Em defesa do São João do Porto


Milhares de pessoas encurraladas à espera de passagem para o Porto pelo tabuleiro superior da Ponte Luís I. Gaia, cerca das 1h30 da madrugada.

Aquilo que se passou ontem na cidade do Porto, na mais importante noite do ano, a noite de São João, ficará certamente a marcar a história recente da cidade e da sua relação com o Poder.

O espectáculo de variedades transmitido pela RTP a partir da cidade de Gaia, que durou até depois da meia-noite sem transmitir uma única imagem do São João nas ruas do Porto, foi uma instrumentalização política da festa popular e uma tentativa de apoucar a cidade, as suas gentes e os seus símbolos.

A RTP procurou, ao longo de várias horas de emissão a partir da Serra do Pilar, em Gaia,  com directos de uma inenarrável “marcha sanjoanina” a partir dos Açores, reescrever a história da festa que faz parte da alma da cidade Invicta, colocando-se ao serviço de interesses políticos pouco claros, numa obscura e caríssima acção de propaganda contra o Porto e a sua festa maior.

O São João é a Festa Popular do Porto que celebra a sua Alma. A Alma de gente que não pode permitir que poder algum apouque os seus símbolos e a sua identidade, como aconteceu ontem à noite. Curiosamente, a “resposta” do Porto a este ataque deixou os animadores da festa televisiva gaiense “pendurados” durante os 19 longos minutos de silêncio que se seguiram ao anúncio solene do início do tão esperado Fogo de Artifício. Foram 19 minutos de dignidade que a RTP engoliu e se apressou a justificar com “questões de segurança”, resposta muito conveniente e que preenche bem o maior e mais longo vazio que a televisão pública transmitiu nos últimos anos. Parabéns ao Porto e parabéns a Rui Moreira pela pronta e sábia resposta às “questões de segurança” surgidas no meio do Rio Douro.

Mas enquanto a RTP se ocupava a instrumentalizar politicamente a festa de São João, as pessoas vindas de Gaia, do outro lado do rio, eram enfiadas durante horas em verdadeiros currais, aos milhares, impedidas de se dirigir à cidade onde a verdadeira festa decorria. Só depois das 2h30 da madrugada puderam atravessar a ponte para se juntar à multidão que, no Porto, celebrava o Solstício de Verão.

Gaia, junto ao tabuleiro inferior da Ponte Luís I. Cerca das 2h30 da madrugada.

Comments

  1. ganda nóia says:

    já cá faltava o complexo de perseguição. é sempre tudo contra o porto. pergunto-me o que sentirão os verdadeiros parentes pobres do país, em pinhel, portalegre, castelo branco, bragança ou barrancos. ah, e embora seja a festa maior do porto, não é festa “propriedade do porto”, é festejada em todo o país, sendo inclusivé o verdadeiro santo de várias freguesias lisboetas.

  2. M. Torres da Silva says:

    Já cá faltava um “ganda nóia”.
    O que Bruno Santos escreve não tem a ver com o S. João de outros sítios. Tem a ver, sim, com a instrumentalização política a que se prestou a televisão pública, em favor de Gaia e de um local nos…Açores, em detrimento da cidade sua vizinha, o Porto, onde os festejos do S. João, desde que me conheço (sou natural da Póvoa de Varzim), sempre foram um “ex libris” da cidade.
    Tal como sucede, em Agosto, daqui por dois meses, em Viana do Castelo, com os festejos da Senhora da Agonia.
    Quando a televisão assume este triste papel, quando alguém se atreve a “encurralar” milhares de pessoas numa ponte pedonal, retaliando, alguém (muita gente) está mesmo doente.
    Que país este!

  3. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Mas alguém quer saber da RTP, e do que ela faz na noite de S. João? Toda a gente sabe que para a RTP (e a SIC e a TVI) só existe Lisboa. O resto é paisagem (a não ser que arada e morra gente – aí é vê-los a correr esbaforidos e a fazer directos em cima de directos sem assunto, a falar da cor dos pinheiros e eucaliptos quando ardem, ou do avião que caiu, mas afinal não caiu, mas devia ter caído, porque “uma fonte” garantiu que tinha caído, ou a perguntar às pessoas desesperadas: “como se sente?”…

  4. Luís says:

    “… as pessoas vindas de Gaia, do outro lado do rio, eram enfiadas durante horas em verdadeiros currais, aos milhares, impedidas de se dirigir à cidade onde a verdadeira festa decorria. Só depois das 2h30 da madrugada puderam atravessar a ponte para se juntar à multidão que, no Porto, celebrava o Solstício de Verão.”

    As pessoas que queriam entrar no Porto vindas de Gaia foram impedidas de o fazer até às 2h30 da madrugada, ficando nos “currais” até essa hora?
    Quem as impediu de entrar na cidade?
    Pode explicar melhor?

    • Bruno Santos says:

      A resposta está documentada nas fotografias, obtidas nos locais. Nessas imagens pode ver agentes da autoridade e grades de ferro impedindo o avanço das pessoas.

      • Luís says:

        Obrigado pela clarificação, mas compreenda que custa a acreditar na verdade expressa nas fotos!

        Ninguém previu que isto podia acontecer?
        As pessoas a serem tratadas como gado em redis?
        Onde está o respeito que os cidadãos merecem?
        A C. Social onde estava que não noticiou esta enormidade?
        Falhou algum SIRESP?
        Podem os portugueses serem tratados no seu próprio país como refugiados a tentarem entrar numa terra que lhes nega o acolhimento?
        Serei só eu e os “aventares” que se indignam?

  5. Nome Obrigatório says:

    mais uma para a lista de conspirações do Bruno Santos..

  6. Foi vergonhosa a gestão da passagem da ponte D. Luis sobretudo de Porto para Gaia (tabuleiro superior) . 2 horas para passar a Ponte!!!!

  7. Antonio lourenco says:

    Manipulacao politica da geringonca. Lol isto esta a ficar lindo que palhacads de blog

  8. Afonso Noronha says:

    Não há paciência para este blogger… A própria Câmara do Porto emitiu um comunicado a informar que foi a Polícia Marítima que atrasou o fogo porque entraram embarcações no perímetro de segurança… Quanto à gestão da circulação na ponte, claramente também responsabilidade das Câmaras! Quando não se tem nada para dizer/escrever…

  9. Pedro says:

    Cheira-me a fake news.

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