Gaia cai dois lugares no ranking nacional das exportações


Os recursos públicos afectos à propaganda nem sempre conseguem disfarçar a genuína incompetência de quem propagandeia, antes a acentuam e deixam exposta ao juízo dos observadores menos desatentos. Vem isto a propósito de a Câmara Municipal de Gaia ter feito alarde de uma estatística recente que, alegadamente, aponta a cidade da margem esquerda do Douro como “o terceiro município mais exportador do Norte”. Para justificar tal sucesso, a Câmara Municipal explica, com grande destaque no seu sítio institucional da internet, que “No ano em que as empresas da Região (Norte) venderam para o estrangeiro mercadorias no valor global de 20,5 mil milhões de euros, Gaia foi responsável por 6,8% dessas exportações – num total de 139,4 milhões de euros -, estando na terceira posição, ao lado de Guimarães”.

Útil será explicar à Câmara Municipal da terceira maior cidade do país, liderada pelo agora presidente da Área Metropolitana do Porto, que 6,8% de 20,5 mil milhões de euros não são 139,4 milhões – que é o que exporta o concelho de Tábua, por exemplo – mas sim cerca de 1,4 mil milhões de euros, o que é um número de grandeza totalmente diferente, bem mais compatível com a dimensão de uma cidade com mais de 300 mil habitantes. É, aliás, espantoso que a Câmara Municipal de Gaia informe a população que o volume das exportações da cidade durante um ano inteiro se equipara ao valor de mercado de um jogador de futebol de qualidade mediana, sem que ninguém responsável dê conta do erro bizarro.

Ainda assim, à incompetência notória nas contas simples, deve acrescentar-se a incompetência na operacionalização estratégica, apesar da pompa provinciana dos nomes em língua estrangeira. Na verdade, a cidade de Gaia caiu, no ranking nacional das exportações, do sexto para o oitavo lugar em apenas três anos, entre 2013 e 2016, ou seja, durante o mandato do actual presidente da autarquia. Além disso, não é o terceiro maior exportador da região Norte, como erradamente afirma a Câmara Municipal, mas sim o quarto, atrás de Famalicão, Maia e Guimarães. Um feito histórico, de todo o modo.

 

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Ó Bruno, sem querer ser desmancha prazeres, se Gaia perdeu os dois lugares para Sintra e Guimarães, cidades onde o turismo tem tido um forte incremento, até por serem patrimónios mundiais, não vejo alarme nisso.
    Dirá que Vila Nova de Gaia também é património mundial. Mas enquanto Gaia tem o Porto na frente, dividindo o bolo a meias, Guimarães e Sintra são entidades autónomas por si.
    Aliás, nunca percebi muito bem a razão pela qual Porto e Gaia não eram uma só cidade, estando a capital do distrito limitada a Norte pela estrada da circunvalação, vulgo EN 12.
    Se há uma entidade cultural e urbana comum, “as ilhas”, o vinho do Porto, o São João, a zona ribeirinha, … a existência de dois Concelhos só as prejudica.

    • Orlando Sousa says:

      Gaia não é Património Mundial.

      • Bruno Santos says:

        O Mosteiro da Serra do Pilar é, mas o resto foi deixado de fora, nomeadamente as Caves. Brevemente se perceberá porquê.

      • Rui Naldinho says:

        Eu presumo que não há cidades inteiras Património Mundial. Há sim, monumentos ou zonas históricas, que o são. Se eu estiver enganado, corrija-me.
        Admito que possa haver cidades de pequena dimensão, por exemplo, dentro de muralhas, que obedeçam a esses requisitos, mas devem ter muito pouca população, o que manifestamente não é o caso de Gaia.

        • Bruno Santos says:

          Sim. As Caves de Vinho do Porto e o Centro Histórico de Gaia foram várias vezes anunciados como candidatos à classificação. Jamais acontecerá. Aquilo é para ir abaixo.

  2. ZE LOPES says:

    Ó Bruno, ‘esculpa lá! Tás aqui,tás a defender que o Canelas deve deve ser Património Imaterial da Humanidade! Com o Macaco incluído!

  3. Luís Lavoura says:

    Não sei como são feitas essas contas dos municípios exportadores, mas certamente que estão mal feitas quando Lisboa é o município que mais exporta no país. De facto, em Lisboa pouco ou nada se faz que seja exportado…
    Creio bem que essas contas são feitas com base no local da sede das empresas. Mas o local onde está a sede não é o local onde se produz…

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  1. […] texto aqui publicado ontem, 19 de Novembro, sob o título “Gaia cai dois lugares no ranking nacional das exportações”, dava-se nota da dificuldade que o executivo da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia tem em fazer […]

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