Os limites da Propaganda e da Democracia


Comunicação e Propaganda são duas coisas distintas. Infelizmente estão cada vez mais confundidas e a propaganda tem ocupado o lugar que, numa Democracia pluralista, não lhe pode pertencer.

As instituições públicas têm que perceber que há limites para o uso de técnicas e truques que visam manipular os cidadãos que representam. E têm que perceber também que a Democracia marca linhas de fronteira na decência da comunicação, limites esses que um Estado fascista normalmente não respeita. É que um Estado fascista organiza-se e funciona de acordo com preceitos diferentes daqueles que são exigidos a uma Democracia.

A imagem que se reproduz acima foi recolhida durante um evento desportivo que reuniu dezenas de crianças oriundas de algumas escolas públicas de Vila Nova de Gaia, evento esse ao qual assistiram centenas de pessoas, a maioria das quais familiares.

Uma das equipas, composta por crianças cuja idade não ultrapassava os dez anos, apresentou-se no evento exibindo cartazes com a fotografia do presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues e do presidente de uma Junta de Freguesia.

Comunicação e Propaganda são coisas distintas.

A instrumentalização de crianças para fins de campanha política é outra coisa ainda, tão ignóbil e degradante que não caberá aqui classificá-la.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Quando eu era menino, na sala de aula da primária – e foram muitas por onde passei – recordo-me de ver o crucifixo, a imagem de Salazar e a de Américo Tomás (embora seja do tempo do Craveiro Lopes).
    A propaganda à moda salazarista e salazarenta continua no século XXI com estes “xuxas” de meia tigela e com os “laranjinhas”, seus amigos do Arco da Governação.
    São os estigmas do fascismo que esta gente nem a inteligência usa para se demarcar…
    Mas para mim, pessoa com uma idade mais avançada, o que me choca é que os votantes se não apercebam destes tiques.
    Quando se não aprende com a História, os erros repetem-se… É uma questão de tempo.

  2. Rui Silva says:

    Um dos principais motivos de se manter o ensino na esfera “pública” é exactamente este.
    Confundir a mente do “idiota votante” de que a escola é algo que nos é oferecido pelo politico, que é o benemérito a quem devemos que os nossos filhos usufruam desta dádiva socialista . Estão à espera de quê não só defendem a escola “publica”, como diabolizam a escola privada ?
    A educação é a paixão dos socialistas…

    Rui Silva

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Caro Rui Silva:

      Mas quer-me convencer que na escola “privada” (as aspas aqui são mesmo para valer, porque o público tem vindo a pagá-la com língua de palmo) não se faz política?
      Sendo para si, ao que parece, a escola “privada” um poço de virtudes, já se apercebeu das tendências políticas que saem da escola dita “privada”? E como se faz simultaneamente, política e religião?

      O seu post, perdoar-me-á, é de uma enorme desonestidade intelectual, a começar pela definição de “privado” que vai, graças aos “socialistas” que tanto ataca, sendo alimentado pelo contribuinte o tal a quem o Senhor chama de “idiota votante”… E aqui estou completamente de acordo consigo, embora não pelas mesmas razões.

      • Rui Silva says:

        Meu caro,
        A escola privada e pública é sempre paga pelas pessoas, mas é muito mais cara do que devia ser e de qualidade inferior quando é obrigatoriamente pública.
        A escola privada não é, nem deixa de ser, à priori uma escola virtuosa. O problema é que a escola privada é politicamente/legalmente vedada aos menos favorecidos. E quando a estes lhes é dada a possibilidade de livre escolha preferem normalmente a privada.
        Mas isso de escolher pela própria cabeça é algo que a nossa “inteligentzia” não está disposta a ceder ao cidadão ( “… temos que decidir por eles pois não sabem sequer o que é melhor…”).
        Eu também não defendo que as escolas privadas sejam subsidiadas pelo Estado. O que eu penso é que o ensino exclusivamente “fornecido” pelo Estado é uma ferramenta “idiotizante” na mão dos políticos que tanto podem ser “bons” como “maus”.
        A escola de gestão privada teve de ser “travada na secretaria”, tal era o avanço que já se fazia sentir em relação à escola pública , o que é lamentável para os milhares de jovens que estavam a ter acesso a uma melhor formação.
        O mais interessante é que os politicos e maiores defensores da escola pública lá continuam a ter os filhos na “horrivel” escola privada…

        Rui Silva

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Caro Rui Silva:

          Há vários pontos que terão interesse analisar na sua comunicação, se tiver paciência para me ler.

