Analytica

 

Fonte: internet

 

O Estado – o Soberano – sabe mais sobre cada um dos seus súbditos do que cada um desses súbditos sobre si próprio. É esse, aliás, um dos fundamentos do poder do Soberano.

Estando o Estado – o Soberano – capturado e detido por Ordens multinacionais cuja característica principal é o ilimitado poder económico e financeiro, são essas Ordens que, de facto, constituem o verdadeiro Soberano e é a ele que os cidadãos estão subjugados, por interposto ritual cívico-político, mero ecrã institucional que não é mais que uma terceira ordem de poder, destinada a revelar (cobrir de novo) a sua real origem.

A ilusão de uma sociedade regulada por princípios de respeito pela individualidade, pelo direito à reserva da vida privada, dos dados e informações relativos à esfera íntima do indivíduo, não passa exactamente disso, de uma ilusão, cujo encanto deveria ser quebrado no momento do próprio nascimento, quando um solícito agente do Soberano recolhe do ponto que fez tombar Aquiles uma amostra do nosso sangue, para “despiste” de certas doenças.

Nessa humilde gota está o que cada um de nós é, foi e será. No gesto aparentemente inocente de a recolher está a primeira manifestação de soberania externa, a primeira e definitiva invasão do território íntimo que cada um de nós trouxe ao mundo. É a partir desse momento que somos prisioneiros de um Poder que, na maior parte dos casos, não chegaremos sequer a conhecer.

Comments

  1. Carlos Almeida says:

    Caro Bruno Santos

    Teorias genéricas sobre coisas concretas, não adiantam muito.

    O que é que tem a ver, a analise ao sangue e às nossas componentes físicas, com a analise à nossa cabeça e aos nossos temores e anseios que a Cambridge Analitics fez e faz, para condicionar os seus votos, por encomenda de terceiros e com o apoio do “Fakebook” ?

    A sua posição faz-me lembrar os que sabendo nós, do apoio que deram e dão à direita, quando são confrontados com os graves erros do “Estado Laranja”, vêm com a tese: Os políticos são todos iguais.

    Não generalise e por favor dê-nos a sua opinião sobre o que fez a Cambridge Analitics, com a conivência do “Fakebook”. Pode ver os vídeos colocados nos meus anteriores post , em resposta ao seu “Quem tem medo do Facebook ?

    Cumprimentos

    C Almeida

    • Bruno Santos says:

      Caro Carlos Almeida, sugiro a leitura do artigo cujo link coloquei abaixo.
      Cumprimentos

    • Bento Caeiro says:

      Carlos, não em defesa do Bruno – já é crescidinho, julgo, e não precisa – sobre estas questões das generalizações, o mal, digo eu, é que à alegação destas se opõem as ditadas por preconceitos e ideias feitas.
      O Soberano, como deverão saber, em certos momentos e sociedades possuía o direito à primeira noite, também conhecido como direito do senhor ou direito da pernada, contudo o estado, pelos seus organismos e instituições que dele se servem, porquanto soberano, não contente com essa primeira noite, passou a dormir connosco todas as noites e como tal passámos a tê-lo permanentemente à perna.
      O direito de pernada, mais do que a primeira pinocada, seria uma forma de mostrar quem detinha o poder, quem mandava e quem tinha de obedecer. E, é isso que o actual estado, pelos seus organismos e instituições que dele se servem – principalmente os partidos políticos – nos querem dar a saber e fazer sentir. Nas quais o indivíduo, enquanto tal, pouco ou nada conta; a não ser como suporte e justificação desse mesmo poder, por meios e métodos – a maior parte das vezes – pouco claros e lícitos. Aqui também entra o ataque feito por certas forças à livre expressão de pensamento e opiniões – por mais disparatadas que sejam – como é o caso do Facebook.

      • Carlos Almeida says:

        Boas

        O “Fakebook” colecta dados que os totós inocentemente lhe fornecem, julgando eles na sua completa ignorancia (90% dos utilizadores não têm ideia de como essas coisas da net se fazem), que os seus dados estarão guardados e em boas mãos e depois o rapazola dono do FB, vende esses dados a empresas que fazem campanhas para Trumps e outras “prendas democráticas”, há denuncias e registos video de entrevistas dos donos dessa empresa Cambridge Analitics que trabalha com os dados do FB, a explicar o seu processo, e depois vêm para aqui com as tretas do “Soberano”, “pernadas”, a justificar não sei o quê.
        Como se os outros não conhecessem os processos do poder na Idade Media.

