Nota sobre as Caves de Vinho do Porto


Caves do Vinho do Porto/”World of Wine”. Imagem tornada pública pelos promotores do projecto.

Numa mensagem que me dirigiu através da caixa de comentários do Aventar, o Sr. Adrian Bridge, responsável da empresa The Fladgate Partnership, promotora do projecto imobiliário previsto para as Caves de Vinho do Porto, informa que uma das imagens que ilustra os vários textos que aqui publiquei sobre o assunto foi erradamente apresentada, pelo Município de Vila Nova de Gaia, como correspondendo ao projecto aprovado para o local.

Solicita, assim, o Sr. Adrian Bridge, que, “a fim de informar devidamente os meus leitores”, eu proceda à substituição da referida imagem em todos os textos que ela ilustra, por uma outra que classifica como “mais correcta e actual”, representando “uma versão mais próxima do projecto aprovado pela Câmara Municipal”. Dessa imagem “mais correcta e actual” fornece a respectiva ligação electrónica, direccionada para um artigo do jornal PÚBLICO que contém várias imagens.

Acrescenta o Sr. Adrian Bridge que o projecto imobiliário previsto para o coração do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia foi objecto de “um longo e meticuloso trabalho de preparação e discussão” com a Câmara Municipal de Gaia, a Gaiurb (Empresa Municipal) e a Direcção Regional de Cultura do Norte, e que ninguém como ele próprio está interessado na preservação e dinamização do património constituído pelas Caves de Vinho do Porto.

Esta nota do Sr. Adrian Bridge que, como não poderia deixar de ser, suscitou toda a minha atenção, merece-me três comentários:

  • O Sr. Adrian Bridge confirma que a imagem em causa foi divulgada pelo Município de Vila Nova de Gaia e apresentada como antevisão (Estudo Prévio) do projecto aprovado para o local, conforme, aliás, eu próprio tinha informado.
  • Confirma igualmente que a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia “aprovou” uma intervenção urbanística no coração do Centro Histórico de Gaia, que se prepara para “licenciar em dois meses”, sem a submeter previamente ao necessário conhecimento público e muito menos à discussão ampla e plural a que uma transformação desta magnitude deveria obrigar, limitando-se a uma “exposição” discreta de desenhos nas instalações da Gaiurb, Empresa Municipal, e à divulgação, através de uma página de feicebuque, da imagem em causa e de um artigo de jornal.
  • Jorge Luís Borges escreveu: “Um Homem propõe-se a tarefa de desenhar o mundo. Ao longo dos anos povoa um espaço com imagens de províncias, de reinos, de montanhas, de baías, de naves, de ilhas, de peixes, de casas, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas. Pouco antes de morrer descobre que esse paciente labirinto de linhas traça a imagem do seu rosto”.

As Caves de Vinho do Porto e o Centro Histórico de Gaia são parte do “rosto” de Portugal. Não duvidando do respeito que o Sr. Adrian Bridge nutre por esse rosto, que também é o seu, nada do que a ele concerne é alheio a todos os portugueses, aos quais cabe o dever de não permitir a sua desfiguração.

– Ligação electrónica para os artigos da minha autoria já contendo, desde o momento inicial da sua publicação, a ligação electrónica sugerida pelo Sr. Adrian Bridge:

8/06/2017
O fim das Caves de Vinho do Porto
Ligação do Artigo para as imagens referidas pelo Sr. Adrian Bridge:
https://www.publico.pt/2017/06/08/local/noticia/velhos-armazens-do-vinho-do-porto-transformamse-no-mundo-do-vinho-1775094

13/06/2017
100 Milhões para destruir as Caves de Vinho do Porto
Ligação do Artigo para as imagens referidas pelo Sr. Adrian Bridge:
https://www.dinheirovivo.pt/empresas/galeria/world-of-wine-taylors-investe-100-milhoes-na-zona-historica-de-gaia/

15/06/2017
Caves de Vinho do Porto: Gaia quer destruir património que antes quis classificar na UNESCO
Ligação do Artigo para as imagens referidas pelo Sr. Adrian Bridge:
https://www.publico.pt/2017/06/08/local/noticia/velhos-armazens-do-vinho-do-porto-transformamse-no-mundo-do-vinho-1775094

Ligação electrónica para o comentário do Sr. Adrian Bridge:
https://aventar.eu/2017/07/16/a-disneylandia-do-vinho/#comment-225794

Ligação electrónica para as imagens referidas pelo Sr. Adrian Bridge:
https://www.publico.pt/2017/06/08/local/noticia/velhos-armazens-do-vinho-do-porto-transformamse-no-mundo-do-vinho-1775094#&gid=1&pid=2

Comments

  1. Mário Reis says:

    Habituei-me a não passar cheques em branco a ninguém, menos ainda a facilitadores de poder (fdp) que se revelam de uma ignorância e irresponsabilidade chocantes e a quem se arroga de “investidor” . Defendo, em contraste com a orgia mental dos conceitos absolutos da produtividade e da rentabilidade, uma perspetiva de reabilitação urbana baseada em estratégias de conservação e de preservação cultural como um todo. O Porto e Gaia sem as suas gentes e história compromete o futuro e o valor da urbe como património mundial. Vai traficar-se o Porto, como se trafica “vinho do Porto” made in RPC ou da Califórnia. Ficará igual a tantos outros sítios como tem vindo crescentemente a constatar-se. Os fdp importam-se? Não o tem demonstrado, fossem Vitores ou Ruis.
    Acontece ao tecido urbano, o que acontece à floresta. Foi-se instalando silencia e consentidamente. Foi-se abandonando e degradando, para dar lugar e/ou forçar um ciclo do abandono. Fundos de origem duvidosa, vão recebendo subsídios, facilitismos (recusados a anteriores proprietários) e isenções multimilionárias para “investir”. Capturam o património natural e histórico, assim como o espaço público. Interditam-no e/ou trocam o seu usufruto por “money by money control”.
    Os problemas da cidade andam interrelacionados. A demissão do Estado (de todos os sucessivos governos) que aceita a degradação das coisas como “leis naturais”. Nunca enfrentou o abandono, estabeleceu estratégias de conservação da urbe e de preservação cultural da cidade. Ajudou a destruir as periferias investindo milhares de milhões de euros. Não discutiu como incentivar o investimento dos proprietários e garantir-lhes razoável rendimento. Não lhes disponibilizou verbas ou incentivos fiscais como está agora a conceder aos grandes fundos privados (um dia ainda se vai escrever muito sobre a origem (armas, droga e refugiados) de grande parte do dinheiro que flui para os “grandes investimentos”. Viva a lavandaria que funciona a todo o vapor.
    O sr Bridge conta com a irresponsabilidade para fazer acontecer um projeto que deveria ser ampla e com tempo debatido envolvendo as populações, a universidade e a comunidade cultural, e todo o tipo de interessados. Mas como os fdp sonham apenas com o que entendem ter efeito imediato na mente das pessoas levando-as a dar-lhes o poder pelo menos durante três mandatos, não pensam, escondem, e dão mesmo ordens para ignorar conflitos presentes e futuros. Investidores como sr. Bridge agradecem pois, “estão no país, não para fazer politica mas para fazer negócios”.

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