A Autoeuropa e os direitos das crianças

O Ministério da Segurança Social propõe-se subsidiar a creche onde os trabalhadores da Autoeuropa possam deixar os seus filhos enquanto trabalham ao fim de semana. Ainda no dia de hoje, a Secretária de Estado da Segurança Social se desdobrou em explicações, num discurso circular e labiríntico, tentando explicar que este tipo de apoio já existe e é prestado a centenas de IPSS. O que a senhora Secretária de Estado não disse claramente, proeza para cuja realização não necessitaria de mais do que duas ou três palavras simples, é que nenhuma dessas creches recebe subsídio do Estado para estar aberta ao Sábado.

Se é já sintoma de uma sociedade em desagregação pujante o facto de haver creches abertas quase vinte e quatro horas por dia, onde as crianças chegam antes de o sol nascer e saem muito depois de ele se pôr, estender esse castigo ao fim de semana transporta-nos para um patamar novo dos maus tratos e da violação evidente de direitos fundamentais consagrados na Convenção Internacional das Nações Unidas sobre os direitos da Criança, que apenas os Estados Unidos, a Somália e o Sudão do Sul não ratificaram.

Verifica-se que o Governo do Partido Socialista procura, a todo o custo, resolver um problema laboral surgido numa das maiores empresas estrangeiras a operar em Portugal, com um peso muito considerável no Produto Interno e nas exportações do país. Mas regista-se que o faz à custa de valores fundamentais não apenas da sua Carta de Princípios, mas do modelo de sociedade que emana da doutrina social-democrata que dá corpo ao seu projecto político e do Humanismo que subjaz à sua própria razão de existir.

A bem da defesa dos direitos dos que não têm voz nem poder para a reivindicar – as Crianças – espera-se que a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens esteja presente na inauguração saturnina dessa creche da Autoeuropa e possa, nos termos da lei, agir em defesa daqueles cujos direitos estão a ser violados, participando os factos ao Ministério Público.

Comments

  1. JgMenos says:

    Esta palhaçada parece quere dizer que o país pára ao fim de semana!!!
    Choradinho mais idiota; e que tal deixarem o lugar para quem queira aceitar as condições e fazerem-se à vida?

    • Paulo Marques says:

      Se são assim tão boas porque é que não vão os avençados do PSD todos? Bem, para todos não há lugar, mas nunca há um que troque o posto.

    • A.Silva says:

      É esta a merda de pensamento da direita, fedendo a fascismo.

    • ZE LOPES says:

      V. Exa. tem resmas, toneladas, carradas de razão! Não faltam candidatos aos postos de trabalho da Autoeuropa! Há muilahres de trolhas desempregados pela crise da construção. Ora, quem constroi uma casa facilmente faz um carro, que é muito mais pequeno! Já para não falar das empregadas domésticas desocupadas! A produção até podia baixar um bocadinho, mas era uma limpeza!

      • ZE LOPES says:

        “Esta palhaçada parece quere dizer que o país pára ao fim de semana!!!”. Pois, claro que é mentira. E uma das provas é V. Exa. De manhã vai ao cabeleireiro, de tarde á “manicure”, depois ás compras no shopping e, à noite ao restaurante “gourmet” do Chef LeMoins Badalhoque. Realmente, não há paragem!

  2. Paulo Marques says:

    Tanta simpatia da ministra para quem não a quer… só falta o engajamento à força como os estivadores.

  3. Fernando says:

    O caso da Autoeuropa é apenas mais um caso do estado a financiar os capitalistas.
    Ajudas a quem precisa por parte do estado deve-se às insuficiências que a ganância dos patrões cria aos trabalhadores.
    Os capitalistas amam a teta do estado! Quem acha que o capitalismo vive sem o estado é um palerma!
    E como a longa crise prova exactamente a dependência dos capitalistas ao estado…


  4. PS: não pode ser uma imagem ?

  5. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    A VW não faria nunca na Alemanha o que pretende fazer em Portugal.
    Logo à partida as leis Europeias não existem ou se existem, devem ter sido feitas por um qualquer escritório de advogados semelhante a muitos cá do burgo, onde a letra e a careta nunca se encontram.

    Depois assistimos ao contínuo desagregar da Instituição Família de uma forma avassaladora. Este conceito já não existe nos EUA, de onde vimos importando muitos dos males que hoje nos atacam e “esquecemo-nos” de importar o que é bom e jjá desapareceu também da dita Europa “civilizada”.

