Divisão no PS Gaia


Há mais de um ano atrás houve quem tivesse percebido que a Medalha Municipal que o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia e líder do PS/Gaia entregou ao vice-presidente do PSD, Marco António Costa, não era um simples gesto bizarro, destituído de significado político. Pelo contrário, era, para quem tivesse os olhos abertos, o sinal de que a estratégia política do Partido Socialista para a terceira maior cidade do país passava pelo “Bloco Central de interesses” e que estávamos perante a reabilitação simbólica daqueles que foram acusados, pela generalidade da “Esquerda”, de levar este país ao chão e de o arrastar por um processo de destruição social sem precedentes.

Parece haver, agora, dentro do PS/Gaia, quem tenha descoberto esse truque, essa verdadeira traição aos valores proclamados pelo Partido Socialista, e se afaste dessa estratégia, criticando os dirigentes concelhios que a impuseram.

Escreve Agostinho Lisboa, um dos mais notáveis militantes socialistas de Vila Nova de Gaia, que recusou participar das listas do PS à próximas Autárquicas, porque:

“a minha não participação tem por base a mesma razão que sustenta a recusa de outros 3 membros do atual executivo e de muitos outros militantes do PS de Vilar do Paraíso: discórdia com a estratégia eleitoral do PS/Gaia de incluir nas suas listas alguns daqueles dirigentes ou independentes do PSD que em 2013 ajudámos a derrotar. Quatro anos depois não posso estar a fazer de conta de que o passado não tem futuro; de que a gestão ruinosa do passado, tantas vezes denunciada, afinal não era importante, porque os seus autores e co-autores até merecem ser candidatos elegíveis pelo PS. Poderão muitos entender que isso não interessa nada, porque o que é importante é que o PS continue no poder e a governar a câmara e a junta. Não é o que penso, nem de longe, nem de perto. Nunca votei, ameacei ou equacionei votar na direita (PSD/CDS). Lamento, mas nunca votarei, nem mesmo quando ela se trasveste nas listas do PS.”

Agostinho Lisboa tem razão, e nunca é tarde para a ter. Na verdade, não são só os jogos de futebol ao Domingo que fazem aumentar os níveis já elevadíssimos de abstenção. São os jogos políticos de bastidores, jogados nas costas dos cidadãos e dos militantes, traindo os seus valores e princípios políticos, com o fim único de dividir para reinar. O que aumenta a abstenção é o descrédito absoluto em que caiu uma grande parte da classe política, que confunde o interesse colectivo com o seu próprio interesse pessoal e vai minando esta imitação de democracia em que vivemos.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Excelente, Bruno.
    A coerência deve ser a maior das virtudes de um tribuno, seja ele político ou militar.
    Pena é que isso ande há décadas arredado da vida pública.
    Mas é o que temos!

    * Você tem dias, em que é arrasador!

  2. Ana A. says:

    É por isso que, para quem não é militante, é sempre um risco votar no PS! Nunca sabemos se nas próximas legislativas, caso seja necessário um “entendimento”, ele faça uma guinada à direita.

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