A credibilidade da política

Esta notícia que faz a primeira página do Público de hoje é lamentável por dois motivos. O primeiro é porque mostra um triste retrato social do nosso país que, na realidade, teve nos últimos dois anos uma evolução que fica muito aquém das expectativas que foram criadas e cuja concretização as pessoas legitimamente aguardavam. O segundo motivo é igualmente negativo. É que a política permanece como uma das actividades humanas que menos reporta à verdade. E se é certo que a verdade tem muitos rostos, as máscaras que a política usa fazem dela pouco mais que uma mera encenação, destituída de qualquer valor e de qualquer credibilidade.

Comments

  1. Iur Ohnidlan says:

    Já me habituei a este tipo de notícias colocadas de forma cirúrgica na comunicação social para enganar os cidadãos. E aqui o engano é duplo. São os números que não correspondem à realidade, mas alguém acredita que eles sejam exactos (?), há sempre gente a empregar-se e a desempregar-se, outros tantos a morrer, mas pior do que isso, é a intenção deliberada de enganar o português, para os distrair das verdadeiras razões de aqui chegarmos.
    A questão não é tanto se os números correspondem ou não a uma realidade, mas a pergunta que eu coloco era onde andavam estes escrutinadores dos métodos do INE no tempo da troika?
    A metodologia de cálculo foi inventada por este governo?
    O mesmo se passa com a súbita preocupação com os sem abrigo e a pobreza em geral. Onde é que o Presidente Marcelo andava nessa altura do ajustamento de Passos Coelho e Paulo Portas quando comentava na TVI?
    Aquilo que foi ocultado durante mais de 4 anos, é agora notícia de primeira página como se os desempregados, os pobrezinhos em geral, que os há, e muitos, eles tivessem saído neste último ano duma toca algures na Arrábida ou no Marão.


    • Subscrevo o seu comentário!
      Quanto aos sem-abrigo, de nada valerá “abrigar” uns quantos agora, se não tomarmos como prioridade parar/transformar a “máquina” que os “fabrica”.

  2. Motara says:

    Uns óculos davam um jeitaço a alguns lambedores rastejantes.
    Sei que custa, mas esses moços devem experimentar engolir com um trago de jeropiga, perdão… Gerigonça 😉

  3. Motara says:

    Geringonça!

  4. Paulo Marques says:

    O que é verdadeiramente lamentável é http://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php/Underemployment_and_potential_additional_labour_force_statistics , uma inevitabilidade do ordoliberalismo.

  5. ZE LOPES says:

    Monumental! O Público acaba de descobrir a pólvora, a água oxigenada, a fómula da aguardente, quem foi o autor dos “Lusíadas” e os passos do Vira do Minho!

    Só desde ontem, registaram mais cinco patentes! No tempo da troika não havia nada assim!

  6. Bruno Santos says:

    Uma nota aos leitores (agradecendo todos os comentários): nenhum leitor do Aventar é mais crítico da governação PSD/CDS do que o autor destas linhas. Repito, nenhum. Mas, também em nenhuma circunstância, a catástrofe social que essa governação constituiu deve ser usada para justificar a falta de vontade política, que a actual governação por vezes demonstra, para concretizar as justas expectativas que criou.

    Cumprimentos,
    Bruno Santos

    • Rui Naldinho says:

      Ó Bruno, não se trata de ser mais ou menos crítico da governação PSD/CDS. Independentemente das razões que o levaram a escrever este texto, através de uma notícia do Público, ele é até muito pertinente. E fez muito bem em trazê-lo para o Aventar. Agradeço-lhe essa “ousadia”.
      O que ressalta da notícia é algo que no fundo já todos sabemos. O número de inativos tende a aumentar, e com o envelhecimento da população será cada vez maior, seja com este governo seja com outro qualquer. Esses números não entram para a estatística do desemprego?
      Está mal, mas é essa a metodologia, infelizmente. Mas não é assim há uns anos? É concerteza. Então por que razão só agora?
      Os números do desemprego têm vindo a diminuir de forma sistemática, tal como o número de inactivos tem vindo a aumentar, pelo envelhecimento dos desempregados abaixo dos 66 anos.
      Mas querer misturar as duas coisas, dando a entender que alguém está a falsear a realidade, como se ela não existisse desta forma há pelo menos seis ou sete anos, isto para não cometer o risco de exagerar, é hipocrisia da comunicação social. A tal que agora vem falar de cultura de compromisso.

  7. Fernando says:

    O governo Pafioso praticou sadismo com muitos de nós, deixou um país mais pobre e deprimido, é verdade, mas não estamos a fazer um bom serviço se nos deixarmos levar pelo tribalismo.

    Fingir que a Geringonça criou um paraíso e que os problemas desapareceram não ajuda a resolver esses mesmo problemas…

  8. Bento Caeiro says:

    O grande problema inerente à mente das pessoas, é que de uma forma geral não destrinçam pensamento doutrinário de seguidismo partidário. Pelo que alguém detentor de ideias conotadas com a social-democracia – tal como Olof Palme a via – terá muitas dificuldades em manter-se fiel a formações partidárias – mesmo que seja ao PS – porque de uma forma geral a acção política, dentro destas formações, tenderá a subverter a doutrina e, assim sendo, as pessoas revoltam-se. O jogo político – por vezes, nada mais é do que isto – deturpa e produz as suas verdades, que nada contribuirão para o desenvolvimento, a não ser para a sua, eventual manutenção no poder ou na propagação de determinadas ideias – como o que, com frequência, se vê na questão da manipulação dos números, mormente do emprego. Obviamente, que tais atitudes, não prestigiam quem as produz e defende; tendo, certamente, reacções que afectarão as referidas formações políticas de natureza partidária.

  9. antero seguro says:

    Os números oficiais sobre o desemprego são uma fraude. Um verdadeiro atentado à inteligência e uma manifesta falta de respeito pelos desempregado omissos. Os partidos que apoiam o governo deviam demarcar-se deste embuste e exigir uma rectificação do método de cálculo sob pena de ficarem envolvidos nesta autêntica mistificação herdada do anterior governo, cozinhada pelo bloco central. Não devemos pactuar com indignidades porque depois como podemos verificar até neste espaço, aparecem os “velhos do Restelo” do costume a atribuir a responsabilidade ao actual governo. Não basta ser sério tem também que o parecer. O actual governo deve urgentemente rever o método falacioso de apurar o real desemprego.

  10. paasa says:

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