Ainda as refeições escolares


Reiterando a concordância com a posição assumida publicamente pela deputada Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, sobre a necessidade de regresso das cantinas escolares à esfera de responsabilidade do Estado, designadamente através da contratação directa de profissionais de cozinha que confeccionem as refeições nas próprias escolas e sejam responsáveis pela aquisição dos bens alimentares, não deve, porém, deixar-se de relevar o seguinte:

A deputada Catarina Martins proferiu estas declarações em contexto de visita a uma escola do concelho de Vila Nova de Gaia, município à presidência do qual o Bloco de Esquerda apresentou candidato nas últimas eleições autárquicas. Fosse por esquecimento, ou por falta de oportunidade, nenhuma referência foi feita pelo Bloco de Esquerda, durante a campanha eleitoral, ao contrato para fornecimento de refeições escolares, no valor modestíssimo superior a 12 milhões de euros, que este executivo municipal assinou no ano de 2015, com a Câmara na falência e preparada para um saneamento financeiro que viria a concretizar-se cerca de um ano depois. Estes mais de 12 milhões de euros em refeições para as escolas de Gaia representam, só por si, cerca de um terço do valor total daquele saneamento financeiro. A deputada Catarina Martins não acha estranho?

Se tiver tempo, leia o contrato.

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Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Esta miserável classe política continua a pegar nos problemas de uma forma que desresponsabiliza por completo o criminoso.
    O caso das refeições escolares em nada é diferente do escândalo dos bancos que nos deixaram a pedir, a par de uma cambada de irresponsáveis políticos e autarcas que depredaram dinheiros públicos de uma forma criminosa e que se não pede o retorno. É igual aos paraísos fiscais que continuamos a fazer de conta que não existem, tal como quem os usa, faz-se de conta que não é terráqueo, mas um qualquer extraterrestre…
    O problema é que a nossa sociedade civil e política está cheia de extraterrestres intocáveis. Por isso esta miserável classe polítca usa e abusa do “politicamente correcto”, da direita, à extrema direita, da esquerda à pseudo esquerda portuguesa, onde se passa o tempo a acenar grandes parangonas, que constituem crimes e roubos de igreja e se ficam pelo retorno ao Estado da responsabilidade.
    Ninguém toca nos extraterrestres que a cargo de uma qualquer parceria público privada, nos andam a depredar financeiramente. Tal como ninguém toca nos miseráveis políticos que as assinaram e que são cúmplices desta tramóia.
    Passam o tempo a denunciar, como autênticos putos chorões, não executando a sua responsabilidade que é exigir a entrada do Ministério Público para investigar os dois lados das parcerias. Ficam pela rama, porque ir fundo, pode dar-lhes chatices…
    Ou será que estão todos metidos nesta embrulhada e lhes falta a moral para apontar o dedo?
    Mas digam-me lá caros politicozitos de meia tijela, o que se faz aos vigaristas que assumiram verdadeiros crimes de peculato onde o Estado não está livre de responsabilidades?
    Lixivia-se e faz-se de conta que nunca existiram contratos milionários que davam arroz e batatas aos alunos, cobrando carne de primeira e lagosta?
    Estou farto desta miserável classe política.

    • Rui Naldinho says:

      Com a excepção da “lagosta”, uma força de expressão, digamos, assino tudo o que diz.
      Só quem não conhece os contratos públicos de prestação de serviços ou fornecimentos ao Estado, pode acreditar que não há tramóia nestas coisas todas.
      E isto não se passa só nas refeições escolares. Passa-se nas empresas de limpeza e manutenção, nas empresas de segurança, e outras tantas.
      Os Cadernos de Encargos exigem coisas, que pelo preço da adjudicação, jamais será possível cumprir, conforme o estipulado. Qual é a aposta? Nas falhas da fiscalização, como é óbvio.
      Fui chefe dos serviços logística no sector Estado. Tive imensas dificuldades, incluindo choques verbais violentos com as Direções, por exigir o cumprimento dos contratos ao milímetro. Até porque estavam a prejudicar quem cumpria a lei, e daí levarem um preço superior.
      Pediram-me para assinar relatórios de qualidade, e avalizar facturas de prestação de serviços, ou fornecimentos, que não estavam conforme o contrato, ou não tinham sido pura e simplesmente realizados. Como me negava a avalizados, era pressionado pelos superiores hierárquicos. Ao fim de uns anos acabei por pedir a exoneração das funções.
      Não vou afirmar que os superiores fossem desonestos. Recuso-me a acreditar nisso. Mas de certeza que não queriam chatices. Preferiam o “roulement”, sem colocar em causa o “status quo”, que já vinha do antecedente.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Uma interessantíssima experiência, a sua e que confirma que de facto, o que a classe política não quer é chatices embora quanto à honestidade tenha dúvidas. A sua, foi pedir a exoneração. A deles é fazer de conta e vir chamar os bombeiros quando o fogo já rolaç
        A lagosta é, de facto, uma força de expressão, mas pretende apenas chamar a atenção par a diferença entre o que o Caderno de Encargos estabelecerá e o que se vê distribuído aos alunos como alimentação e que consiste, de acordo com o que aparece escrito, em verdadeiros atentados à saúde da crianças.

