John Wayne

Há uns anos circulou uma informação, cujo rigor não é possível garantir, sobre um certo inquérito feito nos Estados Unidos da América. Nesse inquérito perguntava-se ao “povo americano”, entre outras coisas, quem tinha sido o primeiro Presidente dos Estados Unidos. Segundo a tal informação que circulou, uma grande parte dos americanos respondeu “John Wayne”.

É sabido que a América é uma jovem nação erguida sobre os cadáveres de povos nativos e que se há uma palavra que pode, com autoridade e plenitude, definir o seu carácter, essa palavra é Guerra.

Herdeiros de uma tradição bélica milenar, muitas vezes característica dos grandes impérios, os Estados Unidos sempre fizeram assentar a sua ideia de Progresso e Liberdade – sempre a Liberdade – no princípio singelo da lei da bala. A história de Hollywood, por exemplo, que é a história de como a América quis vender ao resto do mundo a história da América, está repleta de violência, de morte e de tiros. Desde o velho “saloon” do Oeste, onde se glorificou a arte de fazer cidades misturando whiskey e pólvora, passando pela rapaziada de sotaque italiano que semeou balas e cadáveres pelas ruas das grandes metrópoles, até aos “enola gay”, ou as bombas nucleares com dedicatórias escritas à mão e atiradas sobre cidades cujos nomes nem sabiam pronunciar, até aos chefes militares que faziam surf em praias asiáticas, debaixo de fogo e ao som de Wagner, tudo – ou quase tudo – na indústria dos símbolos serviu a indústria da guerra. E a indústria da guerra é a mais alta e poderosa expressão do modelo civilizacional que a América construíu e ao qual nós, quer queiramos ou não, pertencemos. Essa indústria, que é a manifestação operativa do carácter americano, tem a sua vertente especulativa na Ciência – seja ela ligada à Economia, à Tecnologia ou à Informação. Todas têm como único propósito servir também a guerra. E ainda que achemos – os “europeus” – que ao assimilar apenas a natureza especulativa do carácter bélico americano, estamos a salvo e redimidos da barbárie que ele representa, nada mais somos, na verdade, do que agentes voluntários desse carácter, percursores da barbárie e catalisadores do caos.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Subscrevo na íntegra o comentário.
    A Europa tem sido uma seguidora menor da “civilização” americana, não esquecendo que nos momentos mais dramáticos da “liberalização” da guerra e do crescimento económico proveniente da indústria da guerra, aparecem sempre lacaios como Tony Blair e Aznar ou mesmo lacaios mordomo como Barroso, que dão suporte à barbárie.
    A Europa escolheu como inimigos os inimigos dos EUA e ainda não percebeu que constitui hoje para os americanos, aquilo que os países da esfera soviética representavam para a Rússia.
    Para mim o que se passa nos EUA é um problema deles.
    Preocupa-me muito mais esta postura seguidista da Europa que perdeu a sua identidade, consumindo os elementos que os americanos difundem para nos distrair.