          1 – É evidente que a escola, seja privada, seja pública é sempre paga pelas pessoas. O problema é saber quem são as pessoas que pagam. Por definição, a Escola privada tem financiamentos próprios e não deveria ter financiamento público e, como deve saber, este não é o caso. Ao dia de hoje, funciona como uma qualquer parceria, das que vai arruinando o País.

          2 – Talvez assim entendamos porque – como diz – os actuais políticos e defensores da Escola Pública têm os filhos na Escola privada. Desta classe política, que joga permanentemente o jogo do “gato e do rato”, já nada admira, nem as suas atitudes podem servir para demonstrar o que quer que seja. São, por definição, corruptos, inconstantes, mas sempre incoerentes.
          E portanto, quando escolhem a Escola privada, estão a demonstrar política e ideologicamente aquilo que valem.
          Alguns (muitos) até lá vão “fazer uma perninha” para ganhar mais uns cobres que o público vai ajudando a pagar.
          Em suma, uma promiscuidade vergonhosa de interesses incompatíveis, a desta classe política, que nunca é julgada ou regulamentada, excepto quando os legisladores, a grossa maioria saídos da Escola privada, fazem as leis em escritórios de advogados, que vão servir para regular as suas vidas.

          3 – A negação da escola privada aos mais desfavorecidos – tal como correctamente afirma – diz bem da sua tendência para a criação de elites. Já na Idade Média se trabalhava desta forma, continuou na Idade Moderna e por vezes, dá a ideia que o Homem não progride. E mais chocante ainda, é saber que é negada a entrada aos mais desfavorecidos, embora eles também contribuam para a sua continuidade, com dinheiro saído dos seus impostos. É repugnante e imoral a clivagem social que esta gentalha dita “socialista” e “social democrata” está a fazer.

          4 – A frase que transcreve “… temos que decidir por eles pois não sabem sequer o que é melhor…” não me merece grandes comentários, excepto que me parece ser de um incrível mau gosto e profundamente elitista.
          Esta é bem a aplicação da história de quem apareceu primeiro, se o ovo, se a galinha.
          Um sistema que não permite a evolução dos habitantes é pernicioso em termos de Humanidade. As pessoas não sabem escolher porque a maior parte das vezes, há interesse em mantê-las estupidificadas, o vulgar ” Panis et circensis” que já vem dos tempos da velha Roma que em Portugal se transfigurou na política dos 3 F’s que era seguida com Salazar e continuada, hoje, com o corrupto Arco da Governação.
          Em todo o caso e voltando ao Ensino, defendo que o ensino, seja público ou privado tem nos professores a âncora que define a sua qualidade. Pessoalmente, sou professor, embora num ramo que se afasta do Ensino público e privado – embora fosse, no passado, docente Universitário – e lecciono nos quatro cantos do mundo, literalmente falando e só o posso continuar a fazer, porque há aceitação das minhas aulas.
          Portanto a denominação “ensino de qualidade”, nada tem a ver com o público ou privado, mas com os seus agentes que são quem escolhe programas, quem influencia essa escolha e os professores que os ministram.
          O resto, acredite, é fantasia …
          Sugiro que consulte várias separatas existentes e que descrevem, por exemplo, os Professores do Liceu Central do Porto na viragem do século XIX para o século XX e verificará facilmente que qualquer deles era autor de livros didácticos e de imensas publicações literárias, sendo muitos poetas, romancistas, para além da sua vertente académica.
          Falo de Augusto Luso, de Leonardo Coimbra, de Joaquim de Vasconcelos, de Parada Leitão, isto para lhe citar os nomes mais sonantes. Mas são às dezenas.
          Pessoalmente, na minha muito longa experiência pedagógica, a qualidade do ensino tem dois vectores fundamentais: a qualidade dos professores e a qualidade da vida familiar que faz o acompanhamento. E desta, nunca se faz referência, pois o “portuguesinho”, que se habituou a ter a “papinha feita”, sendo na sua maioria preguiçoso e desinteressado, entrega à Escola uma grande parte da educação dos seus filhos.

