Querida Autoridade Tributária

Parece que a Autoridade Tributária decidiu enviar um email aos contribuintes portugueses, em o qual os ameaça com processos de contra-ordenação e coimas que podem ir até aos 60.000 euros, caso esses contribuintes não limpem o mato nem cortem as árvores que existam num raio de 50 metros à volta das suas casas – presume-se que as ainda não ardidas. Esta ameaçadora polícia tributária informa ademais na sua epístola digital que “é obrigatório também limpar as copas das árvores quatro metros acima do solo e mantê-las afastadas [presume-se que puxadas por trelas] pelo menos quatro metros umas das outras e cortar todas as árvores e arbustos a menos de cinco metros das casas e impedir que os ramos cresçam sobre o telhado”.

Não fora o endereço que a Autoridade Tributária utiliza para remeter este naco temível de prosa administrativa, inspirada nos discursos de Estado do herói venezuelano Nicolau Maduro, um “no reply”, ou seja, insusceptível de resposta directa na volta do correio, qualquer coisa como o que se segue se adequaria:

Querida Autoridade Tributária,
espero que esta te encontre bem.

A Tia ainda não chegou do Brazil e o Conde tem estado um pouco inquieto por causa da Adelaide. Passa o dia a bocejar para um espelho e a fazer desenhos com o dedo.

Quanto ao arvoredo, toma nota do seguinte: assim que me disseres como deixaste escapar 10 mil milhões de euros para offshores, sem sequer quereres saber quem os despachou, convido-te para um chá aqui na província. Nessa altura vou explicar-te – nas ventas – como com uma ínfima parte desse roubo que permitiste, teríamos a mais bela e segura Floresta do mundo.

Mando bolinhos de Jirimú.
Um beijinho.

 

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Temos pena, viver em sociedade trás obrigações. Não se pode pedir a demissão do governo por não fazer nada contra os incêncios e seguir pedir a demissão por fazer a única coisa possível.


  2. ainda não percebi: O dono da casa tem que limpar a mata em redor que é propriedade de outro tipo ? Ha aquele caso de uma empresa que fez isso e teve que inminizar o dono do pinhal em 3000 euros.

  3. SI MI LA RE says:

    Vamos a ser sérios. A querida AT divulgou um documento a pedido de outra entidade, por ter possibilidade de chegar a um maior numero de pessoas.. Limpem o que puderem para que não volte a acontecer desgraça e deixem-se de merdas. É que aqui prós meus lados a floresta não arde e não falta água. por isso tanto se me dá se vão ou não discutir quantos metros vão limpar. A querida AT possui o cadastro de todos os terrenos, por isso é a entidade ideal para fazer divulgação do documento. Queridos comentadores, limpem se quiserem, depois não digam que ninguém os avisou e acreditem que o lume é mesmo quente. Desviem o rabinho enquanto podem.

  4. Fernando Manuel Rodrigues says:

    E lá continuamos com a mistificação. Mas acreditam mesmo que é ter árvores desviadas quatro metros (gostava de saber como querem conseguir isso – vão cortar todos os pinhais do país?) que vai evitar os fogos?

    E por acaso já começaram a limpar as bermas das estradas? Ou será que, por isso pertencer ao Estado, ou à Brisa, ou à JAE, já está dispensado?

    E que tal planearem e contraterem o patrulhamento e a vigilância, para evitar o fogo posto QUE É O PRINCIPAL RESPONSÁVEL PELOS INCÊNDIOS, e deixarem-se de merdas e de nos atirar poeira para os olhos?

    Ou será que a mata nos anos 60 andava toda limpa, cortavam 50 metros em redor das casas e as árvores estavam separadas umas das outras por quatro metros?


    • e poucos incêndios havia nessa altura. aliás todos nós tinhamos valores e assumiamos deveres cívicos sem que para os tais houvesse necessidade de legislar como hoje acontece. mas enfim há quem lhe chame tempos de ditadura, enfim.


      • Vítor Manuel Marques

        “e poucos incêndios havia nessa altura. aliás todos nós tinhamos valores e assumiamos deveres cívicos sem que para os tais houvesse necessidade de legislar como hoje acontece. mas enfim há quem lhe chame tempos de ditadura, enfim”.