        Esqueçam a Idade Media onde se refugiam. Falem da empresa do Zuckerberg e das suas acções concretas e do que fez a empresa Cambridge Analitics.

        Pernada !………….

        • Bento Caeiro says:

          Isso é apenas uma utilização de uma ferramenta para determinados fins, pelo que não vamos condenar a mesma pelo aproveitamento que alguns fazem da mesma.
          O que tem a empresa Zuckerberg que tanto o repugna? Fez, de uma forma mais expedita o que outros fazem de outra forma e por outros meios, como sejam os organismos, institutos e empresas ao serviço dos estado e dos partidos: veja-se o papel do INE e das empresas ditas de Comunicação, para esse fim.
          Meu amigo, sempre assim foi e será: cada qual retira o melhor daquilo a que tem acesso e mais conhece.

          • Carlos Almeida says:

            Sr Caeiro

            “O que tem a empresa Zuckerberg que tanto o repugna? Fez, de uma forma mais expedita o que outros fazem de outra forma e por outros meios, como sejam os organismos, institutos e empresas ao serviço dos estado e dos partidos: veja-se o papel do INE e das empresas ditas de Comunicação, para esse fim.”

            Tirou-me as palavras da boca. Repugna mesmo e há muita gente a dar-lhe cobertura..
            E depois la vem a velha frase “dos políticos são todos iguais” numa nova versão: “outros fazem de outra forma e por outros meios,”

            Mas vamos deixar-nos de teorias e fiquemos nos factos
            1 – A empresa Cambridge Analitic foi apanhada a descrever o processo de como usa os dados obtidos do “Fakebook” para campanhas eleitorais
            2 – O “Fakebook” confirma que os dados foram obtidos a partir das suas DB, mas que não os vendeu
            3 – O dono do “Fakebook”, dias antes da bronca, estava a vender 900 milhões das suas acções, para minimizar prejuizos, mas a “confessar” o conhecimento do problema, mesmo antes de aparecer a reportagem

            Abaixo o link para a reportagem caso tenha ainda duvidas. Por exemplo o papel da CA e do FB na campanha do Trump,

            https://youtu.be/cy-9iciNF1A

            Se ainda tiver duvidas arranjo mais vídeos, infelizmente igualmente em inglês

          • Carlos Almeida says:

            Boas novamente Sr Caeiro

            Ainda sobre o FB e a empresa Cambridge Analytics

            Ha uma troca de emails entre uma executiva do FB e um funcionario da Cambridge Analitcs, relativamente ao fornecimento de informação do FB ao CA em 2015, a quando das eleições do Ted Cruz, politico Republicano de ascendência Cubana.

            Obtidos em 2015, os emails obtidos pela Business Insider, mostram a gerente de politica da Rede Social FB, Allixon Hendrix a perguntar se havia irregularidades a respeito do uso dos dados pela empresa CA, na campanha presidencial do camdidato Ted Cruz

            Ver abaixo no site da infomoney

            http://www.infomoney.com.br/negocios/grandes-empresas/noticia/7343587/escandalo-facebook-vazam-emails-entre-facebook-cambridge-analytica

      • Bruno Santos says:

        “O Soberano, como deverão saber, em certos momentos e sociedades possuía o direito à primeira noite…”

        Ver “As mil e uma noites”.

      • Carlos Almeida says:

        Boas

        Deixo dois artigos publicados no Publico sobre este tema

        Uma abordagem adulta do Pacheco Pereira

        Por que é que um cão com chip é mais livre do que um humano servo do Facebook

        https://www.publico.pt/2018/03/24/politica/opiniao/por-que-e-que-um-cao-com-chip-e-mais-livre-do-que-um-humano-servo-do-facebook-1807883

        E mais um branqueamento do João Miguel Tavares

        O Facebook não ganha eleições

        https://www.publico.pt/2018/03/22/mundo/opiniao/o-facebook-nao-ganha-eleicoes-1807491

        Que o FB não deveria ter feito isto e aquilo, que o Cambridge Analytic tem praticas lastimáveis, etc etc treta e mais treta.