          5 – Asseguro-lhe que nada tenho contra a Escola privada, nem contra a escolha que o normal cidadão possa fazer.
          E só me vê aqui a comentar o texto, pelo facto da questão de fundo ser a promiscuidade financeira. É contra esta promiscuidade em termos de financiamento e ainda na evidente canalização política que me manifesto. Esta é mais uma das razões pelas quais a corrupta classe política da nossa praça gosta do privado. É um “fixador” que funciona para a política como o formol para a conservação : conserva os hábitos e tendências, não permitindo escolha. A juventude é manifestamente canalizada para um status que interessa a este Arco da Governação.

          6 – E termino com uma frase que, de algum modo se suporta numa sua e que me aparece ajustada ao privado: para mim, na actual conjectura, o privado é, de facto, uma ferramenta canalizadora e torneadora na mão dos nossos políticos.

          E por aqui me fico, porque sempre entendo e entenderei que o Ensino ou a Escola, se preferir, deveriam ser independentes dos políticos, sejam eles “bons” ou “maus”.
          Associe esta independência à qualidade dos professores e a uma vida familiar estável e lhe garanto que não haverá diferença entre o público e o privado.
          E claro, respeite-se o significado do “auto financiamento” e deixemos a política dos subsídios de que vive, de facto e de um modo vergonhoso a escola privada.

          Cumprimentos.

          • 1 –
            Em relação a quem paga a escola pública, julgo que todos os portugueses, os mais ricos pagam mais, e os mais pobres menos e alguns mesmo muito pobres não pagam praticamente nada.
            Em relação ás parcerias também concordo consigo que arruínam o pais, mas não podia ser de outra forma, a velha máxima que diz que os gastos públicos são um gasto do tipo 4, ou seja onde o dinheiro atinge o seu grau de eficiência mais baixo , de outra coisa não está à espera. Mas desengane-se que para fugir ás parceria , a socialização do ensino não arruína da mesma forma ou ainda mais o país.
            2 –
            Aqui não concordo consigo. Esses políticos, são até muito coerentes e apenas estão a fazer o que qualquer um de nós (você e eu incluídos) deve fazer, que é procurar o melhor para os seus filhos. Por um lado ao defenderem a escola pública estão a garantir o seu futuro ( via reserva de influencia política do lobby respectivo, angariando os votos de que necessitam para futuras eleições) e por outro, não submetem os próprios filhos ao sistema que defendem por imperativos profissionais , pois eles próprios tem consciência que o sistema não é bom.
            4 –
            Aqui fiquei com algumas dúvidas se me expliquei bem. A frase que transcrevi contém ela própria a essência do político socialista que na sua arrogância intelectual e moral se assume capaz de decidir pela cabeça do outro.
            5 –
            Caro Ernesto, se não tem nada contra a escola privada há-de reconhecer que o sistema tudo faz para a destruir, começando logo por lhe “roubar” os alunos.
            6 –
            “E por aqui me fico, porque sempre entendo e entenderei que o Ensino ou a Escola, se preferir, deveriam ser independentes dos políticos, sejam eles “bons” ou “maus”.”
            Isto só será possível com a escola privada, não há outra forma caro Ernesto, nunca ninguém a descobriu nem descobrirá porque é simplesmente impossível arranjar água seca.
            Dar a responsabilidade de escolha aos pais seria um óptimo avanço no sentido da maior responsabilização destes face aos resultados dos filhos. A liberdade de escolha é a maior vitamina para a responsabilização do Homem. A tipo de gestão Socialista do ensino a que assistimos no nosso pais é responsável também em grande medida pela desresponsabilização dos pais. O Estado Socialista incute exactamente isso na mentalidade das pessoas:
            “ não te preocupes , não penses que o Estado trata de ti do berço á sepultura”

            Para isso só temos que nos deixar levar , o Estado tem pessoas muito mais competentes a pensarem naquilo que é bom para nós.

