Mensagem de Julian Assange sobre a censura na internet

O futuro da Humanidade é a luta entre seres humanos que controlam as máquinas e as máquinas que controlam seres humanos.

A Internet representou uma espécie de revolução na nossa capacidade de nos educarmos uns aos outros, facto que originou uma verdadeira explosão democrática e abalou o núcleo dos poderes instituídos. Uma das consequências dessa explosão foi o florescimento de super Estados Digitais como a Google, o Facebook e os seus equivalentes chineses, que se integraram na Ordem existente e passaram a exercer controlo absoluto sobre o discurso e a informação. Não se trata de uma simples acção correctiva. A persuasão oculta exercida de modo intensivo por instrumentos controlados pela Inteligência Artificial representa hoje uma séria ameaça à própria existência da Humanidade.

Embora ainda na sua infância, a natureza geométrica desta tendência é evidente. Este fenómeno difere dos métodos tradicionalmente usados para influenciar e manipular a Cultura ou a Política, uma vez que opera a uma escala e a uma velocidade inéditas, fazendo uso crescente de métodos subliminares capazes de ultrapassar qualquer tentativa de resistência humana.

A guerra nuclear, as alterações climáticas ou as pandemias globais, são ameaças reais sobre as quais devemos reflectir e falar. O Discurso é o sistema imunitário da Humanidade e aquilo que a pode defender das ameaças à sua sobrevivência. As doenças que afectam esse sistema imunitário são, normalmente, fatais. Neste caso, a uma escala planetária.

Julian Assange

 

Mais informações no World Socialist Web Site

Comments

  1. Paulo Marques says:

    O problema de JA é que preferia que a informação fosse controlada por Putin. E por ele próprio.
    Estou muito grato pelo que fez a década passada, mas dispenso o que tem feito nos últimos anos.


  2. Mais um bem haja, Bruno Santos !
    por nos trazer Assange sempre na crista da onda deste fenómeno actual de importância pertinente e gravidade enorme.
    Tempos estranhos e ameaçadores de que temos que estar conscientes e em alerta máximo.
    Para além de um outro problema que encaixa neste já aqui abordado no Aventar e que salienta e alerta já há anos para os perigos da Internet noutros aspectos tenebrosos mais abrangentes, cujo livro essencial, quanto a mim, os denuncia :

    CARR, Nicholas./ A geração superficial: o que a internet está fazendo com os nossos cérebros.

    • Bruno Santos says:

      Obrigado, Isabela. Faria apenas uma pequena ressalva: não é ao nosso cérebro, mas ao nosso coração. Por isso é grave.


      • Bruno Santos,….mas como o amor é química do cérebro, aí está.

        Sinopse do Livro :

        … Em “Os superficiais. O que a Internet está a fazer aos nossos cérebros, ” Nicholas Carr, escritor residente na Universidade da Califórnia, faz sua uma noção de Marshall McLuhan, que dizia que as tecnologias entorpecem as mesmas faculdades que amplificam, e explica, de um modo assaz persuasivo, contra que efeitos nocivos da Internet nos devemos precaver. Os exemplos são incontáveis. Cite-se um: “Como mostram vários estudos sobre hipertexto e multimédia, a nossa capacidade de aprendizagem pode ficar comprometida quando os nossos cérebros ficam sobrecarregados com vários estímulos online. Mais informação pode significar menos conhecimento”.

        …e ainda:

        “O descarregar da memória para bancos de dados externos não ameaça apenas a profundidade e especificidade do eu. Ameaça também a profundidade e a especificidade que todos partilhamos.”
        Página 243

        “Quando estamos online, também nós estamos a seguir guiões escritos por outros – instruções algorítmicas que poucos de nós seriam capazes de entender, mesmo que os códigos ocultos nos fossem revelados. Quando procuramos informação através do Google ou de outros motores de busca, estamos a seguir um guião. Quando olhamos para um produto que nos é recomendado pela Amazon e o Netflix, estamos a seguir um guião. Quando escolhemos de uma lista de categorias para nos descrevermos ou às nossas relações no Facebook, estamos a seguir um guião. Esses guiões podem ser engenhosos e extraordinariamente úteis, como eram nas fábricas tayloristas, mas também mecanizam os processos desordenados da exploração intelectual e até das ligações sociais. Como argumentou o programador de computadores Thomas Lord, o software pode acabar por transformar a mais íntima e pessoal das actividades humanas em ‘rituais’ mecânicos cujos passos estão ‘codificados na lógica de páginas Web’.”

