Notas sobre a ascensão do Protestantismo


A palavra Protestante tem origem no Latim, vem de Protestas, e significa atestar diante de todos. O Protestante é aquele que recusa a autoridade absoluta de qualquer Ser ou entidade, seja a Igreja, a hierarquia eclesiástica, ou mesmo a Bíblia.

A designação apareceu em 1529, na dieta de Espira, do Sacro Império Romano Germânico, quando cinco Príncipes e catorze cidades da Alemanha Imperial, incluíndo Estrasburgo, protestaram contra Carlos V, cuja intenção era revogar concessões feitas anteriormente, em 1526, repondo a hierarquia e o culto romano na Igreja. Os membros luteranos da dieta, temendo o fim do movimento entretanto iniciado, protestaram contra as medidas adoptadas, apelando em favor da sua reversão ao Imperador. É nesse momento que tem início o Protestantismo.

Nos dias de hoje, são várias as igrejas existentes que se reclamam herdeiras da Reforma e há cerca de 970 milhões de Protestantes no mundo inteiro.

Os Luteranos, que subscrevem a Confissão de Augsburgo, de Filipe  Melanchton, de 1530, onde está expressa a doutrina de Martinho Lutero e uma síntese dos seus ensinamentos.

Os Calvinistas, sob influência de João Calvino, presentes principalmente em França e na Suíça.

Os Presbiterianos escoceses, liderados por John Knox e baseados na recusa da jurisdição do Papa.

Na Igreja de Inglaterra, os Anglicanos, que divergiram de Roma por decisão de Henrique VIII.

Os Baptistas, representados por John Smith.

Os Metodistas, fundados por John Wesley e Charles Wesley, em 1739.

Os Quakers, ou Sociedade Religiosa dos Amigos, fundados por George Fox, em 1652.

Os Pentecostistas, dissidentes dos Baptistas norte-americanos.

O Exército de Salvação, criado por William Booth em 1865.

Os Adventistas, também dissidentes dos Baptistas norte-americanos, fundados cerca de 1830, por William Miller.

Os Mórmons, fundados em 1830 por Joseph Smith.

As Testemunhas de Jeová, assim conhecidas desde 1931 e criadas por Charles Taze Russel.

Foi este conjunto de movimentos que criou a base da actual Ordem Mundial, nascida da Revolução Gloriosa preparada por Guilherme de Orange a partir de 5 de Novembro de 1688, à qual se devem os valores do Capitalismo contemporâneo. Max Weber escreveu muito sobre o assunto. Não chegou a escrever, contudo, sobre o movimento evangélico encabeçado por Donald Trump, de matriz composta, digamos assim, pois faz assentar a sua doutrina no legado ético do Protestantismo e numa interpretação pró-fascista do gnosticismo esotérico italiano do século XX.

Dois outros marcos deixados pelo Protestantismo na história da civilização do ocidente foram o Calvinismo Afrikaner dos Bóeres – os antepassados do senhor Dijsselbloem – a religião oficial do Apartheid na África do Sul, e a Igreja Nacional do Reich, parcialmente fundada no anti-semitismo de Lutero.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Ó Bruno, eu sei que você sabe destas coisas a “potes”, eu sei que você escreve bem e nos delícia com belos textos que nos deixam a pensar…!
    Mas porra, hoje é sábado, meu caro!
    Recebi o ordenado ontem, carteira recheada, estou aqui com umas “amigas tugas, morenas, de cabelo castanho, olho de gata”, daquelas que o holandês pregador da moral calvinista nunca conhecerá, nem cheirará, porque, para isso era necessário ter a “libido sentiendi” de um homosapiens, … é só garrafas de vinho e gin em cima da mesa, música do melhor,… já estamos eufóricos, eu já gaguejo, e você vem-me falar de protestantes a esta hora?
    Missas é ao domingo, sabia!?
    Pergunte ao Marcelo, que ele explica-lhe!?

  2. Rui Naldinho says:

    …de um homo sapiens mediterrânico…

  3. Bruno Santos obrigado por este texto.

  4. Eu mesma says:

    Deviam fazer um Toda a Verdade sobre esse movimento religioso, com especial enfoque na assustadora ascensão das seitas neo-pentecostais, auto-proclamadas igrejas (?) evangélicas.

  5. Paulo Ans says:

    Bem, dizer que os movimentos protestantes são a base da nova ordem mundial é um bocado esticado. Aliás, até me parece que lhes estão a dar demasiado crédito. Aliás, o evangelicalismo americano é tão a antítese do protestantismo tradicional, que é só por si uma religião nova e separada das outras históricas. Para esses efeitos, está mais próxima do capitalismo e deus-mamom, que da cristandade original.
    O deus da nova ordem, não é Cristo, mas o dinheiro e o estado ao seu serviço. As igrejas os bancos, e não o próximo.
    Felizmente, tanto nos EUA, como no Brasil, e até na Europa, embora numa escala menor, outros seguidores que procuram a cristandade original rejeitam esse deus financeiro e essa ordem de domínio pela força , violência via estado.
    Nesse sentido, e sendo a ICAR infinitamente mais rica que todos os movimentos protestantes históricos juntos, e muito mais interessada em participar dessa ordem que os protestantes históricos.
    um abraço.

