama “vulnerabilidade” é a presença de código, na estrutura do próprio sistema, que “permite” a “intrusão”. Em nenhum lugar do post se afirma que é o próprio código do sistema a “executar” essa intrusão.

  2. Alvaro Fonseca says:
  3. Paulo Marques says:

    O problema desta revelação, que não devia surpreender ninguém no século XXI, não depende se os CIA são bonzinhos ou não, embora não sofram qualquer tipo de controlo por ninguém e tendo-se banalizado as construções paralelas ilegais.
    O problema é que ao descobrir as vulnerabilidades e não ajudar a reparar-las deixam toda a gente vulnerável a quem lhes puser a mão. Não só podem outros descobrir as mesmas falhas, como ninguém pode garantir que nenhum agente as venda no mercado negro ou use para benefício pessoal, tal como fazem muitas vezes os agentes da polícia.

  4. Filipe says:

    A Guerra Fria deu origem à propagação da Ritalina , era preciso colar os jovens na cadeira , estarem atentos . A ida à Lua tornou-se num fracasso abismal e onde só um abismal cenário podia salvar o Mundo , o pormenor na altura era tão realístico , mais parecia um filme de ficção científica .http://www.dailymail.co.uk/news/article-2237819/NASAs-ingenious-moon-simulator-helped-prepare-Apollo-astronauts-land-gone-before.html …… “Stanley Kubrick Admits He Helped NASA Fake Moon Landings” …. hoje , continua a fraude , tudo isso é uma enorme treta … treta … e guerra psicológica , pois todos sabem que os incendiários em Portugal quando metem fogo levam o telemóvel no bolso e com isso devido às coordenadas vetoriais entre antenas GSM , pode calcular quem lá esteve . Concluindo , se querem bater na mãe como Afonso Henriques fez ou D.Sancho que bateu no pai … para não se saber , esqueçam a tecnologia . Então , como se sabe hoje ?

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