  2. Bento Caeiro says:

    Não desculpando os americanos, alguns, temos de ver que esta história da culpa e redenção dos americanos e do seguidismo por parte dos europeus, poderá ser objecto de várias abordagens. A primeira, é que, contrariamente aos europeus dos descobrimentos, os americanos nunca pretenderam esse protagonismo e até ofereceram muita resistência ao mesmo: tal como se vê pelas suas intervenções nas duas grandes guerras, mormente na 2ª. Assim até poderemos dizer que os maiores culpados foram os japoneses, ao levarem os americanos para a guerra. Porque, a não ser assim, hoje seríamos uma imensa Germânia em rios de felicidade. Como tal, não produziríamos – não havia necessidade – este tipo de discurso; também, porque não seria necessário que os EUA salvassem a Europa da ruína em que se encontrou após o final da guerra. Pelo contrário, não sendo como antes se disse, também poderia acontecer, que tivéssemos sido até ao final dos anos oitenta, uma qualquer república soviética – com as vantagens e a felicidade que se poderá imaginar.
    Como sói dizer-se – não pondo de parte que a evolução desta relação poderia ter seguido, porventura, rumos mais aceitáveis – o certo é que aqui chegados, é de dizer: pobretes, mas alegretes; ou então, depois de barriguinhas cheias, seguem-se os arrotos – que é, de uma forma geral, aquilo que se ouve e vê por parte de muitos europeus – ou os lamentos: por não sermos uma imensa Germânia ou uma União Soviética.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      O caro Bento Caeiro é dos que pensa que os americanos nos salvaram das garras da Germânia ou dos dentes de vampiro da União Soviética…
      Os impérios como foram a Germânia ou a União Soviética estão condenados ao fracasso. Demora mais ou menos tempo, sendo a redenção mais ou menos dolorosa. Mas todos têm um fim.
      Do mesmo modo o Império Americano estrebucha neste momento. Em várias crónicas a este propósito tenho referido a minha opinião sobre a imensa parecença entre o que se passa nos Estados Unidos de hoje, com o que se passou com a antiga Roma. Estes Impérios, baseados no “culto” de uma “democracia” muito sui generis (em Roma até o símbolo SPQR estava relacionado com o Povo e o Senado) terminam-se sempre da mesma forma: por implosão, que foi o que se passou com Roma e se passa hoje nos Estados Unidos.

      De modo que essa história do maniqueísmo que divide o mundo entre os maus e os bons, tem muitas pontas por onde se lhe pode pegar. Não tenho essa visão, porque uma vez mais a História nos ensina que há uma enorme diferença no desenvolvimento por “pequenos passos” em sistema de “trial and error” que a Europa percorreu durante 1500 anos e aquele desenvolvimento que faz tábua rasa dos valores, caracteristicamente americana. Esta é a diferença entre o modelo europeu e o modelo americano.
      Que se goste mais de um que do outro, nada a dizer. Faz parte da nossa sã convivência. Que se pretenda que as novas práticas reduzam as antigas conquistas a solo árido, estou em completo desacordo.
      A cultura europeia é um modelo civilizacional. A cultura americana, não, por ser uma cultura desprovida de todos os valores, excepto a moeda, o novo deus para aquela gente. E a mim, o que me incomoda, é ver a velocidade com que nós, europeus, abrimos os braços àquela cultura e nos esquecemos dos valores da cultura europeia. Espanta-me e, sinceramente, atemoriza-me, tal como qualquer investida que conduza a uma Germânia ou União Soviética no tempo, tal o estado de degradação que se vai vivendo. Nos Estados Unidos já se querem armar os professores para que o faroeste continue. Chegar aqui, à Europa, está à distância de um clique…
      Para terminar a sua afirmação “(…) os americanos nunca pretenderam esse protagonismo e até ofereceram muita resistência ao mesmo: tal como se vê pelas suas intervenções nas duas grandes guerras, mormente na 2ª (…)” é curiosa, quando se descobre, de repente que os americanos participaram de modo tão vivaz no Iraque, na Líbia, mesmo na Europa e deixaram um rasto de destruição como qualquer Germânia ou União Soviética fariam.
      Enfim, como diz, opiniões depois de um lauto jantar ou almoço que darão origem a arrotos mais ou menos audíveis….
      Cumprimentos.

      • Bento Caeiro says:

        “Os impérios como foram a Germânia ou a União Soviética estão condenados ao fracasso.” Na verdade estão todos condenados ao fracasso, mais não seja, se fracasso se refere ao tempo. Porque não creio que devamos falar em fracasso em relação ao Império Romano, Hitita, Macedónico e tantos outros.
        É muito bonito toda esta conversa, quando se está fora do cenário de guerra ou do sofrimento. Fale sobre o assunto com os polacos – para exemplo da Germânia e da Sovietlândia. Provavelmente, foram os portugueses ou os espanhóis que, pela sua passividade provocaram a derrota dos alemães e foram também aqueles que libertaram os povos das garras da União Soviética. De forma que, pelo que vejo, para o Ernesto, basta-nos esperar e aguentar – desde se sejam os outros – porque tudo passa. Haja paciência.