  6. Ana Moreno says:

    “As Testemunhas de Jeová, assim conhecidas desde 1931 e criadas por Charles Taze Russel. Foi este conjunto de movimentos que criou a base da actual Ordem Mundial, nascida da Revolução Gloriosa preparada por Guilherme de Orange a partir de 5 de Novembro de 1688”
    – eh pá Bruno, era bom manter uma mínima lógica cronológica, não? Outro conselho meu, era diferenciares entre protestantes e evangélicos. É uma diferença entre a noite e o dia, na prática.
    E um último apontamento, já que vais buscar os boers (realmente a tua capacidade associativa é notável), vai ver qual foi o papel das igrejas protestantes em Moçambique por comparação com a católica. Só como pista, muitos dos moçambicanos que depois da independência assumiram posições na sociedade, estudaram em escolas protestantes.
    Mas basta seguires a afirmação do Paulo Ans “Aliás, o evangelicalismo americano é tão a antítese do protestantismo tradicional” que já verás muito mais claro.

    • Rui Naldinho says:

      Sem querer entrar em polémicas, pois acho que estas coisas de política e religião não podem ser colocadas no espaço público ou até nas ciências sociais, de uma forma simplista, redutora, a régua e esquadro, pois tudo difere de país para país, e de época para época, apenas digo o seguinte:
      Nasci em Moçambique no final dos anos cinquenta, e os meus progenitores, incluindo tios e primos, eram industriais e comerciantes em Lourenço Marques, Inhambane, Beira, Quelimane e Nampula. O meu Avô vivia em Inharrime, um concelho do distrito de Inhambane, mas tinha negócios por todo o distrito, numa área igual à de Portugal (europeu). O meu pai, idem.
      Quase todas as povoações que eu conheci, e foram centenas, umas mais isoladas, outras nem tanto, elas estavam por norma associadas a uma missão religiosa. A predominância era a Católica, como seria óbvio. Mas convivi com muita gente em missões protestantes(suiça), metodistas, anglicanos, etc.
      Os seus Pastores, ou chefes religiosos tiveram um papel muito importante no apoio à luta armada ou não, pela independência dos Moçambicanos. A razão mais plausível era o facto de sendo eles de ascendência, Suíça, Anglo Saxónica, Holandesa, etc conseguirem manter com o exterior um certo nível de liberdade de informação que os portugueses e os católicos não tinham. Acresce que algumas missões protestantes tinham como Pastores por exemplo médicos, e esse pormenor era importante porque assistiam milhares de pessoas que não tinham nada à sua volta. Ou seja não se dedicavam só à envangelização, também salvavam vidas. Os Pastores protestantes vinham de democracias, enquanto os católicos eram sacerdotes portugueses formados na Metrópole. Mesmo os católicos Italianos, por ex os Missionários Combonianos tinham uma abordagem muito crítica do colonialismo.
      A única questão que eu poderia colocar em termos de “provocação” era esta:
      Será que estas Igrejas, as metodistas, anglicanas, protestantes, etc, que ajudaram os moçambicanos na luta pela sua independência e na luta pelos direitos humanos, nas Guianas Holandesas, na Indonésia, no Zimbábue, na Tanzânia, Namíbia,… também tiveram a mesma abordagem? Ou aí, silenciaram o colonialismo Holandês, Britânico, Alemão, Belga, etc?
      Agora, a História já nos demonstrou que há de facto duas Igrejas. Uma, a missionária, e a outra, a Cúria. A missionária é para mim a verdadeira igreja dos homens que têm fé. Os outros tenho as minhas dúvidas. Mas a minha opinião vale zero.
      Entre uma coisa e outra, existe uma distância igual à da realidade e a da ficção.
      Mais não digo, Ana. Porque, daqui para a frente o meu saber nessa matéria é limitado. Na vou conjecturar sobre aquilo que não domino.
      Cumprimentos

      • Ana Moreno says:

        Caro Rui Naldinho, acho que já explicou, na sua exposição sobre o papel das igrejas protestantes em Moçambique, aquilo que se calhar o Bruno não sabia.
        Sou ateia convicta desde a infância, mas fiquei profundamente impressionada quando, nos anos 80, vim a conhecer as posições extremamente progressistas das igrejas protestantes alemãs, na linha da frente das gigantescas manifestações pela Paz, aquando do estacionamento de mísseis da NATO na Europa. Para mim, que só conhecia o reaccionarismo da igreja católica europeia, foi uma surpresa enorme. Mais tarde, trabalhando em Moçambique (onde também cresci), tomei conhecimento dessa realidade que acima descreve. E continuo a admirar o papel das igrejas protestantes na Alemanha, de defesa activa dos mais desfavorecidos, dos refugiados, de outros povos, dos valores que tanto faltam nesta Europa. Acho que o Bruno não conhece nada disto. Caso ele esteja a falar dos evangélicos tipo Igreja do Reino de Deus e outras que tais, esses chupadores de dinheiro, aí sim, a sua expansão é preocupante. Mas então diferenciemos, para sabermos do que estamos a falar.

        • pauloans says:

          Neste momento, há um grupo bastante activo no Brasil, mas com pouca notoriedade, por razões óbvias… chamado “frente de Evangélicos pelo Estado de Direito”
          digam-me o que há de “nova ordem mundial” neste evangélico 🙂

          (fui evangélico, cresci no meio, mas afastei-me por reconhecer a inutilidade da religião e das instituições no processo do espiritual, mas meter tudo no mesmo saco, é coisa que não faço, nem em relação aos católicos, nem em relação aos protestantes, e obviamente, nem em relação aos evangélicos)
          Um abraço a todos, e obrigado pela troca de ideias tão agradável.

  7. pauloans says:

    Peço desculpa, não percebi que não poderia colocar links
    Procurem no google por “Culto de aula pública sobre Evangélicos progressistas com Pastor Ariovaldo Ramos na #ocupaPaulista”
    Não se trata de propaganda, apenas uma demonstração de que não se pode meter tudo no mesmo saco

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