O caniche de Schäuble


Aquilo que está em causa nas declarações do Presidente do Eurogrupo não é apenas uma ofensa ao Estado Português. Essas declarações, de teor racista, são não só a confirmação da Lenda Negra sobre Portugal e o sul da Europa, mas a reafirmação da natureza punitiva do Programa de Ajustamento a que o nosso país tem vindo a ser sujeito. Essa punição tem na origem os altos princípios civilizacionais da agiotagem e da pirataria, que tão bem caracterizam historicamente os países ricos da Europa central, mas também um preconceito rácico, mais exactamente fascista, que vem tornar evidente o que está na base das transformações políticas que o mundo ocidental tem sofrido, designadamente as que vêm reforçando o suporte popular aos movimentos da extrema direita xenófoba.

Note-se que o impronunciável Dijsselbloem não expressou somente uma opinião pessoal sobre os portugueses. Ele fez eco da visão que o topo da hierarquia da União Europeia tem sobre Portugal, independentemente dos fraternos e bem regados jantares em Estrasburgo ou Bruxelas, relembrando o anátema lançado há quase quinhentos anos pelo espião seu compatriota, Jan Huygen van Linschoten, e reforçado ao longo dos séculos pelo mainstream europeu. É por isso que o PES (Partido Socialista Europeu), ao contrário do que vem sendo afirmado, não retirou a confiança política a Dijsselbloem, embora tenha criticado as suas declarações.
Num momento em que, mais uma vez, o BCE dirige ameaças ao governo português, insistindo na necessidade de mais reformas estruturais, cuja implementação o satisfará apenas quando dez milhões de portugueses invadirem Frankfurt na qualidade de refugiados, talvez fosse oportuno reintroduzir no diálogo diplomático europeu a questão racial, o problema do sangue e da desvantagem genética que nos caracteriza enquanto povo mestiço e impuro do sul. Talvez até Dijsselbloem e o Politburo da União Europeia estejam na disposição de reactivar os núcleos pedagógicos de Dachau, Auschwitz ou Treblinka, os quais poderão servir de centros de aprendizagem, correcção e trabalho, que conduzam finalmente o povo lascivo da Lusitânia à suprema reforma estrutural.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Meu caro, não é só o Holandês que é o caniche do Alemão Schauble.
    Por cá, o que não faltam são Caniches, Fox Terrier’s, Pinscher’s, e até alguns lambe **nas!
    Já ouviu algum comentário do Zezé Ferreira?
    E do Camelo Lourenço?
    E do João Viera Pereira?
    E do Trumpas Ribeiro Ferreira?
    Quando ouvir, diga-nos alguma coisa.
    Para ver se lhes desodorizamos os textos,.. talvez se consigam ler!

  2. Nascimento says:

    Nós aqui também tínhamos uma cadela 😊! Até vestiu de preto como na missa quando foi visitar o nazi😈.

  3. Ana Moreno says:

    Bruno, realmente a tendência para o exagero é muito humana. Não vejo em que é que aquilo que o idiota do homem disse é racista. É um estereótipo estúpido e ressabiado, mas daí a racista gostava que me explicassem qual é o caminho. E invocar os campos de concentração nazis a torto e a direito é uma monstruosa trivilialização.

    • Bruno Santos says:

      Ana, se não vê racismo nas declarações racistas do presidente do Eurogrupo, é um problema seu e dos seus valores. Quanto à “monstruosa trivialização” que simpaticamente refere, sugiro-lhe duas coisas. Primeiro que acautele a trivialização que faz dos adjectivos, não vá ficar sem eles se um dia der de novo de caras com um campo de concentração a sério. Depois, consulte as estatísticas sobre o número de mortes que as chamadas “políticas de austeridade” provocaram na Europa, principalmente em Portugal e na Grécia, e quais as consequências dessas políticas a longo prazo.

  4. Paulek says:

    Ana Moreno parece-me a única pessoa sensata, que pensa a frio, como me parece que devíamos todos fazer.

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