Carta aberta ao secretário-geral do Partido Socialista

Ao Secretário Geral do Partido Socialista
Dr. António Costa

Assunto: Processo Disciplinar 11/2017 aberto pela Federação Distrital do Porto do Partido Socialista, com vista à minha expulsão do PS, por “Desrespeito aos princípios programáticos essenciais e à linha política do Partido, violação de compromissos assumidos, em geral actos que acarretem sérios prejuízos ao prestígio e ao bom nome do Partido”.

Camarada,

Enquanto cidadão da República Portuguesa no pleno uso dos seus deveres e direitos consagrados constitucionalmente, cumpre-me informá-lo do seguinte:

  1. Os prejuízos ao prestígio, honra e bom nome, não do Partido Socialista, mas de mim próprio, estão a ser dirimidos em local competente, que é o Tribunal Judicial da Comarca do Porto, Órgão de Soberania da República Portuguesa e única instância à qual reconheço legitimidade para julgar crimes de difamação e injúrias como os que levarão ao banco dos réus, na sequência do despacho de pronúncia do Juízo de Instrução Criminal do Porto, o arguido, sob Termo de Identidade e Residência, Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara de Gaia, vice-presidente da Federação Distrital do Porto do PS e membro do Secretariado Nacional.
  2. Em nenhuma circunstância aceitarei sem a correspondente denúncia e o respectivo combate cívico, tentativas de influenciar politicamente processos-crime que cabe aos Tribunais da República julgar – e não à Federação Distrital do Porto do PS -, ou que me seja movida uma perseguição pessoal, profissional e agora política por causa do legítimo uso que faço dos meus direitos constitucionais, designadamente o de levar a Juízo outros cidadãos da República que contra mim cometam crimes, independentemente da posição que esses cidadãos detenham em estruturas político-partidárias ou outras.
  3. Não reconheço legitimidade, nem idoneidade, à Comissão Federativa de Jurisdição, nomeadamente, mas não só, na pessoa da instrutora deste vergonhoso Processo Disciplinar, uma deputada do PS à Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia, cujas dependências funcionais e políticas a tornam absolutamente incompetente, por manifesto conflito de interesses e iniludível parcialidade, para instruir contra o signatário o que quer que seja.
  4. Execro, enquanto cidadão de um Estado de Direito Democrático, a PIDE e a memória dos tribunais plenários do Estado Novo, assim como execro a Inquisição e os Autos de Fé do tempo dos Torquemadas, mantendo-me fiel ao espírito e à letra da Declaração de Princípios do Partido Socialista e leal à tradição cuja divisa obriga a combater em toda a parte os três grandes inimigos do Homem – a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.
  5. Aguardarei, sem mais, a minha expulsão do Partido Socialista agora anunciada que, no actual quadro de total subversão dos princípios fundadores do PS, aceitarei com subida honra.

 

Vila Nova de Gaia, 15 de Dezembro de 2017

Bruno Santos
Militante 149536

Comments

  1. Mota says:

    Aproveite e leve consigo o Seguro e o Assis, pelo menos…

    • Carlos Almeida says:

      Eu as vezes, até parece que sou bruxo. Mas são muitos anos a assar frango ….
      Mas há aí muito PPD cor de rosa que também pode levar. O cabecilha, infelizmente já morreu, mas pode levar o filho.
      E o vigarista do Ze das Socas, pode ir também.

  2. ganda nóia says:

    pois, o brunito é do ps laranja, versão ultraliberal. pelo menos é o que mostra nas prosas que aqui verte.

  3. JgMenos says:

    Os lambe-cus do poder rosa ficam sempre inquietos quando alguém se demarca da manada dos adoradores do bezerro.
    A chusma deles que vai aparecer por aqui vai agravar seriamente a pestilenta contribuição dos já residentes.

    • ZE LOPES says:

      Bem o avisaram para não mudar de caverna, mas V. Exa. insistiu. Essa é a fossa séptica da urbanização vizinha! Apesar do sossego, não é o melhor lugar para meditar. Até por causa do efeito dos vapores. O resultado está à vista.


  4. Pois é amigo Bruno, estas coisas são assim e de tal forma o são que a par destes procedimentos – o seu processo de expulsão – se defende, como bom, e se põe em prática que pessoas que não pertençam ao partido possam participar em votações que, em princípio, seriam da competência exclusiva dos membros da organização – partido. É como quem diz, uma no cravo e outra na ferradura: no cravo para fixar a ferradura, na ferradura para chamar a atenção do animal, porventura, castigando-o, assim mantendo-o quieto, para que as batidas no cravo se façam com mais êxito – trata-se simplesmente de um processo de controlo e domínio sobre aqueles que tenham em qualquer instituição a veleidade de pensar e discordar.

  5. Gertrudes Tomaz says:

    Era bom que o Sr Bruno, que pelo nome próprio deve ter menos de 45 anos, explicasse o que fez para dar origem ao processo de suspensão do partido.
    Sem isso, o que se possa estar a dizer aqui, é apenas retórica e demagogia,, venha donde vier para cada qual puxar a brasa à sua sardinha.
    Uma coisa é ser processado por ter emitido opinião diferente à oficial do partido, o que para mim não tem qualquer problema, felizmente desde o 25 de Abril, outra bem diferente é ir contra o que está escrito nos estatutos do mesmo, como fazer parte de lista concorrente à do partido, etc. E aqui, digo eu que não tenho partido mas tenho empresa, este politico membro de um partido seja qual for, cai na mesma sanção de um empresário sócio duma empresa que crie ou seja sócio de uma outra empresa directamente concorrente com a sua.


  6. Os partidos não são, juridicamente, empresas. Também as práticas filiativas são diferentes.
    Não sei de que é acusado o autor do texto.
    Uma coisa sei, por experiência: Os partidos tornaram-se associações de “gringos” e pouco tÊm de espaço de discussão democrática e acção política. São são agremiações dirigidas sacanas, com a conivência de uns tolos que acreditam em lérias.

    • Gertrudes Tomaz says:

      Juridicamente talvez não sejam, mas deveriam ser eticamente.
      Se calhar nos estatutos, já são deixados buracos adequados, por onde passam os “Migueis de Vasconcelos”, para sair e se calhar entrar, para poderem deitar abaixo a associação seja ela politica ou outra, aonde voluntariamente aderiram.
      Torno a dizer: era bom que quem se queixa disse-se de que é acusado, mas está-me a parecer que o Sr Bruno se quer fazer de vitima.


  7. A matilha partidária em acção contra autor do texto. Os interesses juntam-se. Ideais? Isso interessa para quê?


  8. Parabéns pela coragem, Bruno.

  9. Carlos says:

    Meu caro,

    Ser expulso deste PS não é cadastro, é curriculum!

    Parabéns por ter conseguido.

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