        Tenta negar o que os próprios agentes da CA dizem que fazem e como conseguem vitorias para os seus clientes.
        E de certeza que faz isso com alguma intenção e nós sabemos qual é

        Diz o Tavares, tentando negar o papel do FB e da CA nas vitorias do Trump e alguma direita pelo Mundo fora

        “É preciso bem mais do que um feed amestrado para conseguir manipular milhões de votos. Convém denunciar as más actividades do Facebook sem transformar os seus utilizadores em meras marionetas de Mark Zuckerberg.”

        Estes escribas que vivem no seu conforto urbano, não conhecem as pessoas que vivem fora das cidades e concretamente nas zonas rurais. A grande maioria dessa gente nunca teve computadores nem ligação nenhuma às tecnologia da informação. Agora com a Internet disponível num telemóvel e o acesso ao FB, ficam completamente maravilhados, obcecados e controlados, pois conseguem falar e mesmo ver os netos e filhos na Suiça ou França,
        Nesse sentido, muitas dessas pessoas estão completamente controladas e são marionetas do Zuckerberg.
        Mas infelizmente, há muita outra gente que por ter estudado já deveria pensar com a própria cabeça, mas vai na onda ou na moda, característica muito comum ao Português.

        Eu estou como dizia o outro:

        “Eu não vou por aí”

        C Almeida

  2. ganda nóia says:

    as voltas que ele dá para atribuir ao estado este mal. não, não é o estado o papão. são os que querem acabar com ele para o substituir por algo pior.

    • Carlos Almeida says:

      Correcto e afirmativo

      • Bento Caeiro says:

        Sobre o caso acima tratado: a constatação de um facto ou evento e a sua enunciação não implica a sua aceitação ou concordância com o mesmo. Para dizer, que não podemos querer tapar o sol com uma peneira ou então ficarmos muito repugnados com a realidade das coisas. Até porque não é a negar a realidade que podemos fazer algo de útil.
        Se um dos intuitos de certas ferramentas é a recolha expedita de informação, então o que há a fazer é evitar fornecê-la ou, então, fornecer apenas a que nos interessa.
        Lembra-se, certamente, das Páginas Amarelas; pois saiba que durante muitos e muitos anos, esta foi a fonte de recolha de dados de muitas empresas, institutos – mesmo os que não tinha acesso às bases de dados, faziam-no com recurso à digitalização das próprias PA. Qual a diferença? Agora atinge maiores proporções, é mais informativa e de mais fácil de recolha. Também lhe digo que já nessa altura havia – para evitar o acesso aos nossos dados – os telefones confidenciais.
        Portanto, meu amigo, nesta demanda, sigamos Maquiavel e, fundamentalmente, Sun Tzu e ganhe o que mais saiba procurar e esconder.

        • Carlos Almeida says:

          Boa noite Sr Caeiro

          Tem razão quando diz que a constatação de um facto não implica a sua aceitação.
          Mas se esse facto é resultante de uma acção com que nós não concordamos, temos obrigação de combater essa acção.
          E concretamente a acção é:
          O “Fakebook” colocou à disposição de outra empresa para a realização de actos anti democráticos a sua Base de Dados. Estou convencido que foram vendidos, mas até dou de barato que tenham sido “oferecidos”.

          Eu combato a acção do “FaKebook” e neste momento não só a acção. Estou a incentivar os meus amigos com conta nessa plataforma para entrarem no movimento Deletefacebook e ensinar-lhe como se faz

          Claro que concordo consigo quando diz que “então o que há a fazer é evitar fornecê-la ou, então, fornecer apenas a que nos interessa”

          Mas isto diz o senhor, que diariamente escreve em Blogs e não aquela pessoa que sem qualquer experiência anterior de computadores ou sequer informação, se vê perante um sistema fácil de utilizar (sim porque o Zuckerberg não é burro) e onde a troco de dar alguma informação de si próprio, pode num mesmo local e sem saber nada, falar com a família, enviar fotos e uma serie de coisas. Coisas que também são possíveis de fazer de outra maneira, sem FB, mas estão dispersas em vários aplicativos, Mas o perigo para nós e o maravilhoso para o FB, é que toda esta informação esta tudo na mesma plataforma e la ficrá registado e pronto a ser vendido a quem pagar.
          Conseguir pagar a conta no FB é uma proeza complicada que só por si diz bem do tipo de gente que está a gerir a FB.
          A maior parte das pessoas que eu conheço que utilizam o FB, é gente com literacia zero em tecnologia e sem qualquer noção dos perigos da concentração de dados numa única plataforma. Dá toda a informação que lhe pedem e mesmo a que não lhe pedem.

