A sina e a purga


Imagem: Jornal Sol

O Partido Socialista foi ontem protagonista de um triste espectáculo público que certamente embaraça muitos dos seus militantes e onde ficou clara uma propensão congénita, muito preocupante em democracia, para a arruaça e para a hipocrisia.

As declarações inadmissíveis do deputado Manuel dos Santos sobre uma militante socialista suscitaram o despertar violento do instinto de matilha, grosso e oportunista, cuja única motivação é política, de vingança sobre o militante prevaricador, que tem assumido posições discordantes com a actual direcção e apontou a gritante incoerência dos deputados do Porto no processo de candidatura de Portugal a sede da Agência Europeia do Medicamento – em segredo votaram por Lisboa e publicamente contestaram o “centralismo”.

A indignação tribal que Manuel dos Santos suscitou não radica em qualquer sentimento genuíno de ofensa pelas declarações que proferiu, antes resulta de um evidente oportunismo político, desmedida hipocrisia e uma arrogância que confirma as preocupações que muitos já manifestam com a aproximação do PS a uma maioria absoluta.

Os murais do feicebuque encheram-se de justiceiros e lapidadores exigindo a cabeça de Manuel dos Santos e até insignes dirigentes se renderam à pulsão caceteira e dissimulada, apontando ao seu inimigo interno o crime para que são cegos quando cometido pelos seus comparsas, que, em certos casos, ocupam cargos de alta responsabilidade na estrutura do partido e na vida pública.

De repente ergueu-se uma turba de amigos ancestrais e defensores indefectíveis da Boémia e da Feira de Custóias, faltando só saber quantos desses arautos da tolerância têm sapos verdes à janela.

Comments

  1. Que tristeza de comentário…

  2. Mário Reis says:

    Respigando a introdução de um texto mais abaixo com a qual concordo : “O PS é um partido político que foi perdendo a sua matriz ideológica. Sob a liderança de António Costa, a aliança à esquerda é meramente circunstancial e ditada por ser a única forma de ganhar o Governo, depois de perder as eleições. Para os que legitimamente discordem deste ponto de vista, recomendo a análise fina das votações da legislatura e a interpretação grossa dos sinais dos últimos dias (bloco central na TAP, flop na chefia das secretas, imprudente acolhimento de familiares de amigos e de interesses de amigos, prudente respeito pelos contratos firmados com os chineses da EDP mas oportuno desprezo pelos contratos firmados com os professores portugueses).” No caso presente o problema é o PS estar pejado de gente desta. Desqualificada e oportunista que fazem carreira e vida boa nos ombros de outros. Tenho opinião sobre ele como pessoa, mas não interessa. Como politico e dirigente do PS é um arranjista e energúmeno! Interpelei-o pessoalmente sobre vários assuntos e posições que o PS subscreveu cega e erradamente no Parlamento Europeu. Dele ouvi uma catalinária de insultos. Dos camaradas de partido presentes olhares e comentários acéfalos que me fizeram sentir sem sentido esperar algo desse PS. O PS há não tem matriz ideológica. Está onde onde aparenta estar muito por influência da geringonça.

  3. Bom texto. Mete clareza na interpretação das atitudes de alguns deputados que apregoam defender as populações dos respectivos círculos eleitorais mas depois agem de outra forma. M dos S usou um discurso correcto para assinalar essa atitude.
    Mas oh diabo: falou em “cigana” quando se referia a uma deputada.
    Claramente que a palavra tem um sentido metafórico no contexto da frase. Logo se levantam as “virgens” a pedir a expulsão de alguém que disse “o rei vai nú” no caso da decisão da AEM.
    Vive-se e convive-se mal com a cultura e a sabedoria e sobra em hipocrisia e incultura. O poder é uma coisa do caneco.
    Importa ler: http://portadaloja.blogspot.pt/

    Como bem assinala, alguns dos que pedem a expulsão de M.dos S., no escuro, têm atitudes discriminatórias para com os ciganos que vivem em Portugal.
    Confesso que não tenho nenhuma satisfação em tê-los por perto. Mas sempre que há necessidade de diálogo ajo com civilidade e respeito.

  4. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    A senhora deputada tem tanto de cigana como o Partido tem de socialista …
    Há lá tanta gentinha a purgar…
    O António Costa é como o Marcelo: quando a máscara cai…

  5. Rui Naldinho says:

    Vamos lá ser sinceros.
    O deputado Manuel dos Santos até tem razão. Mas podia ter dito as coisas de outra maneira. Podia ser menos “broeiro”!
    A política está cheia de paus mandados. De gente que pensa uma coisa, mas faz outra. De gente que não se ensaia em vender a alma ao Diabo, para ter uma benesse mais à frente.
    Isso é assim aqui e em todo o lado. Qual a novidade?
    O problema é que Manuel dos Santis está em final de carreira, dali já não espera mais nada. Acaba o mandato e vai para casa, tal como José Magalhães, que escreveu um livro a dizer das mordomias dos deputados, aquilo que “Dijsselbloem não disse dos países do Sul”.
    O mundo está cheio de gente boa, que ao entrar na política vira hipócrita, e no final, quando sai, numa atitude penitente, quer morrer como veio ao mundo. Sem pecados.
    Não fosse a política, a segunda mais velha profissão do mundo.

  6. JgMenos says:

    Os direitos das minorias pressupõem que se respeitem os seus valores culturais.
    Sendo a vigarice em negócios um factor distintivo na cultura cigana,
    espanta-me que os ‘branquelas’ se emocionem tanto que um tal atributo cultural seja invocado.

    • Mário Reis says:

      Oh escroque, queres medir vigarices? mede o rombo que os teus companheiros de vento causam todos os dias à la longue.

      • José Fontes says:

        O olharapo Menos esquece-se sempre dos correligionários de partido: a camarilha cavaquista.
        Duarte Lima; Dias Loureiro; Oliveira e Costa; Isaltino Morais; etc., etc., etc.

      • JgMenos says:

        la longue és como à la perto – um esquerdalhote!

  7. Pedro says:

    Quer dizer que só podemos dizer que o Manuel dos Santos é idiota, se apresentarmos primeiro nós um atestado de bom comportamento moral e cívico? Caramba.

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