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Não. Não me refiro ao tempo no que toca ao fracasso dos Impérios. Refiro-me à implosão que assiste todos os impérios (o Hitita, o Romano e o Macedónio, entre tantos como diz) porque acabam dominados pelos diversos tipos de corrupção que constituem o poder prolongado, onde as minorias ou uma determinada franja da sociedade que se eleva no pedestal, acaba por conduzir os povos que representam para um beco sem saída.
          Não vale a pena reinventar a História. Basta aprender com ela e tenho para mim que ela é eloquente.

          Por acaso falo todos os dias com polacos, eslovacos e checos, pois a minha actividade profissional conduz-me, muitas e muitas vezes, para estas e outras paragens (Estados Unidos e Rússia, também). E acredite que não têm a visão do caro Bento Caeiro, embora reconheçam que houve uma opressão militar e que hoje vivem melhor.
          Tem que vir até estas zonas para ver se os convence.
          Já falou com eles ou repete o que os “media” dizem?

          Mas nós também vivemos muito melhor hoje que no tempo de Salazar. Tenho 69 anos e tinha 25 anos quando se deu o 25 de Abril. Vi um irmão meu morrer na guerra, de forma que não me venha com a “música” do “(…) É muito bonito toda esta conversa, quando se está fora do cenário de guerra ou do sofrimento (…)”. Falo do que sei, do que vivi e o Senhor não deveria lançar-se a adivinhar.

          E continua a lançar-se na adivinha quando afirma que “(…) pelo que vejo, para o Ernesto, basta-nos esperar e aguentar – desde se sejam os outros – porque tudo passa (…)”. Manifestamente vê mal, mas não lhe posso fazer nada porque não sou médico.

          E termino. Junte à paciência que tanto pede um mínimo de curiosidade para conhecer, nos locais próprios as diversas opiniões que, sem dúvida, lhe poderão permitir uma visão mais ampla.
          E sobretudo, não se deite a adivinhar.
          Fique bem.

          • Bento Caeiro says:

            Sim, alguns polacos e muita gente dos países do leste estão cheios de saudades dos tempos do antigamente; tal como muitos portugueses estão cheios de nostalgia pelos antigos tempos. Nada mais verdadeiro, principalmente aqueles que viviam à sua custa e beneficiavam com esses regimes.
            Pelo seu discurso – como esse de, muito candidamente: “houve uma opressão militar” (não, caro senhor: foi opressão política, ideológica, de natureza terrorista sobre as suas populações, não meramente simples opressão militar) como aqui vem dizer – vê-se logo de onde vem e para onde gostaria de ter ido. Porque essa de não reconhecer o papel dos norte-americanos na 2ª guerra e na reconstrução da Europa pós Guerra é de um miopismo atroz. Também lhe digo, não se deite a adivinhar e sei do que falo. Quanto às opiniões nos locais próprios, os soviéticos e até mesmo os jugoslavos, organizaram umas excursões pós-25 de Abril a esses países: caramba, era só riqueza, bem-estar e felicidade! Depois… depois, foi o que se viu…
            Que os Deuses o acompanhem!

    • Paulo Marques says:

      “os americanos nunca pretenderam esse protagonismo e até ofereceram muita resistência ao mesmo: tal como se vê pelas suas intervenções nas duas grandes guerras,”

      Não. https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_wars_involving_the_United_States
      https://en.wikipedia.org/wiki/Roosevelt_Corollary
      São bons a dizer uma coisa e a fazer o contrário, lá isso são.

      “hoje seríamos uma imensa Germânia em rios de felicidade.”
      Uma eurolândia mandatada pela elite alemã, por outras palavras. Hmm, não, idiotice, nunca tal podia acontecer.


