Plágios


Imagem: movenotícias

Existem dezenas de canções que alcançaram grande fama e sucesso, interpretadas por cantores de muito talento, que são, à luz da acusação que agora recai sobre Tony Carreira, plágios.

Noutro nível, em todas as artes e em todas as ciências humanas há plágios evidentes que só alguns, com “olho clínico”, conseguem identificar, pois copiam códigos mais subtis e profundos da obra matriz inspiradora.

Um dos grandes plagiadores da História universal foi, como é sabido, Platão. Mas há muitos outros, bem mais recentes e menos dados a pensamentos cavernosos. Diz-se, (…mas nada que tu digas acredito – Soneto já antigo), que as Universidades têm um acervo de teses de doutoramento fraudulentas que daria para fazer trinta e três Bibliotecas de Alexandria.

A música Pimba é uma criação de interesse estético e etnográfico não negligenciável e, não podendo ser considerada facilmente como uma Arte – pelo menos é difícil demonstrá-lo -, não deixa de se servir de algumas das suas técnicas encantatórias fundamentais, entre as quais se encontram o Ritmo e a Simetria, entendidos no seu sentido antigo, aceite e verdadeiro.

Tony Carreira fez do Pimba uma indústria e até uma dinastia. No fundo, fez na música o que José Rodrigues dos Santos fez na literatura. Elevou-o a um patamar improvável, sendo idolatrado por centenas de milhares de seguidores, principalmente mulheres de classes sociais que não costumam frequentar a Gulbenkian ou o São Carlos, mas com as quais esta acusação é injusta, discriminatória e até um pouco cruel.

O artista provará, certamente, a sua inocência, sem o que ter-se-ia que exumar o cadáver de Alberto Einstein e perguntar-lhe o que fez ele, antes de se relativizar, num instituto de patentes suíço.

 

Adenda (14/09/17_14H10)

O artista Tony Carreira fez saber, há poucos dias, que apoia a candidatura de Fernando Medina à Câmara Municipal de Lisboa, fazendo parte da sua Comissão de Honra. Mera coincidência, evidentemente.

 

Comments

  1. Neste post nem se considera o papel que cabe à justiça, não há o benefício da dúvida pró-réu, há logo à partida e antes de qualquer julgamento em tribunal a certeza que o “artista” provará certamente a sua inocência.
    Os preconceitos também podem se apresentar deste modo e também assumir uma verdade que se deseja… sem necessidade de prova.
    Claro que quem assim escreve também pode acusar à partida inocentes antes da decisão em tribunal é que o preconceito não precisa de prova, assume-se à partida.

    • Bruno Santos says:

      Caro leitor, é uma subida honra ter a comentar este inocente texto alguém do arquipélago dos Açores, um dos mais belos lugares do mundo. A honra sobe mais quando usa um servidor do Governo Regional. Peço-lhe apenas que fique atento aos limites do intervalo para almoço, não vá expor-se a um processo disciplinar onde, como sabe, o in dubio pro reo não costuma ter grande acolhimento jurisprudencial. Cumprimentos.

      • Ameaça?

        • Bruno Santos says:

          De modo algum, caro leitor! Estou apenas a chamar a sua atenção para os cuidados a ter na utilização de equipamentos públicos, designadamente do Governo Regional dos Açores, para mandar “recados” a cidadãos da República que estão uso de direitos constitucionais. Se preferir posso usar os meios institucionais para prosseguir este diálogo, uma vez que aí será possível verificar, com acuidade judicial, quem está a ameaçar quem. Não sei se me faço entender. Cumprimentos.

        • Bruno Santos says:

          Caro leitor, agradeço que confirme, no sentido de evitar qualquer erro de identificação, que está a publicar os seus comentários a partir de um departamento da Direcção Regional do Ambiente nos Açores. Obrigado.

  2. Rui Naldinho says:

    O que há mais em Portugal são plágios.
    Há cerca de 75.000 licenciados em Portugal, segundo o PORDATA.
    Até nem é muito, diga-se! Vão ver os números do Japão. Desses, uma boa parte já alcançou o tão almejado, Mestrado.
    Dos que alcançaram o Mestrado, foram cerca de 30. 000, há pelo menos 3. 000 doutorandos ou doutorados.
    Pergunto aos sabidolas deste Blogue:
    Acham que as dissertações de Tese e os trabalhos de investigação, são todos originais?
    Acham que a Investigação em Portugal consegue colocar uma diferenciação tão perfeita de temas científicos, ao ponto de cada um deles, não se cruzar obrigatoriamente com outros.
    Isto serve também para o resto, música incluído.
    Bruno, vou fazer de Ágata:

    Podes ficar com as jóias, o carro e a casa
    Mas não fiques com ele.
    E até as contas do banco, e a casa de campo,
    Mas não fiques com ele.
    Podes ficar com o resto e dizer que eu não presto,
    Mas não fiques com ele.
    Tira-me tudo na vida, e o mais que consigas,
    Mas não fiques com ele.

