Pedrógão Grande e a segurança interna


Aquilo que se passou, e está a passar, em Pedrógão Grande, é uma falha multidimensional no cumprimento de deveres fundamentais que cabem ao Estado. Uma das dimensões dessa falha, que até agora não parece ter merecido a atenção devida, pelo menos publicamente, é a da própria Segurança Interna. Não só no plano civil, mas também no plano militar.

A exposição das populações e do território ao tipo de risco que o incêndio de Pedrógão representa, e que neste caso se traduziu numa catástrofe humana, não é assunto do âmbito estrito da Administração, mas abrange a própria Segurança Interna e o serviço de informações, civis e militares, do Estado Português. Não é compreensível que uma fragilidade desta dimensão não seja conhecida desses serviços e que os mesmos não tenham alertado as hierarquias respectivas para a possibilidade de um acontecimento desta natureza, resultante da falência combinada dos sistemas de comunicação, de organização e de operacionalização dos meios de defesa e combate a uma ameaça repetidamente anunciada, expondo as populações e o território.

Comments

  1. Carlos Silva says:

    Apoiado e bem vindo quem vier por bem criticando com razão. estas tragédias são impensáveis e só uma grande incúria das autoridades se explicam

    • Paulo Marques says:

      Isso é o que o Carlos quer pensar, que as pessoas têm um motivo para morrerem. Não têm, morrem porque a roleta calhou-lhes a elas e amanhã são outras que ninguém estava à espera. Porque sim.

      • Carlos Silva says:

        Então acha que é o destino? tudo o que pensamos, lemos fazemos, até a marca de café que bebemos influencia as nossas decisões. De facto, se um responsável por estes serviços viver numa “redoma” de bem estar e mordomia tende a desvalorizar e esquecer o seu semelhante que é suposto defender. Há tanta coisa a “amolecer” nossa energia e vontade ( assim como o seu comentário) pois a si coube-lhe agora desempenhar o papel do cético Trump e é por isso é que gostam pouco pervertidamente deste jogo da roleta. Aliás nem sequer era preciso aparecer a trovoada, (ela é que está lá por acaso), bastaria alguém fazer uma ignição à beira da estrada ou uma simples faísca de escape quem sabe. Por isso se eu fosse dirigente da Proteção Civil haveria estado de emergência vermelho todos os dias, até ser demitido ou promovido. É uma questão de ética e responsabilidade.

  2. joão lopes says:

    segurança interna? qual? ainda não sabe que os policias devem ter ordens superiores para andarem na “caça á multa” no qual ,são muito eficientes(signifca dinheiro,receitas,etc) ,agora segurança interna? mais depressa sou multado,do que ajudado por um policia.

  3. doorstep says:

    “… a própria Segurança Interna e o serviço de informações, civis e militares, do Estado Português.”

    Curioso, este fascínio da viúva pelas secretas…

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s