Custe o que custar


Nuno Delerue com Eduardo Vítor Rodrigues, na assinatura do acordo de aliança para a Câmara de Gaia (Ano de 2013).

Presidente da Comissão Política do movimento que elegeu, em 2013, José Guilherme Aguiar como vereador da Câmara de Gaia, seria Nuno Delerue quem viria a assinar, ainda nesse ano, o acordo de aliança política com o PS/Gaia, acordo esse que permitiria a Eduardo Vítor Rodrigues liderar os destinos da autarquia com uma maioria absoluta não conquistada em eleições.

Agora, Nuno Delerue, antigo vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, que integrou a comissão de honra da candidatura de Pedro Santana Lopes à liderança do partido, regressa “por dentro”, depois de três dos seus companheiros terem sido incluídos na lista do Partido Socialista à Câmara de Gaia: Guilherme Aguiar, Valentim Miranda e Elísio Pinto.

Esta estratégia do Partido Socialista para a terceira Câmara do país está em contra-ciclo com a solução encontrada ao nível do parlamento nacional, onde o PS se aliou, e bem, aos partidos da sua “esquerda” para constituir a chamada Geringonça, buscando, ao nível da governação, soluções que permitissem, na medida do possível, reverter as políticas gravosas que durante a anterior legislatura o governo PSD/CDS tinha levado a cabo.

Esta insanável contradição do PS/Gaia e do seu líder, Eduardo Vítor Rodrigues, coloca o eleitorado socialista perante um sério problema de coerência e de confiança. Como é possível ao PS prosseguir um discurso que culpa o PSD pelos danos causados por quatro anos de austeridade selvagem, com consequências económicas, sociais e humanas desastrosas, enquanto, simultaneamente, internaliza nas suas listas alguns dos mais importantes militantes do mesmo PSD que critica? Como pode o eleitorado socialista confiar numa direcção partidária concelhia que acolhe agora aqueles que antes atacou, que se junta ao adversário de outrora, ignorando as suas responsabilidades na crise social profunda em que o país, e o concelho de Gaia em particular, se viu mergulhado? Não pode.

Nenhum militante ou simpatizante do Partido Socialista com memória e para quem existam, de facto, diferenças ideológicas marcantes entre o PS e o PSD, pode agora fingir que nada se passou, que não houve destruição criativa, que não houve empobrecimento premeditado e exponencial perda de rendimentos, emigração, falência dos serviços públicos, destruição da Escola Pública, do Serviço Nacional de Saúde, do sistema de Segurança Social, um aumento brutal de impostos e tudo aquilo que ao longo de mais de quatro anos tornou Portugal num pesadelo para milhões dos seus cidadãos. Mas é isso que o PS/Gaia e Eduardo Vítor Rodrigues estão a pedir aos militantes do PS: finjam que nada disso existiu, porque o que nós queremos é o poder. Custe o que custar.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Caro Bruno Santos.
    Aconselho vivamente a escuta de uma música dos Triunvirat, um grupo alemão dos anos 80 de qualidade média, mas que tinha uma música adaptada ao grupo constituído pelo Sr. Eduardo Vitor Rodrigues, José Sócrates, Francisco Assis e aos Soares deste mundo e do outro.
    Chama-se a música “Old loves die hard”.
    Não é pela música. É pela “Santa Aliança”.
    Acha que vale a pena continuar a dar para este peditório?
    O PS anda há 40 anos a fazer alianças com o CDS, com o PSD – e chegou, pasme-se, a um acordo com o BE e a CDU – porque o objectivo de qualquer elemento do PS é o poder, como aliás, muito bem diz na sua crónica.
    O PS dorme com quem lhe der poder e, depois das “lições de concubinato” com que nos têm brindado, ainda nos manifestamos admirados e/ou indignados?
    Ora ora. Saia-se uma próxima medalha para o Sr. Delarue

    • Bruno Santos says:

      Como se diz na América, “you made my day”. Obrigado

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Mas acredite que admiro a sua persistência.
        E provavelmente estará mais correcto que eu que me sinto perfeitamente desenganado com a qualidade destes tenebrosos políticos.
        Os de hoje têm laivos de outra cepa. Mas enquanto olhar para os sucessivos desfalques feitos por bandidos de colarinho altos, impunes e esta gente toda da classe política a assobiar para o lado a falar de “crise”, perco a vontade por ser uma luta desequilibrada onde a justiça se pôs ao lado dos que a matam.
        Então, se pudesse, metia-os a todos num grande saco a que juntava umas áspides para que eles se não sentissem sozinhos… Mas ainda assim era capaz de dizer …”Pobres áspides”.

  2. Jorge magalhaes says:

    E eu, que bem que levei no “bolso” por causa destes pseudo “amigos”… já sabia destes acordos e futuras promessas… pena, sò faltarem á palavra para comigo ! Amigo fui eu, na verdade …

  3. Avelino Coelho Freitas Coelho Lino says:

    Muito gostava que,o candidato do BE ao Municipio do Porto, viesse a comentar as opções do Eduardo Rodrigues. Era o João Teixeira Lopes,que levava o Eduardo Rodrigues às iniciativa de verão do BE, com grandes elogios. Aliás, são colegas na mesma faculdade.

    • Bruno Santos says:

      Talvez até tenha sido o mesmo J.T. Lopes quem lhe apresentou Elísio Estanque, um interessante articulista.

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