A “hostilidade” da EDP e a perda de face da República Popular da China

O senhor Primeiro-Ministro pode – e deve – acusar publicamente a EDP de hostilidade. Mas deveria já ter convidado o embaixador da República Popular da China para tomar um chá Gorreana no Palácio das Necessidades, sem direito a bolachas.

O fogo fátuo do populismo

Enquanto as urgências do Hospital de Gaia rebentam pelas costuras, com os corredores transformados em unidade de internamento e tempos de espera para doentes urgentes na ordem das 7 horas, a Câmara de Gaia decidiu estourar uma fortuna do dinheiro dos contribuintes para assinalar o Dia de Reis, conhecida tradição republicana e laica que o município diz querer “recuperar”. Essa “recuperação” foi feita ontem com um mega-concerto musical ao qual assistiram cerca de 300 pessoas e com um grande espectáculo de fogo de artifício, ao som dos AC/DC – banda de rock australiana conhecida pela sua produção de música sacra -, para uma beira-rio deserta, conforme se pode ver na imagem.

Vila Nova de Gaia, 7 de Janeiro de 2018. Fogo de artifício lançado a partir da Serra do Pilar e da Ponte Luís I para uma Beira-Rio deserta.

Talvez seja este criterioso gasto de recursos públicos e dos impostos dos contribuintes, desbaratando centenas de milhares de euros em festanças natalícias a que ninguém assiste, que toma o nome de populismo. Talvez aqui resida um dos fundamentos do prestígio crescente de que a “classe política” beneficia entre o povo ignaro, a turba “raivosa” – como a adjectiva a deputada Isabel Moreira – sempre pronta a atacar os partidos políticos e a sua sacrossanta legitimidade representativa. Isto enquanto dois quilómetros acima, nas urgências do Hospital de Gaia, faltam lençóis para cobrir os corpos espalhados em macas pelos corredores.