Raríssima, urgente e na gaveta


O Ministro Vieira da Silva é uma pessoa respeitável e certamente um dos mais experientes governantes no activo, com um curriculum na área do Trabalho e da Segurança Social que poucos  políticos portugueses podem exibir.

As notícias vindas a público nos últimos dias devem ser lidas e interpretadas no contexto específico da IPSS em causa e das irregularidades de que a sua direcção é acusada, mas não pode ocultar-se o facto de que, nos últimos meses, foram vários os casos de alegada corrupção envolvendo Instituições Particulares de Solidariedade Social, circunstância que lança a suspeita sobre todo o Terceiro Sector e as redes de influência económica e política que a ele estão ligadas.

Desde os donativos para as populações afectadas pelos incêndios deste Verão, passando pelo caso da Cáritas, até à IPSS de Gaia, fundada pelo próprio presidente da Câmara e dirigida pela sua mulher, o seu chefe de gabinete e a sua adjunta (por coincidência, irmã do chefe de gabinete). No caso particular de Gaia, o ministro Vieira da Silva recebeu vários pedidos de esclarecimento sobre os factos noticiados pelo jornal Público há cerca de um ano, num trabalho da jornalista Margarida Gomes que dava conta, entre outras coisas, de que a mulher do presidente da Câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, tinha visto o seu salário aumentado 390% em apenas cinco anos, além de outras alegadas irregularidades oportunamente comunicadas ao Ministério Público. Mas apesar dos vários pedidos de esclarecimento – chegou mesmo a ser solicitada uma auditoria – não houve qualquer resposta do ministro Vieira da Silva. Apenas silêncio. Um longo, profundo e comprometido silêncio.

Agora, em face deste caso degradante que envolve mais uma IPSS, que não pode deixar de suscitar genuína repulsa e grave censura por parte de todos, Vieira da Silva promete uma “investigação urgente”. Mas qual investigação urgente? Quem é que acredita nisso? Onde é que estão os resultados da auditoria pedida há mais de um ano à IPSS fundada pelo presidente da Câmara de Gaia? Como se explica que a sua mulher possa ter sido aumentada 390% numa instituição que vive quase exclusivamente de subsídios públicos? Como se explica que o seu chefe de gabinete e a sua irmã, também adjunta do presidente da Câmara, façam parte da direcção dessa mesma IPSS, à qual foi entregue, de mão beijada, o negócio dos ATL nas escolas de Vila Nova de Gaia, depois de terem sido convenientemente afastadas as Associações de Pais? Como se explica que o autarca de Gaia tenha negado a atribuição de quaisquer subsídios da autarquia à IPSS dirigida pela sua mulher, se há documentação municipal que prova o contrário, votada pelo próprio presidente? Não se explica porque Vieira da Silva preferiu não explicar, mas antes cobrir com um manto de silêncio mais um caso que compromete a idoneidade de todo um sector económico e social e oferece aos portugueses o retrato de um país que na verdade é governado a partir do submundo.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Empreendedorismo social é isto, e sim, há quem o defenda com unhas e dentes. Porque será, ó Cristas?

  2. Como diriam os patetas: “São todas pessoas sérias e honestas”!

  3. A Catarina até tem razão:)

  4. Rui Naldinho says:

    Chegará o dia em este caso voltará à baila pela mão da jornalista Margarida Gomes ou outro/a qualquer, seja num jornal, revista, na rádio ou na televisões, e o ministro Vieira da Silva dirá que nada sabe, nunca ouviu falar do assunto, e estranha ninguém lhe tenha feito chegar às mãos qualquer denúncia, ou ao seu conhecimento, nada sobre esta marosca.
    Eu vou repetir o que escrevi ontem:
    Há um PS armado em “puta fina”, e há um PS armado em “virgem ofendida”.
    Qual deles o pior.

  5. carlota says:

    Chamem o Sr. Dr. Proença de Carvalho.
    Gostei 😉 J.I Há bronca na discoteca da IPSS. A direcção da Raríssimas defendeu-se da reportagem da TVI, na sua página de Facebook, e considerou as acusações de arrogância com subordinados e de gastos sumptuosos, por parte da directora, como caluniosas e mais não sei quantos. O post de defesa da Raríssimas foi encomendado ao advogado Proença de Carvalho, teve consultoria ao nível da adjectivação do escritor e life coach Gustavo Santos, foi borrifado com água de chuva no deserto da Mongólia sobre os roseirais de um oásis a Sul de Ulan Bator e custou 80 mil euros + IVA + uma esponja anti-stress dos peditórios da Raríssimas para o Dr. Proença. 🙂

  6. …transcrevendo o Rui Naldinho e Bruno Santos e subscrevendo :
    ” …Há um PS armado em “puta fina”, e há um PS armado em “virgem ofendida”.
    Qual deles o pior.”
    E o Bruno Santos:
    “Não se explica porque Vieira da Silva preferiu não explicar, mas antes cobrir com um manto de silêncio mais um caso que compromete a idoneidade de todo um sector económico e social e oferece aos portugueses o retrato de um país que na verdade é governado a partir do submundo.”
    … e de mais uns proenças de carvalho e demais quadrilha.

  7. O rectângulo, fede, fede…

  8. JgMenos says:

    A ralé ao poder dá nisto!

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