Caves de Vinho do Porto: sob as pedras, o silêncio

Caves de Vinho do Porto, Gaia, 18 de Fevereiro de 2018. Clique para ampliar.

Sob o silêncio cúmplice das instituições do Estado responsáveis pela preservação do Património, das forças políticas da oposição em Vila Nova de Gaia, incluindo o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, da Comunicação Social e das eminências pardas da “sociedade civil” que costumam apresentar-se como grandes arautos da defesa dos valores identitários e do património histórico e arquitectónico do nosso país, prossegue no Centro Histórico de Vila Nova de Gaia, na zona das Caves de Vinho do Porto, o verdadeiro atentado que as imagens documentam.

Depois de o presidente do Conselho Metropolitano do Porto, também presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, ter assegurado, com a honestidade que se lhe reconhece, que seriam “demolidos dois pequenos armazéns”, que “nem sequer são Caves”, eis que um verdadeiro terramoto se abate sobre as Caves de Vinho do Porto, com demolições em massa e uma verdadeira terraplanagem do conjunto arquitectónico único que faz parte de uma das mais belas paisagens urbanas do mundo.

Fica a dúvida sobre qual dos atentados é mais grave. Se a destruição das Caves de Vinho do Porto, se o silêncio e a indiferença com que a ela assistimos.

Caves de Vinho do Porto, Gaia, 18 de Fevereiro de 2018. Clique para ampliar.

Caves de Vinho do Porto, Gaia, 18 de Fevereiro de 2018. Clique para ampliar.

Caves de Vinho do Porto, Gaia, 2 de Fevereiro de 2018. Clique para ampliar.

Comments

  1. ganda nóia says:

    tinha que resvalar para a doença. a culpa é do pcp, do be, e do mauzão do estado.

    quando na verdade isto só prova que é preciso mais e melhor estado.

  2. Bento Caeiro says:

    Não é caso sui gereris. É o panorama geral por esse país fora; até mesmo em regiões onde a despovoação é um facto grave. Nuns casos – como é este o caso – são os interesses ligados à valorização dos terrenos e à construção, em outros, também aqueles, mas mais a ideia de dar uma falsa ideia de crescimento – pelo aumento da área construída – e, obviamente, pela procura das câmaras em obter mais verbas, ao arrecadar mais IMI. Em Vila Nova de Gaia temos a primeira situação, em concelhos como o de Serpa, temos a segunda. Em ambos os casos, o património antigo e tradicional é que sofre as consequências: pela sua destruição, como é presente caso; pelo abandono, como é o caso das povoações do concelho de Serpa.
    Maney, maney (venha ele dos terrenos, dos construtores, ou do IMI) e o Património histórico e tradicional? Que se lixe!

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