            Cumprimentos.
            Rui Silva

    • Maria João says:

      Rui Silva, ah, deve ser por isso que as escolas privadas tanto anseiam pelo financiamento público, estou a ver… Sim senhor…

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Caro Rui Silva.
    Independentemente dos desacordos, o que é mais importante para mim, é a elevação desta nossa conversa, o que equivale a dizer que ideias diferentes não são pomos de discórdia, mas pontos de debate.
    Aprecio o modo aberto e democrático como se expressa.

    1 – A grande discussão resume-se ao facto do público estar a pagar o privado. Ainda hoje saiu a público mais uma, em Torres Vedras, onde o governo fez uma parceria público privada com uma escola privada, alegando falta de cobertura da rede de ensino pública. E quando se apura o que se passa, constatamos que existe um vínculo familiar entre a autarquia e a referida escola. Como diz o outro, palavras para quê?
    O Rui Silva insiste em chamar ao ensino público, a “socialização do ensino”. Não é, e se quer que lhe diga, o ensino público não é rigorosamente nada, não podendo ser adjectivado, pelas razões que lhe descrevi no ponto 4 da minha comunicação anterior. Estamos perante um ensino que debita a metro e não cativa o aluno para a leitura, para a investigação ou se preferir, para a curiosidade e portanto, não forma.
    O humorista Vilhena tinha um desenho único onde apresentava, quer o professor, quer o aluno, com um balde em lugar da cabeça. O balde do professor estava cheio e ao inclinar-se deixava cair o lixo no balde (cabeça) do aluno. E terminava com a frase: Esta é a suprema cultura com que se dota o Homem de amanhã… Este é o Ensino actual, seja ele público, seja ele privado.
    Eu sou um admirador indefectível das teorias do Professor Agostinho da Silva sobre o ensino. São exactamente o contrário do esquema de Vilhena..

    2 – A alegada coerência que confere, magnanimamente, aos políticos, só a pronuncia – estou certo – para tentar justificar a sua teoria que aponta para uma melhor qualidade da escola privada relativamente à pública. Não vou aqui desfolhar o rosário da inflação das notas de que o privado usa e abusa. Só lhe refiro que quando fiz o meu 5º ano dos Liceus, no já longínquo ano de 1964, também havia os Colégios ditos particulares, que conferiam notas para que os alunos que tivessem problemas no Liceu, pudessem ir a exame. Esta é a forma como ainda hoje, o privado funciona. Um facilitador.
    E por isso mesmo cobra mais. Estabelece-se uma relação de pagar e dever, o que conduz à tal inflação de que lhe falei atrás. E os políticos ao permitirem a existência de critérios tão dispares, estão a por em causa um Sistema, porque o não regulam (nem estarão interessados, está bom de ver…)

    3 – Percebi muito bem a frase que transcreveu e não o acuso por isso. Acuso a frase, com a qual antipatizo. Percebi claramente o seu raciocínio e subscrevo a arrogância intelectual e moral que acusa a gente do governo. Só um reparo: para mim, socialistas e sociais democratas, são neste e noutros aspectos, iguaizinhos.

    4 – Repito-lhe que nada tenho contra a Escola Privada. Nada tenho quanto à lei do Mercado e da concorrência. Tenho, isso sim, contra a falta de regulação que cria dois sistemas que não são paralelos, tornando-se complementares quando interessa, seja na atribuição de classificações, seja aquando da criação de parcerias que mais me parecem um “jeitinho” – e aqui entramos no campo da corrupção – que propriamente uma necessidade.
    O que eu acho e isso digo-lhe abertamente é que a Escola privada vem fazendo “hara-kiri” sistemático, porque entra nos esquemas governamentais que me não parecem honestos e disso se aproveita. Uma perfeita simbiose de interesses.

