Porto e Gaia – idoneidade política em Democracia


As Câmaras Municipais das cidades que partilham a foz do Douro, Porto e Gaia, duas das maiores do país, têm suscitado atenções e polémicas nos últimos meses, por via de notícias que colocam em causa a idoneidade dos respectivos presidentes. Na verdade, o jornal PÚBLICO tem dado a conhecer factos sobre a gestão autárquica de Rui Moreira e de Eduardo Vitor Rodrigues, que lançam a suspeita sobre o cruzamento de interesses pessoais e familiares dos dois políticos e o superior interesse dos municípios que lideram.

Apesar de ambos se terem apressado a negar as notícias do PÚBLICO e de o jornal, em particular uma das suas melhores jornalistas, ter sido injusta e violentamente atacado nas redes sociais, pelo menos num dos casos, a verdade é que as informações avançadas firmam-se em sólidas provas documentais.

Tanto no caso de Rui Moreira, como no de Eduardo Vítor Rodrigues, estabeleceu-se irreversivelmente a dúvida sobre a isenção e a imparcialidade com que cada um norteia o exercício de funções de elevada responsabilidade em que está investido, dúvida essa incompatível com a transparência e a idoneidade que lhes são exigidas enquanto autarcas e representantes eleitos.

Parece claro que, a não ser que seja realizado um cabal esclarecimento das questões em apreço (desconhece-se ainda hoje o destino do pedido de auditoria endereçado ao Ministro Vieira da Silva sobre as IPSS de Vila Nova de Gaia) e desmentido, categórica e documentalmente, o conflito de interesses apontado, nenhum dos dois tem legitimidade política para prosseguir em funções. Acresce que este ambiente de suspeição que rodeia os dois autarcas da foz do Douro é um factor de instabilidade para toda a região, que assim vê limitado e enfraquecido o seu poder reivindicativo face à organização tradicionalmente macrocéfala do Poder sediado na capital do império. Se as desigualdades e as assimetrias territoriais características de um país política, económica e culturalmente centralista são já um enorme obstáculo ao desenvolvimento justo e equilibrado da sociedade portuguesa, a presença de líderes locais cuja idoneidade política está comprometida, como é o caso de Rui Moreira e Eduardo Vítor Rodrigues, não só aprofunda as dificuldades, como impede o aperfeiçoamento tão necessário da nossa Democracia. Um responsável público não é um mero negociante em comissão de serviço. É, ou deve ser, um exemplo cívico para toda a sociedade. Finalmente, resta esclarecer o que é que a oposição a estes dois autarcas tem andado a fazer por lá.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Não vou abordar o caso de Gaia, uma vez que o Bruno já aqui escreveu sobre ele. Para bom entendedor meia palavra basta, e sendo ele a escrever, mais fácil se torna perceber os contornos da “coisa”.
    No caso do Porto, também já várias pessoas aqui deram a sua opinião e o seu palpite, eu incluído.
    Mas há uma coisa que eu constato. A partir do momento em que o PS foi afastado do movimento de apoio a Rui Moreira, os jornais, as rádios e televisões “deram gás à tábua”. Não estou a insinuar que o PS está por detrás disto. E logo vindo de um jornal como o “Público”. Mas também se percebe que uma coisa é ser um ou dois a bater no mesmo, outra coisa é serem quatro ou cinco a massacrar Moreira. Ou seja, a imprensa percebe que Moreira está isolado. E pode render audiências a nivela “selminho”. E com isto, dar para se arranjar uma reviravolta. O beneficiado sabemos quem é. O PS que tire o cavalinho da chuva, que vai voltar a ficar em segundo.
    Não sei se Moreira está a ser acusado justa ou injustamente. Até porque este caso da “Selminho” já vem desde 2014, primeiro em surdina, depois em cochicho, a seguir em módulo trica, para passarmos à fase da insinuação e/ou acusação, depende agora da veracidade dos factos.
    O que eu queria registar, e o que para mim importa, “nesta fase do campeonato”, é a hipocrisia dos nossos políticos em geral. Com excepção de Manuel Pizarro, naturalmente está comprometido com a gestão de Moreira, e presumo, devem ser amigos, anda tudo a malhar no atual Presidente da Câmara. Até podem ter muita razão.
    Mas porque só agora? Então se o homem não é sério, esta campanha contra a sua falta de idoneidade, não devia ter começado bem antes?
    A seriedade dos políticos não se mede pelo facto de eles subscreverem as ideias políticas que defendemos, mas da sua conduta, da gestão da coisa pública, e acima de tudo do sentido cívico da sua ação.
    Eu posso detestar Pedro Passos Coelho como político, e discordo de quase tudo o que ele fez, crítico-o aqui amiúde, mas nunca o confundirei com José Sócrates.

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    A – O REI DO NORTE
    Este foi o título dado ao famoso “Sá das Galés”, Senhor das Bouças, de Massarelos, Alcaide da cidade do Porto e que acompanhou el-Rei D. João I na tomada de Ceuta.
    Terá sido o primeiro “Rei do Norte” e depois deles, muitos se sucederam. De “Sá das Galés” a Pinto da Costa, muitos passaram por esta cidade e arredores, desde o “filipino” Henrique de Sousa Tavares, até ao grande Almada.
    O “Rei do Norte” é um título assim, mal comparado, com o do “Rei da Sucata” ou mesmo com o de “Dono de Portugal”, qualquer deles, portugueses “ilustres” a que se associa a
    corrupção e o garrote financeiro a que gerações de Portugueses se têm rendido e apreciado a ineficácia da dita “justiça”, outro poço de virtudes.
    Mas eis que agora surge a …

    B – A ÁGUIA BICÈFALA
    A águia bicéfila, é simultaneamente o símbolo do Santo Agostinho e da diabólica política, sendo composto por duas águias coroadas que olham em direcções opostas.
    Para os actuais “Reis do Norte” (Pinto da Costa há muito tempo que não passa de um barão em decadência), este será o melhor símbolo de uma união – refiro-me à irmandade das asneiras – em que uma das águias olha para sul ( a malfadada e maldita capital em que batem desmesuradamente, enquanto vão suspirando para que possam, num dia glorioso, lá sentar arraiais) e a outra para norte, para a tão próxima, mas tão distante Galiza, o berço da nossa Nacionalidade, onde se sonha restaurar o Reino da Galiza, uma caricatura do ex-Eixo Atlântico tão propalado por outro “ex-vice-rei” e uma machadada no tão propalado autismo do famigerado “Terreiro do Paço”?

    E qual o significado da oposição nos reinos assim constituídos?
    Mas haverá mesmo quem ache que estes figurões estão interessados na diminuição da macrocefalia do Poder Central?

  3. Não basta ser sério há também que o parecer. Batemos no fundo devido ao esbulho autárquico que salvo raras excepções , o país foi vítima. Impunha-se que fosse aprovada uma Lei na Assembleia da República que desse poderes ao Ministério Público de investigar o património que alguns autarcas bem conhecidos possuem. A alguns deles deve ter saído o Euromilhões várias vezes doutra forma não conseguirão justificar o património que possuem.

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