Carros caros, salários chorudos e esquecimentos convenientes

Viatura de luxo atribuida pelo presidente da Câmara de Gaia ao seu chefe de gabinete.

Está a completar-se um ano sobre o dia em que o gabinete do ministro Vieira da Silva garantia ao jornal Público que “estava a apreciar” um pedido de auditoria ao funcionamento e às contas da Cooperativa Sol Maior, fundada pelo actual presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, e de cujos órgãos sociais fazem parte seus familiares directos, a sua adjunta na Câmara Municipal e o seu chefe de gabinete. Este último, aliás, representando bem o exemplo do que é para o presidente da Câmara falida de Gaia o “respeito pelo dinheiro do povo”, quando lhe atribuiu para uso total uma viatura de luxo BMW, conforme se pode ver na imagem. Seguindo o argumentário da presidente demissionária da Raríssimas, presume-se que o chefe de gabinete do autarca de Gaia não se possa fazer transportar como qualquer comum cidadão de uma cidade falida. Tem que ser com estilo.

O Público tinha noticiado que a mulher do presidente da Câmara tinha passado de um salário de 475 para 2343,71 euros em apenas cinco anos. Mas que tinha sido sobretudo a partir do momento em que Eduardo Vítor Rodrigues assumira funções como presidente da autarquia que o salário da sua mulher conhecera sucessivos aumentos. Na ocasião, o autarca desdobrou-se em desculpas, todas elas falsas, para tentar justificar o salário de 2343,72 euros auferido pela sua mulher numa IPSS fundada por si próprio e à qual agora, enquanto presidente da Câmara, entregara o negócio das ATL nas escolas do concelho, além de outros subsídios de legalidade questionável.

Ainda hoje, no mesmo jornal, o padre Lino Maia, presidente da CNIS, afirma que é ilegal qualquer salário pago por IPSS que ultrapasse o valor de quatro vezes o IAS (Indexante de Apoios Sociais), ou seja, cerca de 1685,28 euros. Num país com dois milhões de pobres e cerca de 20% da população em risco de cair na pobreza, onde lagartas aparecem na sopa da escola e os hospitais públicos se batem com tremendas dificuldades para prestar o serviço ao qual estão destinados, um salário de 1685 euros é um excelente rendimento. Já um de 2343, como o que aufere a mulher do presidente da Câmara de Gaia numa IPSS que trata dos que não ganham nenhum, ultrapassa não apenas os limites da legalidade, mas os da própria seriedade, mais ainda quando se trata de uma área de actividade que, segundo o seu próprio responsável máximo, o padre Lino Maia, deveria preferencialmente ser exercida em regime de voluntariado.

Enfim, aguardemos que o ministério cumpra o seu dever, ou então não cumpra e se renda à evidência da sua cumplicidade com a impunidade que cobre o país.

 

Comments


  1. …tudo isto é simplesmente obsceno ! podridão nauseabunda e mesmo a cheirar mal permanece impune !


  2. Bruno… Algo não bate certo ❗

    Se em Portróical 99,999% dos “portugueses” é malta séria e honesta penso que estás a exagerar…

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