          Faço assistência a sistemas de telecomunicações por nós montados em zonas rurais e as pessoas das aldeias ficam muito admiradas quando lhes digo que não tenho conta no FB. Mas é claro, trata-se de pessoas em zonas rurais, gente que não tem conta de email, trabalha em tablets porque o Windows é muito complicado, etc etc.
          Faz o que o FB deixa e não tem a mínima ideia do que de maravilhoso está na Internet para lá do “Fakebook” e em boa verdade tambem não sente necessidade. Se fossem telenovelas aí sim, iriam la.
          Essa “jaula” em que tecnologicamente o FB coloca estas pessoas sem conhecimentos, é o que mais me repugna no Zuckerberg e restante quadrilha.

          Profissionais de telecomunicações e gente com outra experiência não usa o FB ou usa num mínimo.

          Falou nas paginas amarelas. Outro exemplo por detrás do qual está outra mafia: a Ex Portugal Telecom, agora propriedade dum compincha do Zuckerberg

          Cump

          Carlos Almeida

        • Paulo Marques says:

          “Lembra-se, certamente, das Páginas Amarelas; pois saiba que durante muitos e muitos anos, esta foi a fonte de recolha de dados de muitas empresas, institutos – mesmo os que não tinha acesso às bases de dados, faziam-no com recurso à digitalização das próprias PA.”

          Evidentemente, mas há muitos padrões que se podem recolher da navegação da internet + localização e duração da permanência, bem como pessoas no mesmo local + informações sobre transações do google wallet + …

          “Qual a diferença? ”

          Hoje grande parte é ilegal, e a partir de Maio ainda mais e com penas a sério. Se hoje em dia é normal receber uma chamada da Meo mal aluga uma casa, a partir de Maio pergunte como têm os seus dados e faça queixa.

          • Carlos Almeida says:

            Boa tarde Paulo Marques

            Mas são coisas completamente diferentes, aparecerem nas PA os nomes das empresas, endereços e telefones, que são coisas objectivas e que eu próprio usei para fazer o envio de fax com publicidade e depois email com o mesmo fim de ter o nome, email, gostos, preferências, localizações, ideias politicas etc etc etc, enfim tudo o que os totós do FB colocam nas suas paginas.
            Para alem de partilharem esses dados com gente que nunca vira, não sabem quem são ou o que pretendem, mas que são os “amigos do facebook”
            Só esta atitude dá a imagem de quanto irresponsáveis e imprudentes são.
            “Amigos do facebook” !!!!!
            E não estou sequer a falar da informação que se pode tirar das nossas navegações na Net, principalmente para que utilize o Windows 10, mas também as localizações pelo GPS para os distraídos que não desactivam essa função quando não necessária. Estou a falar da informação que voluntariamente os utilizadores do FB colocam nas suas paginas e essas é uma mina de oiro para o Zuckerberg. Para mim a solução foi foi fazer um delete mental ao facebook antes de criar a conta.

            Quanto aos “Irmãos Metralhas” da MEO alias Altice, normalmente quando recebo uma chamada sem numero, já sei que é dessa empresa e não atendo.
            Mas é interessante a informação que me dá, pois a partir de Maio vou passar a atender e perguntar-lhes como obtiveram o meu numero telefone.
            Os Metralhas deveriam ser proibidos de fazer chamadas de venda sem qualquer numero telefónico identificativo.

    • Bruno Santos says:

      Caro Sr. nóia, V. Exa. está a defender aquilo que pensa que está a atacar.

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Eu penso que o problema não estará na recolha de dados.
    O problema é o uso que deles se fará.
    Portanto, se a “partilha” da informação própria conseguida, desde que se nasce, como exemplo do sangue que dá, for utilizada para fins menos confessados, aí sim teremos um problema.
    E a forma como o Sistema Capitalista nos coloca nas mãos de inconfessados interesses é, no mínimo perturbador.
    Os exemplos que nos vêm chegando – que não pela imprensa – são assustadores e cobrem um vastíssimo campo que vai desde a indústria farmacêutica e dos pesticidas, às editoras, ao jornalismo e à televisão que nos vão lavando o cérebro.

    Tenho exposto aqui noutros posts que é a altura do cidadão se questionar, de pensar e de escolher conscientemente, depois de se informar.
    O estado da sociedade McDonald’s que atingiu o cidadão, que se alimenta sem cessar dos actuais meios de comunicação, deveria constituir o catalisador da nossa atenção, em vez de nos adormecer.