        Pois ! E, nos Anos 60, não havia nada como um povo dócil, amestrado, boné na mão e joelho no chão, e “todos nós tínhamos valores e assumíamos deveres cívicos”, deus, pátria e autoridade, pé descalço ou alpargatas, fundilhos e joelheiras nas calças, analfabetismo, exponencial mortalidade infantil, “obra das mães pela educação nacional” com as sinistras mulheres dos ministros, de grande buço e de negro vestidas, a premiar as pobres famílias numerosas (7 filhos ou mais…) com “oferendas” ridículas e, depois, abandonadas à sua sorte…

        Ah ! E para completar tanta “felicidade” ainda tínhamos a pide, essa “exemplar e patriótica” corporação, zeladora da moral e bons costumes…

        E hoje, vejam só, a esses tempos gloriosos, que incluíram 13 anos de guerra colonial com milhares de mortos e estropiados, ainda há quem tenha o “descaramento” de chamar ditadura !!!!!!!

        ENFIM…

        .

    • Paulo Marques says:

      “E que tal planearem e contraterem o patrulhamento”

      A Eurolândia não permite gastar dinheiro em coisas que não dão dinheiro imediato.

      “Ou será que a mata nos anos 60 andava toda limpa”

      Não havia aquecimento global relevante nos anos 60, nem a praga do eucalipto pelo território inteiro.

  5. Bento Caeiro says:

    Por detrás disto tudo, é o sempre mais do mesmo: fraco com os fortes e forte com os fracos; mas também a atribuição prévia de culpa, por algo ainda não acontecido, contudo espectável.
    Não tarda o que aconteceu, pela situação criada nas nossas florestas pela política em torno do eucalipto e pela ganância das celulósicas, assim como o que se passa nos nossos rios, é culpa do pobre diabo que não limpou, ou fez o despejo para, o quintal?! Contudo, em relação ao plantio deste tipo de espécies, ainda os fogos mal estava apagados e já o plantio recomeçava; também é de ver como os eucaliptos se regeneram – após fogos – e já ai estão mais viçosos do que antes. Como sabemos, a intenção é mesmo essa; quando os fogos se verificarem, já temos culpados à mão: “Estão a ver os eucaliptais tornaram a pegar fogo por culpa daqueles malandros que não limparam as árvores em redor das suas casas”.


  6. ..e mais esta da estupidez de quem elaborou esse plano obrigatório de limpeza, tugas de gabinete de mentes quadradas com poderes legisladores de ocasião :

    Por ex. :

    “Limpar o mato e cortar árvores:
    50 Metros à volta das casas, armazéns, oficinas, fábricas ou estaleiros; … ”

    ….se eu tiver uma casita na aldeia com um quintaleco adjacente á volta da casa com um limoeiro, umas 2 ou 3 oliveiras ou qq. outra árvore de fruta e uma horta e nada mais, dentro desse espaço de 50 metros tenho que cortar o limoeiro e as oliveiras só porque são árvores e estão dentro dos 50 metros á volta da casa ??

    ….mas há mais parvoíces e muita indignação por parte das pessoas,
    em que verificamos que afinal o grande problema que é a floresta, de ordenação e reflorestação e tanto mais a cuidar seriamente, fica para segundo plano quando esta sim devia ser a prioridade máxima com carácter de URGENCIA e aí sim com a colaboração de todos os técnicos e peritos excelentes, que os há neste domínio, e com todos os meios económicos e de trabalho e coordenação conjuntas necessários ! é uma prioridade há décadas, passou a ser ainda mais a partir de agora e para já !!
    ….geringonçadas destas não por favor !!

  7. Bento Caeiro says:

    A coisa é de tal ordem que por esse país fora, em zonas onde nunca houve fogos e poucas hipóteses existem de se virem a verificar – caso do Alentejo -, as pessoas estão a ser levadas a abater as árvores de fruto que têm nos seus pequenos quintais. Até mesmo com ameaças de que se não o fizerem, a autarquia o irá fazer. Tal como no caso do dito “acordo ortográfico”, é o espírito tuga a manifestar-se, num dos seus aspectos – a submissão à estupidez.

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