    Letra de Paulo Portas

  3. José Peralta says:

    “O artista provará, certamente, a sua inocência, sem o que ter-se-ia que exumar o cadáver de Alberto Einstein e perguntar-lhe o que fez ele, antes de se relativizar, num instituto de patentes suíço”.

    Na minha modesta opinião, e embora não aprecie o género de música que faz, o artista, é um excelente e cuidadoso profissional, tanto na produção e promoção dos seus espectáculos, como nos excelentes músicos de que se rodeia !

    Mas a evidência de plágios já tornados públicos, pela transmissão radiofónica de algumas das suas interpretações, comparadas ao momento, com os alegados plágios, tornam estes tão evidentes, sobretudo na Música, que me parece difícil a prova de que eles não existem…

  4. joão lopes says:

    grande,grande ideia,Bruno Santos,é enfiar o Tony na gulbenkian ou no são carlos(já que ele se queixa de não ser reconhecido),e convidar os musicos,que tocam nesses locais a fazerem uma tour em Portugal,incluindo os vilarejos mais abandonados no interior.Por mim,ainda noutro dia vi/ouvi um excelente concerto de musica classica em…Marvão.

  5. Chi, o nosso ministério público preocupa-se com cada coisa. Espero que tenham sido os autores a reclamar, pelo que aprendi de propriedade industrial são eles que têm de se reclamar. Se foi o ministério público, francamente, estes juristas de Coimbra não tem nada que fazer, ou acham que teêm pouco trabalho e já apanharam todos os corruptos do PS e os Jacinto Leite Capelo Rego e Pedro Passos Dias Aguiar Mota que abundam na Tugalândia. E ainda vão fazer greve, porque coitadinhos querem meter no pote. Que desprezo….

    • joão lopes says:

      foi a CNM a apresentar queixa crime,isto é ,o Nuno Rodrigues,e se ainda tenho direito a opinião,a Banda do Casaco criava mais musica num dedo,que o tony no corpo todo…

      • Bruno Santos says:

        A sua opinião é sempre bem-vinda.

        • joão lopes says:

          ok,o jay z samplou o quarteto 1111 e…pagou.a historia dos plagios no hip hop é antiga,mas agora até pagam,sim senhor.por outro lado,em Portugal uma cantora como a Né ladeiras passa a vida a ser desconvidada de todo o lado,mas quanto canta,é apelidada de genial para cima.conclusão:gostava de ter a possibidade de escolha,e não esta ditadura do pimba.

  6. Ferpin says:

    É o Tony carreira que plagia.
    Depois o nedina que compra casa.
    Depois a Tony carreira que compra casa.
    Depois o medina que plagia.
    Depois o Tony e o medina compram casa ainda maior juntos.
    Depois Tony e medina plagiam cartazes de campanha.

    E estamos nas eleições.
    A PAF e seus pasquins pode andar o cheque lá a casa, que lhes dei um monte boas ideias.

    • Ferpin says:

      É o Tony carreira que plagia.
      Depois o nedina que compra casa.
      Depois a Tony carreira que compra casa.
      Depois o medina que plagia.
      Depois o Tony e o medina compram casa ainda maior juntos.
      Depois Tony e medina plagiam cartazes de campanha.

      E estamos nas eleições.
      A PAF e seus pasquins pode andar o cheque lá a casa, que lhes dei um monte boas ideias.

      Perdoem a piada, mas este assunto dos plágios do Tony naobé novidade. Há uns anos surgiu a noticia que ele tinha adaptado uma canção holandesa e declarado ser o autor. Depois informou que tinha feito isso em acordo com o autor. Ou seja eu gravo um disco com uma canção “candeia ao vento” mera adaptação, pago ao elton John para poder escrever no disco que a canção é da minga autoria. Isto faz algum sentido? Para mim não, uma coisa é ser autorizado a adaptar, outra é ser autorizado a dizer que sou o autor duma coisa que toda a gente sabe que não sou.

      • Fernando Manuel Rodrigues says:

        Caso não saiba, há muitos “famosos” que fazem isso. Conheci um autor que escrevia por encomenda para a Madonna. Ele fazia as canções, era pago, e a Madonna ficava com o trabalho, e se decidisse publicar fazia-o como autora (o contrato dava-lhe esse direito).

        Pelos vistos, e pelo que me foi dito, é comum.

  7. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Mas se quiserem divertir-se com história de plágios, oiçam a canção Happy Xmas (War is Over) de John Lennon, e depois oiçam a canção Stewball (de que é autor (cantada, entre outros, por Peter, Paul and Mary e por Joan Baez.


    Que eu saiba, o John Lennon nunca foi acusado de plágio, e a canção continua a ser-lhe atribuída.

    E depois temos o caso escandaloso da música Bitter Sweet Symphony dos The Verve, que acabou atribuída a Mick Jagger e Keith Richards com base numa “technicality” (usaram de forma considerada excessiva – não protegiada pelo contrato de licenciamento – um “sample” da versão orquestral de uma canção dos Stones, e o autor da orquestração processou-os e ganhou.

  8. ZE LOPES says:

    Não é por nada mas, olhando bem a foto, a torre Eiffel parece de plástico…

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