Deixai vir a mim as criancinhas


O Primeiro Ministro, António Costa, decidiu responder a uma provocação feita por um jornalista, que nas páginas do jornal onde escreve criticou a tolerância de ponto dada pelo governo por ocasião da visita do Papa, queixando-se de que, com as escolas públicas fechadas, não teria quem tomasse conta dos seus filhos. Antonio Costa decidiu assumir pessoalmente o babysitting e as crianças passaram parte do dia com ele, aparentemente felizes. A fotografia da praxe correu as redes sociais, com direito a canal Panda em fundo, e no subconsciente dos mais velhos reluziu a famosa imagem da sala oval, com o petiz gatinhando sob a secretária de pau preto, enquanto o Presidente Kennedy invadia a Baía dos Porcos.

A provocação mútua teria graça se não se desse o caso de não ter graça nenhuma e de, pelo contrário, constituir uma espécie de consagração do especial favor do soberano a um súbdito ao qual cabem privilégios não extensíveis a nenhum outro, privilégios esses que não podem senão resultar da sua relevante exposição mediática e do poder de influência que essa exposição lhe confere. Principalmente aquele poder de criticar o Primeiro Ministro, ousadia que a partir de agora não terá ficado facilitada.
Podendo, aos mais distraídos, esta cunha pública passar por graçola, e não se lhe atribuindo a gravidade da oferta de dois pares de estalos com que um Ministro da Cultura foi demitido, ou da viagem paga pela Galp a um Secretário de Estado mais desprevenido, ela não deixa de representar um infeliz exemplo do que não deve ser o comportamento do alto responsável público a quem cabe o dever de isenção e equidistância no trato com os cidadãos, mesmo à mesa do café. Em tom de brincadeira, demasiado séria para passar em claro, o Primeiro Ministro legitimou um tráfico de influências e um favorecimento que, infelizmente, é demasiado comum atrás da cortina da piada e se estabeleceu como norma num país pouco dado à virtude e sequestrado pela corrupção endémica, para a qual vacina alguma foi ainda recomendada.
Não cai o Carmo nem a Trindade, mas regista-se.

Comments

  1. maria isabel da silva e silva diniz de carvalho says:

    Oh Bruninho, o que”praí” vai! Não captaste a subtil ironia do nosso primeiro e escreveste uma coisa que é assim a modos que um trabalho de carpinteiro de toscos. A minha opinião vale o que vale mas, confesso que adorei a brincadeira do Costa que de certeza embatucou o grunho do Tavares.

  2. Rui Naldinho says:

    Ainda bem que de vez em quando discordamos!?
    Não valorizo a atitude de António Costa ao ponto de considerar esta ação tráfico de influências. Fossem todas as traficâncias deste género e estávamos nós bem. Foi talvez mais uma resposta irónica, bem humorada, desprendida e com elevação, a um jornalista, ao qual, contrata-se que de isenção jornalistica tem muito pouco. JMTavares é alguém obcecado com o PS, e acima de tudo com Josê Sócrates. Aliás, convém recordar, que ele próprio é motivo de chalaças, e uma certa chacota dentro do próprio grupo onde se integra como comentador, dada a sua obsessão pelo ex primeiro ministro. E isso já diz muita coisa.
    Eu também não concordo com a tolerância de ponto. Até porque acho isso uma hipocrisia da parte dos governantes de um Estado que se fiz laico. Mas Costa fez aquilo que fizeram todos até agora. Alinhou pela frente, e Marcelo disse Amen!
    Com a minha idade madura, já vi chegar a esta terra, João Paulo II duas vezes, Bento XVI uma vez, e agora Francisco I. Que me recorde foi sempre um maná para os baldas. Onde andavam, os críticos como o Tavares e Comp.?
    Se ele não desse a tolerância de ponto, era porque era ateu e comunista, como já vi escrito, por outras situações.
    Eu até imagino, e sou livre de ter as minhas suspeitas, de que Sócrates foi provavelmente um dos políticos mais corruptos do país. Mas a pergunta que eu faço é esta:
    Alguma vez João Miguel Tavares escreveu um terço das crónicas, desde os tempos do DN, até aos dias de hoje noz Público, sobre o BPN e a camarilha Laranja que destruiu o banco, deixando os portugueses a pagar uma dívida de mais de 2,3 mil milhões de euros? E sobre o BaNIF, outro banco laranjinha? E no caso do BES, ele fala porque sabe que Sócrates está lá metido, caso contrário gozava com o seu parceiro de painel, o Ricardo, que ficou a arder com os investimentos que fez em papel comercial do BES.
    Tavares consegue ver no PS tudo o que de mal aconteceu ao país. Se não foi do cu, foi das calças. Se não eras larápio, eras polícia. E quando não era uma coisa nem outra, o problema continua ser deles, porque são cor de rosa. Eu a isto chamo paranoia, meu caro.
    De facto os socialistas têm culpas enormes na crise que atravessamos, não ignoremos esse facto, mas convém não esquecer que o PSD, e mesmo o CDS, podem encomendar a alma ao Diabo, já que estamos em maré de visita Papal, e “arder nas labaredas do inferno” com os socialistas.
    O que Costa fez, foi deixar Tavares embasbacado, depois do que ele escreveu. Só que Tavares é uma “puta fina”, e não se fez rogado. Mas pode acreditar que Costa saiu-se bem.