    • Carlos Almeida says:

      “E a forma como o Sistema Capitalista nos coloca nas mãos de inconfessados interesses”

      Mas essa é a marca de agua do sistema capitalista, ou não será ?

      Quando diz que:
      “Eu penso que o problema não estará na recolha de dados.
      O problema é o uso que deles se fará”

      Como não tenho controle no uso que deles se fará, prefiro não permitir a recolha de dados. Não confio nos sistemas gratuitos, que de mim querem o que é mais importante para eles. Não levam nada, porque nem sequer abro qualquer conta,seja no “Fakebook” seja em outra qq rede dita social.
      Fiz ha 3 anos a excepção de abrir conta na rede para profissionais Linkdin, mas ja acabei com isso quando o Linkdin, foi comprada pelo gang do Bill.
      O “Fakebook” que está neste momento a ser rejeitado pelos “netos teenagers”, tem grande adesão dos avós, gente que ate uma vez lhes terem mostrado o FB, nem sequer sabiam o que era a Internet a não ser das telenovelas da TV. E é este publico alvo, os adultos, que interessa ao FB, para venderem os dados aos CA e outros que apareçam.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Caro Carlos Almeida.
        Eu não vou negar nenhuma das suas afirmações e a resposta à sua pergunta é obviamente, sim.
        Agora, o que eu acho que temos que olhar para as coisas de um modo positivo senão, um dia destes, não saímos de casa sequer, face aos atentados de toda a natureza a que estamos sujeitos.
        Naturalmente que fará as suas escolhas em matéria de segurança que entender, mas eu não mudo o que escrevi e repito: o problema não está na recolha de dados, mas no uso que deles se poderá fazer.
        A nós compete-nos estar atentos e denunciar atentados ao seu mau uso. E olhe que há fartos exemplos disso.
        A recolha de dados tem tido factores extraordinariamente positivos, nomeadamente no despiste de doenças e mesmo noutros campos onde entra algum bem estar das pessoas.
        Neste campo e noutros, não sou maniqueísta.
        E o caro Carlos Almeida termina como eu terminei ou seja: nos tempos que correm, devem as pessoas procurar informação e descodificá-la antes que sejam definitivamente descodificados.

        • Carlos Almeida says:

          Caro Ernesto Ribeiro

          É evidente que as pessoas devem escolher a sua própria segurança. Eu pessoalmente dou de mim próprio para a nuvem o mínimo de informação possível.

          Curiosamente há cinco minutos fiz uma pesquisa no Google com o meu nome completo e apareceram apenas 2 links:
          1 -Uma informação de uma coisa em que participei por nomeação em Decreto lei em 1975
          2 – Conta no Google + em que apenas tenho o meu ano de nascimento em 1914 e pouco mais

          Tinha conta no Linkdin,e com muita pena minha deixei de responder, pois tinha só em Cuba mais de 300 contactos de gente ligada a tecnologia/telecomunicações. Foi comprada pelo gang do Bill, para mim o Linkdin acabou

          Eu sei que há muita maneira do sistema saber o que fazemos, onde andamos e o que acedemos, mas eu minimizo sempre as facilidades que lhes concedo.

          No produtos do Gang do Bill, nunco actualizei para o Windows10, versão do SO que permite ao Bill registar as nossas navegações
          É claro que eu sei que com o Gmail, ficam registados todos os meus email.
          Mas daí a dar informação do que gosto, do que não gosto, colocar fotos das viagens que faço à disposição de gente que vai vender essa informação, nunca.

          Diz que “A nós compete-nos estar atentos e denunciar atentados ao seu mau uso. E olhe que há fartos exemplos disso”

          É claro que isso é o mais importante. Já fiz isso aqui, mas aparecem logo os “branqueadores” e historias da idade media. Enfim tretas de quem sobre o assunto concreto nada diz ou quer dizer.

          Cumprimentos

          c Almeida

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Caro C. Almeida.
            Eu também sou um ser de provecta idade, mesmo em cima dos setenta e imagine que não sabia que o Windows 10 permitia a partilha de informação involuntária.
            Em todo o caso, viajo imenso e tenho o cuidado de não ter nunca o telefone activado para a localização, mas sei que se “eles” quiserem, me localizam. Hoje, de facto, todos estamos localizáveis. Digamos que as nossas atitudes retardam o efeito, mas no fundo, sem consequências para “eles”.

