Cheira-me a descoberta do fogo

O Conselho Nacional de Educação defendeu que é necessário recentrar a actividade docente, livrando os professores de muitas tarefas que lhes são atribuídas.

Nos últimos tempos, no campo da Educação, tem havido um rol impressionante de descobertas há muito descobertas e de invenções que já tinham sido inventadas há muito. Recentemente, o Paulo Guinote dedicou-se com mais alguma profundidade ao assunto das aparentes redescobertas.

Pela minha parte, embora com algum vernáculo à mistura, já tinha chegado a conclusões semelhantes às do Conselho Nacional de Educação, não porque seja (eu) especialmente brilhante, mas porque é suficiente ter alguns anos de serviço para se perceber que o tempo é um dos recursos mais importantes na vida de um professor, o que pode querer dizer que há falta de professores. [Read more…]

Os limites da Propaganda e da Democracia

Comunicação e Propaganda são duas coisas distintas. Infelizmente estão cada vez mais confundidas e a propaganda tem ocupado o lugar que, numa Democracia pluralista, não lhe pode pertencer.

As instituições públicas têm que perceber que há limites para o uso de técnicas e truques que visam manipular os cidadãos que representam. E têm que perceber também que a Democracia marca linhas de fronteira na decência da comunicação, limites esses que um Estado fascista normalmente não respeita. É que um Estado fascista organiza-se e funciona de acordo com preceitos diferentes daqueles que são exigidos a uma Democracia.

A imagem que se reproduz acima foi recolhida durante um evento desportivo que reuniu dezenas de crianças oriundas de algumas escolas públicas de Vila Nova de Gaia, evento esse ao qual assistiram centenas de pessoas, a maioria das quais familiares.

Uma das equipas, composta por crianças cuja idade não ultrapassava os dez anos, apresentou-se no evento exibindo cartazes com a fotografia do presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues e do presidente de uma Junta de Freguesia.

Comunicação e Propaganda são coisas distintas.

A instrumentalização de crianças para fins de campanha política é outra coisa ainda, tão ignóbil e degradante que não caberá aqui classificá-la.