    • Rui Naldinho says:

      Deve ler-se:
      ” …ao qual, constata-se que de isenção jornalística tem muito pouco…”

    • omaudafita says:

      Eu primeiro pensava que no Governo Sombra o RIP era o comentador principal do programa, o PM emprestava seriedade e o JMT o saco de boxe e IÚ. Mas começo a verificar que o comentador principal é o JMT, que tenta fazer com Costa o que fez com Sócrates, o PM o fiel da balançã e o RIP o palhaço que serve de entretem enquanto levamos semanalmente com os robustos supositórios enfiados pelo JMT, que de outra forma não teria tempo de antena porque ninguém teria pachorra para o ouvir, penso eu… talvez esteja errado.

      • Luís Coelho says:

        Sugiro uma táctica:
        vendo o programa diferido, pode resumi-lo a 15 minutos acelerando o JMT (na NOS, faço JMTx4 e até x16). É que, pior que ouvir um reaça, é ouvir um reaça que acha que tem piada.

        • omaudafita says:

          Por acaso costumo ouvir em podcast uns dias depois. É interessante constatar que as aves agourentas falham em todas as previsões… Mas o JMT não é o único, no Contraditório também há lá um que não lhe deve nada.

      • omaudafita says:

        RAP…

  3. Rui Naldinho says:

    Parabéns SALVADOR SOBRAL
    Parabéns LUISA SOBRAL pela bela música que compôs para o seu irmão.
    A prova de que a boa música, cantada na língua mãe, um dia acaba por triunfar, mesmo num festival de música inglesa.

    O próximo artigo do João Miguel Tavares vai ser sobre “a sorte do António Costa e a geringonça que nada fizeram para merecer isto”.
    Pasme-se, Portugal foi Campeão Europeu de Futebol em 2016, trouxe o Papa para canonizar os pastorinhos a um país governado por esquerdalhos e comunas, e conseguiu o “milagre”, durante o seu governo, usurpado a Passos Coelho, de ver Portugal vencer o festival EUROVISÃO da canção.

  4. JgMenos says:

    O sucesso do dos afectos começa a fazer escola e afecta o caceteiro Costa, que tenta dar um ar de gracioso.
    Simpatia ou se tem ou é farsa.

    • José Fontes says:

      Tu, meu olharapo Menos, a falar de caceteiro?
      O que és tu com os comentários que deixas diariamente no blogue Ladrões de Bicicletas e aqui, meu bronco?
      É preciso teres lata.
      Vai dedicar-te à Física e aos negócios de consultadoria financeira para os corruptos das negociatas e dos offshores lesarem o estado e nos lesarem a nós, ó João Pires da Cruz.
      Cromo.

  5. Paulo Só says:

    Eu aplaudo qualquer coisa, vinda de qualquer pessoa, que tape a boca do João Miguel Tavares, um exemplo do que não deve ser o jornalismo ou antes a excrecência dos comentários das redes socais para as páginas dos jornais.

  6. omaudafita says:

    O problema de alguns marinheiros de água doce é que o António Costa é marinheiro do Mar do Norte!

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