            Assino por baixo os seus considerandos sobre os “branqueadores” medievais. Eles andam por todo o lado e até aqui no Aventar.
            Já aqui fui apelidado de comunista que, de resto, é fruto de uma classificação maniqueísta e salazarenta – mas isso não me preocupa nada, pois sigo de perto o velho aforismo “os cães ladram e a caravana passa”.
            É bom sermos capazes de pensar pela nossa cabeça.
            Foi um prazer.
            Cumprimentos.

        • Carlos Almeida says:

          Caro Ernesto

          “A utilização de dados tem sido utilizada e é utilizada para desmontar redes de terroristas e assaltantes.”

          Acha que algum criminoso profissional usa o FB ou o Twitter para contactar entre si? Eles têm outros meios na Internet subterrânea e escondida dos utilizadores comuns para comunicarem. Só apanham eventualmente, (se é que apanham ou se essa informação não é mais um meio de promoverem o FB e o Twitter) os amadores.

          A Internet é uma rede e para mexer em redes não basta ter conta no “Fakebook”. Curiosamente, sendo eu profissional de telecomunicações e na área tecnológica onde trabalho ando há mais de 10 anos em constante formação e a “apanhar porrada dos sistemas”, cada vez encontro mais clientes a tentarem me explicar como devo configurar as minhas redes. Backgrund deles: um Androide ou iPhone e conta no FB,
          Ha 2 anos quando a moda começou, ainda reagia e tentava corrigir as evidentes asneiras, fruto apenas da ignorância e ou inexperiência, mas, agora não digo nada. O velho ditado dos feirantes dizia: Albarda-se a burra à vontade do dono.
          O problema é que sendo os sistemas cada vez mais intuitivos e fáceis de mexer quer em PC quer em SmartPhones, os utilizadores normais não têm a mínima ideia da complexidade e da dificuldade que é colocar essas facilidades ao serviço deles. Como diz um familiar meu: é tudo automático. Pois é, mas esse automatismo que as pessoas usam sem pensar meia vez, para alem de dar muito trabalho a fazer, é o que interessa ao Zuckerberg, dono do FB e aos outros. Uma das técnicas das compras ONLINE é fazer com que as pessoas ajam (comprem bens e ofereçam os seus dados), movidas por um impulso emocional e não pensem muito sobre o assunto. E quanto maior for a iliteracia cultural, tecnológica ou as duas , mais fácil a estes sistemas funcionarem bem e o os seus donos ganharem muito dinheiro.

          A proposito de fortunas pessoais:

          Zuckerberg do FB: 66 mil milhoes de $USA
          Bill Gates da Microsoft : 90 mil milhoes de $USA
          Jeff Bezos da Amazom : 127 mil milhoes de $USA

          Fazer usar a emoção e não a razão é também a técnica usada pela Cambridge Analitics, que comprou os dados ao Zuckerberg do FB. A explicação dessa técnica de usar as emoções é, evidente na entrevista no canal de TV inglesa, cannel4 ao chefe da Cambridge Analitics em vídeo que já disponibilizei aqui no AVENTAR.

          A proposito do Mark Zuckerberg, dono do FB, já há um movimento dentro do FB a tentar demitir o Zuckerberg de CEO do FB. De facto em 4 dias as acçoes passaram de 181 $USA para menos de 160 $USA.

          Cump

          C Almeida

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Boa tarde caro Carlos Almeida.

            Foi extremamente claro (desde o início entenda-se) e agradeço-lhe todas as informações.

            Ouvi falar na detecção de redes criminosa por meio das redes sociais. mas como diz, serão amadores.

            É de facto assustador tudo o que narra e mais assustador é, quando se enche a boca com a liberdade e direitos dos cidadãos e ver este tipo de ferramentas entregues a pessoas sem escrúpulos, associado a uma ausência de regulação.
            Assusta, de facto.

            Cumprimentos.

    • Bruno Santos says:

      Começa, talvez, por perceber que a McDonald’s não vende carne, vende alta tecnologia que por acaso se come.

      • Carlos Almeida says:

        Alta tecnologia que eu não dava aos meus cães.

        Por acaso o McDonald’s, conforme um deles me disse, não pertence aos “Isacs”

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Já percebi isso há muitos e muitos anos e por isso, nunca fui consumidor da cadeia.
        Mas já agora para que percebamos todos, o McDonald’s que refiro no texto, é uma figura de retórica.

