A “vaca voadora” entrou em órbita

Há revelações muito interessantes nos números sobre o emprego e o desemprego em Portugal recentemente divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística.

Segundo o documento, publicado ontem pelo INE, entre 2016 e 2017 – um ano apenas – a população desempregada diminuiu 19,2%.
A taxa de “homens desempregados que procuram emprego há 25 e mais meses”, diminuiu 32,9%.

Isto não é um sucesso. É um milagre.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Não foi a vaca, foi o Tesla.

    Quando se redefine e redefine o que é um desempregado, é só prosperidade. Ainda não acertaram com a mesma propaganda no défice estrutural e no NAIRU, mas um dia.

    • ZE LOPES says:

      Foi o Tesla? Sim, mas em vez de 500 cavalos o motor tem 600 vacas. Tudo por causa do políticamente correto.

      E quando regressar à terra vai ser desmantelado para fazer bitoques.

  2. esteves, ayres says:

    Não sei porque. Mas eu não acredito, nesses dados! Para ser mais honesto: Não acredito nesta sociedade podre e corrupta… por esse motivo não acredito.
    E não digo mais nada porque posso ser multado ou preso

  3. Rui Naldinho says:

    Não sei se as vacas voadoras voam sequer, quanto mais entrar em órbita, mas sou capaz de intuir que os “inventores” deste método de cálculo, e das muitas estatísticas que foram depois de 2011 lançadas para o terreno da politica, esgrimindo argumentos a seu favor, o fizeram apenas para minimizar há época os danos causados pela acção governativa no período de ajustamento, vulgo “troika”, sem perceberem muito bem que um dia as coisas mudariam, e alguém beneficiaria com elas, majorando os dados favoráveis de uma realidade aparentemente menos gravosa, como a que vivemos agora.
    Eu olho para Portugal, hoje, e vejo “uma entidade que teve um tratamento de quimioterapia severo, ao ponto de lhe ter caído o cabelo e ficar tisico. Quando pararam com os tratamentos, recuperaram-no de uma potencial anemia, voltaram a dar-lhe alguma liberdade gástrica, ainda que controlada, e naturalmente o cabelo voltou a crescer farto e mais sedoso. Ganhou algum peso. Está com melhor aspecto, mas não deixa de ser um doente.

    Para percebermos o que este país vale de facto, ontem, hoje e amanhã, e o que valem as nossas elites, aconselho vivamente a comprarem o livro do Professor José Reis, “A Economia Portuguesa”, ou não querendo fazê-lo, a ler este pequeno excerto do Daniel Oliveira no Expresso:

    https://estatuadesal.com/2018/02/07/do-estado-novo-ao-euro-sempre-na-periferia/

  4. Bento Caeiro says:

    Num sistema que se tenha verdadeiramente como tal, o seu ponto forte assenta na possibilidade de manipulação, dos números e dados, que o mesmo possua; entre estes temos como referência o sistema financeiro e o político. Num jogo muito engraçado – eu acho – entre o que é de divulgar e o que é de esconder. Obviamente, que a isto se junta também, o que se deverá inventar. Certos tipos de agências têm aqui uma boa área de influência e negócio – privadas e públicas.
    Mas o mais surpreendente disto tudo – que muitas pessoas, por vezes, esquecem – é que, muitas vezes, a divulgação do real até pode acarretar mais prejuízos do que o esconder ou alterar essa mesma realidade – nomeadamente, dos números e dados. Por exemplo: eu estou convencido que a divulgação da situação do BES, naquele momento, acarretou mais prejuízos a todos nós do que acarretaria se a situação tivesse sido tratada de outra forma pelo supervisor e pelo governo – mesmo que algo tivesse que ser, temporariamente, escondido ou alterado.
    Chatices. Resultantes do jogo entre os números reais e as expectativas que, ainda, que virtuais, poderão alterar ou prejudicar ainda mais esses mesmos números.
    Que fazer então? Não sou político e não me pagam para isso.

    • Paulo Marques says:

      Pois acarretou, devia ter sido muitos meses antes para pagarmos a menos aquilo que os amigos do Carlos Costa tiraram.
      Em democracia, a verdade é quase sempre a melhor opção, e estes indicadores neoliberais são pura bosta de cavalo com perfume.

      • Bruno Santos says:

        A democracia não aguenta a verdade.

        • Bento Caeiro says:

          Ao Paulo e, também, ao Bruno. Por vezes – e são muitas – é a realidade que, pelas consequências prováveis de determinada acção, não aguenta a verdade. Isto, sendo fundamental num sistema de natureza ditatorial – não exclui, de todo, os sistemas democráticos. Muito menos exclui as acções empresariais ou pessoais. Basta atentar o que se passa a nível dos negócios e das questões relativas à segurança das nações e ou das pessoas.

        • Paulo Marques says:

          E há democracia sem verdade, ou tá tudo democrático com a invasão do Iraque, as mentiras constantes a sustentar uma TINA ridícula, os acordos comerciais a acabar com a qualidade de vida ou os políticos a esconderem a sua própria ideologia com a desculpa de quem vem de Bruxelas – o que vai destruir a UE, diga-se?

  5. Mr José Oliveira Oliveira says:

    Os números do desemprego sofrem acentuadamente daquela doença transformacionista que afecta as estatísticas oficiais subordinadas ao lema: aí querem números? Então tomem lá! (E eles aparecem.
    Neste caso, temos de efectuar uma série de descontos. Para perceber o significado, teríamos de saber quantos têm sido eliminados das folhas, quantos já deixaram de procurar emprego nos centros, etc. Seria ainda indispensável saber quanto ganham esses novos empregados, quanto tempo vão ficar a trabalhar, quanto ganhavam aqueles que lá trabalhavam antes e que eles foram substituir, que relação têm esses ordenados com a média nacional e europeia, enfim, um manancial de informação que é inconveniente referir.
    E já agora, só mais uma. Se o desemprego fosse avaliado pelos parâmetros de há 30 anos atrás, a taxa seria cerca do triplo da apresentada hoje.
    Não esbanjámos…..Não pagamos!!!!!

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