    5 – Não estou de acordo consigo quando refere que … “E por aqui me fico, porque sempre entendo e entenderei que o Ensino ou a Escola, se preferir, deveriam ser independentes dos políticos, sejam eles “bons” ou “maus”, só é possível com a Escola privada. E olhe que ainda não há água seca, mas toda a gente conhece e muitos usam o gelo seco…

    Meu caro Rui Silva, a vida confiou-me uma série de trabalhos que executo com o maior dos prazeres e que se prendem com a “mudança de mentalidades”. E venho encontrando de tudo, em todos os continentes, ao ponto de lhe dizer que se esquecer a língua e o aspecto das pessoas, não vejo diferenças entre o aluno americano, russo, chinês, inglês, polaco, romeno, eslovaco, mexicano, francês, brasileiro, argentino, turco e marroquino. Com eles e com muitos outros convivo e sei a dificuldade que é mudar paradigmas de pensamento ou actuação.

    O que eu quero dizer com isto é que a mudança – e aqui entra a tal responsabilidade a dar aos pais no sentido de escolhas conscientes e participação na vida académica dos filhos – não se faz com o estalar de dedos. É necessária muita experimentação, muitas falhas com correcções, mas é preciso começar a observar, a juntar dados e depois, tirar conclusões. E a mim, caro Rui o que me parece, é que os sucessivos governos, não querem começar a mudar as mentalidades.
    Se quiser, um pouco como esta Europa que cresceu com uma moeda e que se vai afogando numa Babel de comunicação.
    É tudo uma questão de prioridades e os nossos governos, sejam eles de direita ou de esquerda, já disseram qual é a sua: 3 F’s.
    Por isso, tenho a consciência que não podemos progredir, mas deixar-me levar por estes corruptos incompetentes, isso jamais..

    Foi um prazer.

    • Caro Ernesto Ribeiro,
      eu também tenho todo o gosto de conversar com pessoas que de forma educada e sincera debatem os seus pontos de vista, como é o seu caso.
      Agora só para finalizar de minha parte
      1- A razão pela qual defendo que o ensino deve ser praticado pela iniciativa privada é a mesma pela qual defendo que a agricultura , industria etc, devem ser também desenvolvidas pela iniciativa privada.
      O Estado tem funções muito muito importantes com as quais se deve preocupar.
      No campo da educação, o Estado teve um papel muito importante que foi entender que a educação é tão importante para a sociedade que a tornou obrigatória e universal. Para isso criou condições legais para que isso pudesse ser atingido. Apenas o estado tem competência para fazer isto, mas só até este ponto.
      A partir daqui a educação nas mãos do Estado (cujo poder já é imenso sobre a vida e liberdade do individuo) é uma arma muito poderosa para a tentação de “formatar” o pensamento que deveria ser livre.
      Além disso, a iniciativa privada é muito mais capaz que o Estado – por variadíssimas razões que para não me alongar demasiado, não vou chamar a este meu texto – para de uma forma eficiente fornecer este Bem.
      O Estado apenas deve ser o fornecedor/produtor de “bens públicos” ou de algo que a sociedade não possa fornecer, e mesmo neste caso logo que tenham sido criadas as condições para que a iniciativa privada possa estar em condições de a fornecer o Estado deve retirar-se. Veja que mesmo em países sociais-democratas de maior sucesso, têm menor peso do estado na economia.
      No caso do ensino o Estado devia então “cobrar” impostos para garantir a escolaridade e universalidade do ensino e depois atribuir a responsabilidade aos pais para escolher a escola que os seus filhos frequentariam.
      Da iniciativa privada em livre concorrência e da livre escolha dos pais, surgiria naturalmente um ensino de qualidade e de muito difícil influência doutrinária.
      Isto, já para não falar que a principal vocação do sistema, que subvertendo a sua real função, por acção da fenprof e o seu imenso poder de lobby junto do poder política, passou a ser a salvaguarda dos “infinitos” direitos dos professores, relegando para 2º ou 3º lugar os interesses dos alunos.

