Somos inimputáveis


A estratégia adoptada pelo governo, pelo Presidente da República e por todos os partidos com representação parlamentar, sem excepção, na gestão política da tragédia de Pedrógão Grande, é a da afirmação da suprema inimputabilidade do poder.

Foi perceptível, no próprio dia dos acontecimentos, que o Estado tinha falhado o seu dever de protecção dos cidadãos e do território. Foi igualmente claro que esse fracasso não resultava de um episódio agudo, fortuito e extraordinário, mas de uma condição degenerativa e crónica do poder público e das suas estruturas fundamentais.

Ê claro que essa degeneração não começou ontem, nem teve início com este governo. Ela é um processo gradual de captura e diluição do interesse comum pelas redes dos interesses económicos privados. É o roubo quotidiano da soberania e dos instrumentos que a podem garantir.

Se uma tragédia desta magnitude não leva os responsáveis públicos nela implicados a um acto de brio cívico e dignidade política, nada levará. É essa a mensagem que o poder político quis fazer entendida pelo povo que ainda se ocupa em procurar entender: somos inimputáveis.

Comments

  1. Excelente, Bruno!

  2. José Peralta says:

    Bruno Santos

    “Se uma tragédia desta magnitude não leva os responsáveis públicos nela implicados a um acto de brio cívico e dignidade política, nada levará”.

    Concordo consigo na generalidade, mas…com respeito a “brio cívico e dignidade política”…enquanto no centro do País, a admirável e activa solidariedade nacional e internacional faz renascer a esperança, OS ABUTRES COELHO E MONTENEGRO, essas degenerescências da Democracia, falam em “baratas tontas” e banqueteiam-se com a tragédia !

    E porque responsáveis públicos nela implicados, mesmo na oposição, há canalhas que nunca deixam de ser…canalhas !

  3. Paulo Marques says:

    “Foi perceptível, no próprio dia dos acontecimentos, que o Estado tinha falhado o seu dever de protecção dos cidadãos e do território.”

    Um especialista de incêndios em cada esquina, isto é que um país preparado.

  4. Não é preciso ser especialista em nada para saber que não se pode indicar uma estrada cheia de fumo com fogo a atravessar!
    Que diacho, deixemo-nos de preferências partidárias e pugnemos, juntos, por uma mais eficaz protecção dos cidadãos!

  5. JgMenos says:

    Para além do Director-Geral da Saúde, alguém conhece no Estado algum Director- Geral que pareça de facto tomar conta do que geralmente lhe competiria?

    É só boiada!

Trackbacks

  1. […] Este governo de direita apoiado por uma esquerda que tem medo de outro governo de uma direita ainda pior mantém e reforça uma série de factos consumados. A municipalização da educação é uma agressão entre muitas outras que já vêm, no mínimo, do tempo de José Sócrates, tudo muito bem reforçado por Passos Coelho e más companhias. Não será uma tragédia comparável à de Pedrógão Grande, mas é mais uma prova de que somos inimputáveis. […]

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