A pasokização do PSD

Aquilo que se passa hoje no PSD é o resultado de mais de quatro anos de governação trágica, ao longo dos quais foi colocada em prática, sob sua liderança, uma política de destruição de Portugal, das suas estruturas económicas, do seu tecido social, da sua cultura, das suas instituições, dos seus órgãos de soberania e, finalmente, da sua força anímica.

Não sendo a memória uma qualidade pela qual os portugueses se distingam nem a conduta política se avalie, uma vez que o populismo, tão facilmente apontado aos outros, se tornou no principal argumento ideológico e no catalisador da amnésia colectiva que domina a democracia portuguesa, não há-de esquecer-se o glorioso desígnio que moveu o PDS nos seus anos de governação e fez Portugal recuar décadas no índice de desenvolvimento humano.

A conta há-de chegar às hostes laranjas, porventura pela pasokização que agora se vai anunciando através da autofagia parlamentar, dos punhais voadores nos passos perdidos e da eleição de um líder interino, Rui Rio, que apresenta como curriculum a sua experiência autárquica, ao longo da qual procedeu à transformação da segunda cidade do país, o Porto, num lugar fantasmagórico, que mesmo durante o dia metia medo.

As ideias que até agora teve a bondade de avançar sobre o futuro do país, reflectem, com eloquência pétrea, o mesmo vazio, um igual deserto, um previsível nada. É natural que António Costa esteja contente, mas Portugal não tem razões para regozijar-se com o estado da sua democracia.

Comments

  1. Mr José Oliveira Oliveira says:

    Falta acrescentar a “Doutrina do Choque”, maningância típica do sistema. Postula que as classes possidentes têm de aproveitar bem as oportunidades abertas por catástrofes ou similares para levar a cabo as políticas mais austeritárias possíveis que de outro modo não poderiam aplicar. Daí a estratégia laranjista de ir além da Troika. É esse o real significado da expressão do nosso candidato a catedrático e ex- PM.
    Não esbanjámos……Não pagamos!!!!!

    • Rui Naldinho says:

      Muito bem. Assino.

      Já dizia e escrevia, Milton Frriedman:

      “Somente uma crise – real ou percebida como real – produz mudança de fato. Quanto essa crise ocorre, as acções dependem de ideias que estão disponíveis no momento. Acredito que essa é a nossa função básica: desenvolver alternativas para as políticas existentes, manter essas alternativas prontas e disponíveis até que aquilo que antes parecia politicamente impossível se torna politicamente inevitável”. (Milton Friedman – Prefácio à edição 1982 de Capitalism and Freedom, University of Chicago Press)

      Passos aplicou esta receita sem pestanejar. Convicto e crente da sua sabedoria importada, com mais de quatro décadas de atraso. Nem original soube ser. A Troika não passou de um pretexto.
      Pinochet não faria melhor do que Passos. Só que para azar do ex primeiro ministro, sorte a nossa, foi estarmos inseridos na Europa, e apesar de tudo a UE/CEE ainda serem um espaço de liberdade, cada vez menos de facto, mas ainda assim não ter chegado ao patamar da América latina.
      Se Portugal fosse na América do Sul, hoje éramos uma ditadura.

  2. É referido que a memória é uma coisa que assiste os portugueses, mas passo a vida a ouvir falar que no meu tempo é que era bom, no tempo de Salazar é que era bom e a política era feita de homens integros… Afinal, em que ficamos, só temos memória para algumas coisas? Este país faria as delícias de Freud….

    • “…no meu tempo é que era bom!”

      Temos que ter conta que quem diz isto, é pessoa já “muito adulta”, a roçar ou a passar a 3ª idade, lugar onde já todos os sonhos e esperanças se desvaneceram. Daí que romantize aquele passado lá ao longe, onde tudo ainda estava em aberto e os sonhos e o devir eram a estrada por fazer…

  3. Antonio Medeiros says:

    Muito bem, Rui Naldinho, o Brasil está na América do Sul e a ditadura despistada está em vigor e os inteligentes daqui não o prceberam.

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