    Finalmente, só se admira com estas manobras do PS quem anda distraído. Esta gente é em tudo igual ao PSD, mudando apenas o discurso, possuindo ainda uma outra característica. O PS distribui umas migalhitas enquanto que o PSD e CDS, comem-nas ou dão-nas aos seus amigos.
    Este é o exemplo claro dos privilégios – defendidos sob a capa de uma qualquer importância – que o PS tanto gosta de distribuir até porque quando a alternância se verificar, há uns Conselhos de Administração à espera de alguns senhores deste partido.

    E assim o PS nos vai entretendo e o Arco da Governação se prolonga no tempo. Dura há 40 anos e há 40 anos que enganam o povo, enquanto vamos assistindo a escândalos de todo o tipo, perante o silêncio de pessoas que se dizem responsáveis.

    Temos assim três exemplos acabados de um Sistema em colapso: Uma Europa que não cumpre a sua missão, um Arco da Governação que cumpre a sua missão que é beneficiar 1% da população em detrimento dos restantes 99% e finalmente uma política, o capitalismo, que manifestamente estrebucha sem contudo deixar de nos legar feridas profundas.
    Resta saber o que virá a seguir…

  6. Luís Lavoura says:

    Então o que é que o Bruno Santos sugere que se faça? As crianças não devem ir para a creche ao sábado. Então onde ficam elas? Serão os pais que se devem despedir da Autoeuropa, para não terem que trabalhar ao sábado e poderem ficar com os filhos?
    Eu li este post com muita atenção e confesso que não descortinei o que pretende, exatamente, o Bruno Santos.

    • Carlos Almeida says:

      Concordo consigo Luís Lavoura

      Também não percebi qual seria a solução preconizada pelo Bruno Santos.
      Parece-me que as coisas para se resolverem, precisam que haja bom senso

    • Bruno Santos says:

      Sugiro que se cumpram as leis da República e aquelas a que o Estado Português está internacionalmente vinculado, designadamente as que se destinam a proteger os Direitos das Crianças.
      Sugiro igualmente que o sistema de Justiça, através do Ministério Público, actue com celeridade e sem contemplações sobre qualquer violação de direitos que cabe ao Estado Português assegurar às crianças. Mesmo que essa violação tenha origem na pressão efectuada por multinacionais do sector automóvel ou pelo próprio Estado.
      Sugiro que a Ordem dos Advogados constitua equipas jurídicas, a funcionar em regime pro bono em coordenação com a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Psicólogos, e que avaliem em grau e extensão o dano que irá ser causado às crianças em causa do ponto de vista afectivo, psico-social, comportamental e nos diferentes parâmetros de desenvolvimento que definem uma criança saudável, segundo a definição da Organização Mundial de Saúde e a UNICEF.
      Sugiro que o Ministério da Saúde informe se o crescente e exponencial consumo de psicotrópicos por crianças – algumas com dois ou três anos de idade – está relacionado com a sua crescente institucionalização e com a crescente degradação das condições de vida e de trabalho dos seus pais.
      Sugiro que o Ministério do Trabalho e da Segurança Social actue em defesa do Trabalho e da Segurança Social e não em favor do trabalho escravo e do desmantelamento das estruturas fundamentais da sociedade, nomeadamente a família.

      Assim, de repente, é isto. Mas se quiser posso escrever um livro sobre o assunto.

      Cumprimentos

      • Cristina Quintiliano says:

        Sou Educadora de Infância e vivo diariamente com esta realidade, assustando-me o facto das crianças passarem cada vez mais horas fechadas numa instituição. Por muito bom trabalho que a maioria destas faça deve ser apenas um complemento pedagógico da família e não um substituto da mesma como, a passos largos, parece vir a encaminhar-se. Tão preocupada que a sociedade anda com os direitos das crianças após a exibição de um recente programa televisivo, gostava de ver essa mesma indignação relativamente a esta questão, afinal estamos a referir-nos às mesmas crianças. Infelizmente os valores estão cada vez mais invertidos!…

        • Bruno Santos says:

          Repare nas estatísticas da natalidade. Não são um acaso.

          • Cristina Quintiliano says:

            O que temíamos está efectivamente a acontecer. A instituição onde trabalho já foi contactada pela Segurança Social, bem como outras das quais tenho conhecimento, e já circula um inquérito aos pais a sondar a necessidade de abrirmos ao sábado. Ninguém está a pensar no real interesse das crianças. Qualquer dia passarão 24 horas por dia, 365 dias por ano numa instituição. Em vez de combatermos o capitalismo estamos a alimenta-lo às custas de inocentes que não têm como se defender. Alguém tem que tomar medidas e rápido…


          • “Alguém” ?

            P.S. : até incerto ponto, pareceu-me que a Cristina Quintanilha, ao divulgar publicamente o pressuposto acontecimento, ” já começou a tomar algumas medidas”, atempadamente.

            E depois?

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