        Página 267

        • Bruno Santos says:

          Obrigado, Isabela. Uma leitura muito interessante.

          De facto, as chamadas “redes sociais” são drogas duras digitais. Aquilo que as separa da Heroína, por exemplo, é o grau de consciência que o dependente tem da sua própria dependência. Enquanto um heroinómano se mantém consciente da sua dependência e “sabe” que precisa da heroína para “funcionar”, o utilizador de feicebuque, p.e., não tem essa consciência e não “sabe” que está dependente de uma droga digital e que precisa dela para “funcionar”. É aqui que entra a referência que Julian Assange faz à guerra entre a Máquina e o Ser Vivo. É que muitos seres humanos – mesmo muitos – foram já despojados da característica que faz deles Seres Vivos, característica essa que está ligada à Memória funda de processos vitais e que, anatomicamente, se encontra nas zonas mais antigas do nosso organismo (incluíndo o Cérebro). Já não são Seres Vivos, mas Máquinas cujo propósito é, precisamente, eliminar a Vida. Parece apocalíptico e é, de facto. Mas mesmo no Apocalipse não há mal que sempre dure. Depois da noite vem sempre o Dia. E é essa a convicção que deve animar que se encontra desperto.

    • Carlos Almeida says:

      Boas

      Quando fala na Internet, estará a falar na rede global, onde (sabendo é claro) se pode consultar tudo, comunicar com todos, ou apenas naquela parte da Internet a que a maior parte das pessoas se limita a usar ?
      Estou a falar das redes sociais, nomeadamente a rede “facebook” do sionista “Monte de Açucar” ou no original Zuckerberg. que é a única coisa que mais de 70% das pessoas adultas e com mais de 45 anos que têm acesso à Internet, sabem ou querem usar. Ou se tiverem duvidas, saiam da v/ zona de conforta nas cidades e vão às vilas e aldeias do interior e perguntem aos conhecidos.
      Internet= facebook é a conclusão a que vão chegar.
      Tenho larga experiência disso . A maior parte nem sabia que havia mais do que o “fakebook”.

      Portanto, mais de “O que a Internet esta a fazer com os nossos cerebros” , a pergunta é: “Como os sionistaS CONTROLAM OS NOSSOS CEREBROS”


      • ……Carlos Almeida, claro que não nos estamos a cingir o questão às redes sociais facebook et ali, caverna aonde não entrei nem pretendo, a minha resposta a Bruno Santos é a que lhe aconselho a ler, e ainda mais a ler o livro referido.

        ….em papel !

        • Carlos Almeida says:

          Boa noite Isabela

          Obrigado pelo conselho.
          Vou tentar ler o que indicou logo que tenha tempo.
          Também concordo completamente com o Bruno Santos, quando ele compara as redes sociais ás drogas duras.
          A maioria dos utilizadores dos fakebooks, instagram, Twitter, Linkdl, etc é gente com limitados conhecimentos tecnológicos e técnicos, que aprendem coisas muito básicas que lhes são disponibilizadas por essas plataformas. Não sabem ou têm dificuldade em fazer um acesso à Internet de outra maneira.independente da sua rede social.
          De tal maneira que como o Bruno diz e muito bem, ficam “prisioneiros” daquela plataforma , tal como os drogados da heroína. Sabendo isso os Zuckerberg e os outros, “vendem” o que querem a “clientes” sem qualquer espírito critico e esse é um dos perigos.
          Comecei a aceder à Internet em 1997 ou 98 através de ligação com modem analógico dial up à velocidade de 28 kbps, entre o Alto Douro e o Instituto Pedro Nunes em Coimbra, a preços astronómicos cada minuto. A minha área é telecomunicações e fazer formação, auto aprendizagem ou actualização de firmware de equipamentos sem Internet, seria nos dias que correm, muito dispendioso e demorado. Portanto sem Internet eu não ganho a vida.
          Contudo, tirando algumas consultas de temas técnicos que ainda faço no Youtube, a única rede social que usei em 2015 e 16, foi a Linkdl, uma rede que foi criada para utilizadores profissionais. Presentemente o Linkdl foi comprada pela Microsoft, deixou de ter para mim qualquer interesse e nem essa uso. Claro que nas outras redes, fakebook, etc, nem pensar abrir uma conta.
          Mas eu felizmente tenho muitas horas de vôo na Net e não preciso do Zuckerberg, ou do Gates para nada.
          Mas há muita gente que se deixa controlar pelas redes sociais, muitas vezes por comodismo e ou preguiça. Conheço muitos que são Engenheiros, Técnicos superiores, etc. e que para alem do fakebook, a única coisa que sabem fazer é receber/enviar email e ver o futebol. E tal como a droga, o mal é começar.
          Para mim a Internet é a coisa mais fantástica que apareceu na minha vida profissional. Mas tal como uma boa garrafa de vinho, é preciso bom censo e cabeça para a consumir.
          Há uma coisa essencial em telecomunicações para separar o sinal do ruído. São os filtros.
          Na informação, seja via Internet ou outra há que saber aplicar os filtros. Quem não souber come gato por lebre.
          Para todos, boas navegações fora do fakebook !


          • Obrigada pelas sua considerações em tema tão vasto e essencial, Carlos Almeida.
            …” é preciso bom censo e cabeça para a consumir” ,
            claro que sim, que é preciso bom “SENSO” »» ( corrigindo o engano/erro ortográfico )
            : )

          • Carlos Almeida says:

            Boa noite Isabela

            Muito obrigado pela correcção

  3. JgMenos says:

    Como sempre, as preferências vão para o julgamento do mensageiro!
    Da mensagem importam sobretudo as teorias da conspiração que daí se possam extrair.
    Tudo muito progressista…


    • …já cá faltava o Jg-de-menos para tornar a discussão mais divertida com teorias da conspiração e tudo e tudo e tudo 🙂

      • JgMenos says:

        Estás quase a chegar ao patamar do Lopes, o divertimento como expressão da inanidade.


        • O circo romano está completamente esgotado.
          A multidão nas bancadas está deslumbrada.
          Na arena, GiMinus e Bela Lusa à espadeirada.
          Jamais, tão aguerrida luta ali fora travada.

          Da bancada, César Almeidus Bela Lusa incentiva.
          Brunus, apontando o dedo para baixo, a GiMinus ameaça.
          O pé esquerdalho de GiMinus, por Bela é golpeado.
          A multidão em delírio, não se cansa de, por Bela, bradar.

          GiMinus, cheio de dores, mal se consegue manter em pé.
          Pela arena, à frente de Bela corre a coxear e a gritar.
          Vendo o seu final, a multidão a rir, com a luta quer acabar.
          Em grande alvoroço e com o dedo para baixo, a César faz sinal.

          César Almeidus, em grande gozo com o que estava a observar,
          Não mostrava grande interesse em o espectáculo acabar.
          Mas, como a turba quer sangue e não lhe quer desagradar,
          A Bela Lusa faz sinal para com a dor de GiMinus acabar.

          (A morte do esquerdalho às mãos da Bela Lusa)


          • ….Bento Caeirus, a sua imaginação é mesmo a inteligência a divertir-se !
            Bela Lusa dixit 🙂

        • ZE LOPES says:

          Há um ditado popular lá na minha terra que diz: “antes fútil e vaidoso que como o Menos merdoso”, Não sou eu que digo. É o povo. Lá na minha terra.

    • Paulo Marques says:

      Confesso que devia ter falado por aí, mas já o defendi noutras alturas e noutros sítios. Antes o Assange a falar disso do que um Macron, uma Clara Ferreira Alves ou um Pinto Balsemão.
      Mas é, de facto, uma matéria que me merecia melhor discurso, pelo menos antes do resto e sem faltar a abordagem à manipulação que também existe nos media.

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