  3. Gostaria de saber
    …. que tradição bélica milenar está na origem dos Yankees?

    Eu acho que os Yankees são assim porque são assim.
    São os assassinos e deportados Ingleses, Irlandese e outros vizinhos que criaram o ADN daquelas mentes bélicas. Mataram mais de 100 milhões de nativos índios e apoderaram-se da terra. Depois começaram a matar-se uns aos outros até aos dias hoje. Pelo meio ficam famílias decepadas de filhos e familiares simplesmente por irem à escola. Como para grandes remédios grandes curas, quer o presidente ensinar os professores a usar armas e, pelo meio, orientar o secretário da defesa para ver que países têm margem no orçamento para gastar dinheiro em ….. armas.
    Sim, todos os países têm direito a defender os Yankees Entretanto num mundo onde a informação pode estar na palma da mão, a Síria, Ruanda, Bósnia ….. são futuras estrelas de Hollywood.
    …..
    Mudando de assunto há futebol hoje?
    Não há? ……
    Vou ler outra coisa qualquer…!

  4. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Bento Caeiro:
    Não ponha no meu escrito o que não leu. Já vi que vê mal, mas ao menos, tente ler bem.
    Não escrevi em lado nenhum que os eslovacos ou polacos ou checos têm saudade do passado regime.
    Não faça como os “media” que passam metade do seu tempo a distorcer e a outra metade a tentar convencer das mentiras que propalam.

    Outra afirmação da sua parte que é mais uma mentira à “media” ocidental vem a seguir : “essa de não reconhecer o papel dos norte-americanos na 2ª guerra e na reconstrução da Europa pós Guerra é de um miopismo atroz”.
    Onde viu essa afirmação no que eu escrevi? E eu é que sou míope?

    O Senhor deturpa o que se diz e o que se escreve.
    A mentalidade que desenvolve nos seus escritos é do tipo do passado, pois quem não pensa como o Senhor é comunista.
    É exactamente isto que o Senhor diz nas entrelinhas e sobretudo quando escreve: ” vê-se logo de onde vem e para onde gostaria de ter ido”.
    Caro Senhor: sou um cidadão do Mundo que viaja e contacta com todas as raças e credos. Tenho nisto muita honra e tenho aprendido o que lhe seria importante aprender. Saia, conviva e julgue. Mas não mande alarvidades pela boca fora como manteve nesta conversa.
    E repito-lhe : o Senhor é uma pessoa perigosa, superficial, cheio de preconceitos e acima de tudo, tem um olho tapado, Mas não é só miopia caro Senhor. É cegueira.

  5. Bento Caeiro says:

    “Por acaso falo todos os dias com polacos, eslovacos e checos, pois a minha actividade profissional conduz-me, muitas e muitas vezes, para estas e outras paragens (Estados Unidos e Rússia, também). E acredite que não têm a visão do caro Bento Caeiro, embora reconheçam que houve uma opressão militar e que hoje vivem melhor.”
    Isto que disse e como o disse, responde a uma parte do que disse e, também, de onde vem e para onde gostaria de ter ido. Felizmente, que a realidade pregou-lhe uma partida e só lhe resta o americanismo primário e o roer de unhas..

    “cidadão do Mundo que viaja e contacta com todas as raças e credos”.
    Bem, essa é uma actividade e movimentação que, muito provavelmente, por aquilo a que se presta, talvez deva ser averiguada por quem de direito.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      O Senhor escreve como um verdadeiro PIDE.
      Deveria ter vergonha de escrever o que escreveu no último parágrafo. E se me dissesse pessoalmente o que escreveu, teria com certeza um grave problema.
      A minha conversa acaba aqui. Um dos meus direitos é não dialogar com PIDES ressabiados.

      • Bento Caeiro says:

        O senhor escreve como um imitador do KGB e um verdadeiro stalinista e, como tal, Bufo da PIDE.
        Deveria ter vergonha de tudo o que escreveu. Estou cheio de medo, por isso já estou à coca: só não sei se de ex-KGB, se de “camaradas” stalinistas. Mas cá os espero. Terão,
        certamente, uma grande surpresa e um grave problema. A minha conversa acaba aqui. Um dos meus deveres é não aturar parvos e bufos da PIDE, a fazerem-se passar por stalinistas e “camaradas do partido”.
        Que MAAT te indique o caminho, porque, pelo que vejo, estás envolto em trevas.

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