        • Rui Naldinho says:

          Para além do prejuízo de crianças e das pessoas idosas, sejam escolas, sejam lares, eu estava na área dos Lares da Terceira Idade, mas também participei na Associação de País da Escola Pública onde o meu filho estudou, o mais grave era a distorção do mercado. Quem era honesto ficava logo de fora.
          Você é uma pessoa séria, e a sua empresa concorre na boa fé a um destes concursos, apresentando um preço que corresponde as suas despesas totais (encargos fiscais, mão de obra, géneros, confecção, acrescido de um lucro) normal, face ao investimento feito. Vem uma empresa, normalmente de “patos bravos”, oferecer 20% abaixo desse preço.
          Das duas uma. Ou o mercado está controlado por uma máfia, e aí entra o Ministério Publico, ou alguém quer enganar o Estado, e vende gato por lebre.
          Já houve tempos, em que o Estado tinha uma regra para eliminar estas excrescências. Que era a ponderação do preço médio de todos os concorrentes, entregando-se ao primeiro valor logo abaixo dessa média, desde que a empresa cumprisse todos os requisitos legais.
          Só que hoje é o salve-se quem puder.

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            O Rui Naldinho fala do que sabe, o que é uma vantagem acrescida no campo dos comentários.
            No ramo automóvel, onde me insiro, há algo de semelhante, embora o “pato bravo” acabe por aterrar de cabeça e não torne a concorrer por falta de credibilidade.
            Pois eu acho que há mesmo uma mafia no mercado que, para ser tão bem sucedida tem instigadores muito bem posicionados. É uma impressão minha, mas quando vemos o regabofe que são estas parcerias sem nenhuma actuação, concluímos que, ou estamos entre gente inconsciente ou desonesta.
            Por isso mesmo me refiro à classe política como um cartel organizado que passa a sua vida a chorar para ganhar votos, mas que, tendo a responsabilidade de defender realmente quem os elege, prefere “mandar bocas” e ficar-se pela rama e “meias tintas”. Eles têm o poder para despoletar investigações. Tal como a classe jornalística. Mas preferem ficar-se pelas parangonas ou pelo silêncios, vamos lá nós entender porquê…

    • Subscrevo inteiramente, Bruno Santos, Ernesto Ribeiro, Rui Naldinho,… e todos os companheiros atentos e informados que nos ajudais à consciencialização do que verdadeiramente se passa neste cartel de malfeitores com poderes permitidos por nossa procuração em nome de serviço público porém em proveito e interesses próprios .

  2. É tudo miseravel na politica…
    tudo tem compadrios…
    Eu sempre defendi que POLITICOS (so vai quem quer)
    deveria ser obrigatório usar o sistema publico, tanto o de educação como o de saúde.
    Era ver o sistema a funcionar bem…..
    Não adianta estar a gerir um ministerio quando diretamente a pessoa que o dirige não é afetado por ele, os filhinhos anda nas melhores escolas privadas, os filhinhos estão doentes, provavelmente vai um medico particular a casa….
    Se os filhinhos andassem na escola púlica e tivessem que ir ao posto médico como toda a gente, os politicos preocupavam-se mais com o bom funcionamento dos serviços…

  3. JgMenos says:

    Ai o Estado!
    Dêem-me mais Estado!
    Quero mais funcionários públicos!
    Quero mais chefinhos!
    Quero mais impostos!
    Tomem conta de mim!!!
    Deem-me uma carreirinha…

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