Estala o verniz na distrital do PS Porto

MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA

Manuel Pizarro, candidato único à liderança da distrital do PS Porto e vereador da câmara municipal, veio a público protestar contra a deslocação de 43 carteiros da cidade invicta para a estação dos CTT das Devesas, em Gaia.

Reclamando na rua e distribuindo panfletos à boa moda da Intersindical, o líder socialista insurgiu-se contra o encerramento do Centro de Distribuição do Porto dos CTT e a consequente transferência dos serviços para o município vizinho de Vila Nova de Gaia, mais propriamente dos tais 43 carteiros que, segundo Pizarro, vão ter que “sair a pé com as malas para a distribuição de uma distância muito maior”. Realmente!

Na verdade, o que não se compreende muito bem é em que qualidade reclama Manuel Pizarro. Se na de vereador da Câmara do Porto, se na de presidente da Distrital do PS. É que se for na qualidade de vereador, o assunto está esclarecido e nada há a apontar à sua repentina e estridente acção de rua, através da qual vem defender os interesses da sua cidade. Mas se está a agir, conforme diz a notícia, na qualidade de presidente da distrital do PS Porto, já o caso muda de figura. É que, nessa qualidade, Manuel Pizarro está obrigado a defender não apenas os interesses do município do Porto, mas de todos os municípios do distrito liderados por socialistas, como é o caso de Vila Nova de Gaia, para onde os 43 carteiros serão transferidos, município liderado pelo número dois de Pizarro na distrital, o “socialista” Vítor Rodrigues.

O que se conclui daqui é que Manuel Pizarro não apenas desferiu um ataque à administração dos CTT e à Anacom, mas quebrou o verniz político interno e pela primeira vez hostilizou publicamente o seu comparsa gaiense, Vítor Rodrigues, cuja ambição de ter mais 43 carteiros e de tomar de assalto a presidência da Distrital do PS Porto é bem conhecida, aguardando apenas o momento certo para desferir o golpe de misericórdia e lealdade. Corre, aliás, em certos círculos, a informação de que a candidatura de Vítor Rodrigues só não aconteceu desta vez por causa dos processos judiciais em que o autarca de Gaia está envolvido e que representam um especial embaraço para o Partido Socialista. Verdade seja dita que, se os resultados obtidos por Manuel Pizarro à frente do PS Porto foram pouco menos que catastróficos, a tomada de assalto desta importante estrutura do Partido Socialista pela turba de Gaia significaria simplesmente a implosão do partido na segunda cidade do país.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    O Partido Socialista faz-me lembrar aquela rábula da saudosa Ivone Silva, “Olívia costureira” versus “Olívia patroa”!
    Há quinta feira no parlamento, o PS diz que não se imiscui nos CTT, e que está fora de questão reverter a privatização desta empresa, ou no mínimo criar mecanismos eficazes para os obrigar a cumprir com o acordo feito entre as partes, sendo que uma delas era o Estado. Há terça feira da semana a seguir, o PS anda na rua a reclamar contra o péssimo serviço que os CTT prestam aos cidadãos, imiscuindo-se nas opões de gestão da empresa. Eu que moro em Matosinhos, preocupa-me pouco se os carteiros e os centros de distribuição estão em Marco de Canaveses ou noutro lado qualquer. Quero é o correio a horas e na minha caixa.
    Esta é aquela parte em que eu acho que o PS nunca vai mudar, e o pouco que mudou até agora, foi amarrado por terceiros.
    Carrega PS! Na volta, com esse cheirinho a maioria absoluta, começas a ficar com muitas semelhanças ao do tempo de Sócrates.

  2. ui, ainda vão chatear com essa história o professor Coelho, o futuro administrador dos CTT, que os bons serviços são bem pagos

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