      2 – Sobre isto queria dizer que até nesta questão se nota o falhanço da escola pública. Dizem os defensores da escola pública que os alunos do público uma vez no superior tem um desempenho superior aos alunos oriundos da escola privada. E dizem isto sem se aperceberem que estão precisamente a demonstrar quão mau em relação ao privado o ensino público é.
      Esquecem-se de pensar, que os alunos inteligentes não precisam ou precisam muito pouco de professores, basta-lhes um mediano orientador que por si próprios fazem o seu caminho. A dificuldade está em ensinar os menos beneficiados pela “roleta genética”. Aí sim, o professor tem o papel central. Enquanto na escola pública estes são deixados para trás ( mais frequentemente, evidentemente que existem fantásticos professores também no público, porém com grandes probabilidades de se desmotivarem por razões que também agora não interessa aflorar), cumprindo apenas o tempo da escolaridade obrigatória, na privada um grande número destes são levados pelo bom e responsável ensino até ás Universidades, mas claro com desempenhos menos brilhantes que os “melhores” .No entanto por direito próprio e com redobrado esforço tem a oportunidade de concluírem estudos superiores.
      3 – Caro Ernesto também para mim,” socialistas e sociais democratas”, são neste e noutros aspectos, iguaizinhos.
      4 – A corrupção no modelo que idealizo teria a tendência a desaparecer, só existiria para os pais que não pensassem no futuro dos filhos.
      5 – Sabe porque, quanto a mim a sua observação
      “… que os sucessivos governos, não querem começar a mudar as mentalidades.”
      me assusta ?
      Porque esta frase indica-me que, o meu caro Ernesto, “acredita” na bondade do governo. Acredita que o governo possui a faculdade de saber qual a mentalidade boa que se deve incutir na mente das pessoas, daí estar á espera que o governo (que é bom, por inerência suponho eu ) faça o bem. Já pensou que o governo que é formado por pessoas, simples mortais ( não divindades ou deuses), pode não ser bom, pela simples razão que os pessoas que o constituem não são boas? Podem julgar-se até bons, julgarem-se portadoras das boas soluções para os governados, como acredito que todos os governos se julguem, mas realmente não serem. Poderão até ser maus , muito maus ?
      Uma escola diversificada e pluralista fora das “mãos” de governos, estará estatisticamente a salvo deste tipo de fenonemo.
      Caro Ernesto Ribeiro creia, que para mim também é um prazer trocar ideias consigo.
      Um abraço
      Rui Silva

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Caro Rui Silva:

        Se o Estado regulasse as actividades, estaria de acordo consigo.
        O problema é que o Estado regula-se … em vez de regular.

        Enquanto votante, acredito-me na bondade de quem eu voto, caso contrário, acredite que não votaria.
        Depois, penso que o governo tem a missão de gerir e, no caso do ensino público, deveria cumprir estas atribuições.

        De resto, as pessoas simples e mortais que constituem um governo (seja ele qual for) têm os mesmos atributos humanos que as entidades privadas, exactamente com as mesmas virtudes e as mesmas deficiências.
        Não vejo diferenças entre elas.
        O problema de fundo chama-se falta de regulação. Isto é aplicado a tudo que mexe: bancos, desporto, ensino, … e o problema de base é que ela não existe e por isso, os escândalos que se vão somando.
        E, no contexto do Ensino, temos o público a pagar ao privado quebrando, essa atitude, toda a lógica.
        De resto, repito-lhe e acredite-me, que nada tenho quanto ao privado, desde que este assuma as suas responsabilidades. Repare que faço o mesmo raciocínio quanto ao público.
        Quanto ao fazer política, não vou por aí. Nesse contexto, quanto a mim, são duas gotas de agua…

        Abraço para si.

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