        • Carlos Almeida says:

          Caro Ernesto

          Sim no seu post

          Mas estava a responder ao Sr Bruno Santos, especialista em “Tecnologias”,

          Essa tambem é uma das coisas que nunca fiz na vida. Entrar no MacDonald´s. Já tenho alguns problemas no serrote devido à idade, mas carne mastigada não como, muito menos lá.

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            🙂
            Em todo o caso a minha resposta era mesmo para o caro Bruno Santos 🙂
            Mas foi excelente este aparente desencontro.

        • Carlos Almeida says:

          Boa noite Sr Ernesto

          Já cá cantam também 74. Mas haja saúde e coza o forno

          Ainda sobre o FB

          As acções do dito continuaram a baixar (hoje mais 3 % para menos de 160 $USA) e mesmo que o Zuckerberg diga que ainda não notou muitas contas apagadas, ja ha algum movimento de alguns notaveis a anunciar que apagaram a conta no FB.
          Por exemplo o CEO da Tesla ELON MUSK

          https://stocknews.com/news/fb-tesla-ceo-elon-musk-says-he-is-deleting-teslas-facebook/

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Muito bom dia caro Carlos Almeida.
            Por favor, trate-me só por Ernesto 🙂
            Sim, estou bem ao corrente da problemática do FB.
            O que eu acho é que deveria existir regulação para castigar fortemente quem se aproveita dos dados lançados à natureza para realizar mais valias. E quando vejo que essa regulação tarda em aparecer, fico deveras preocupado.
            Mas penso que por mais que nos defendamos, estamos mais que “traçados”. Restar-nos-ão certas liberdades e aí estou completamente de acordo com o meu amigo, não vamos dar de barato o ouro ao bandido ou seja, protejamo-nos.
            Em todo o caso tenho para mim que a utilização de dados é algo que funciona como o vinho, o tabaco e muitos medicamentos. Quando em excesso, deixam de ser um bálsamo para passar a ser uma doença.
            A utilização de dados tem sido utilizada e é utilizada para desmontar redes de terroristas e assaltantes. Este, ao lado da medicina, é o lado positivo da coisa ou se quiser, é o copo de vinho tinto à refeição ou o cigarro diário. O que o FB faz, por interpostas sociedades de malfeitores, como a Zuckerberg, é o lado negativo da exploração.
            Vivemos numa sociedade onde o banditismo de toda a espécie abunda. A transformação social trazida pelo capitalismo, conduzirá o mundo à situação que se viveu no comunismo ou seja, uma situação de domínio a cargo de uma pequena franja da sociedade que só se terminará com uma revolução a sério tipo Revolução Francesa e não por uma qualquer Glasnost ou um qualquer 25 de Abril. Acredite que estou convencido que ainda a veremos. Não se pode impunemente massacrar toda uma sociedade do modo que vemos, sacrificando tudo em nome do deus dólar ou euro.
            E neste campo, também a toma ilegal de dados tem o seu lugar ou seja, todos sabemos que há despudorados que realizam mais valias, à nossa custa e à custa do que é propriedade privada.
            A sociedade está verdadeiramente doente e a Europa moribunda, depois que copiou um modelo que é a antítese da sua evolução.
            Abraço e votos de excelente saúde.

    • Paulo Marques says:

      “O problema é o uso que deles se fará.”

      O problema com isso é que os dados que oferece hoje serão usados daqui a 5, 10, 20, 30, 40 anos, uma vez que o custo de armazenamento é zero e o custo de processamento tende para zero também. E quem sabe qual serão as leis na altura? E quantos roubos de identidade existirão com a patética segurança da Internet? Quantos políticos serão mais facilmente ameaçados ou corrompidos?

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        E daí?
        Então o problema é mesmo o uso que deles se fará…
        Estou totalmente de acordo consigo. Mas repiso que esse, é o lado mau da questão. Como sou optimista por natureza, não queria deitar às urtigas o lado bom que também existe, como referi atrás, por exemplo, no despiste das doenças.

        • Paulo Marques says:

          Também não quero, daí andar a aprender as técnicas (isso e a empregabilidade). Mas é preciso um controlo apertado da recolha e distribuição, apoiado em penas fortes para falhar propositadas e negligentes.
          Que parece ser o que a UE conseguiu fazer com a GDPR, a entrar em vigor em Maio e que afecta todas as empresas que fazem negócios com a Europa, estando cá ou não. O que fazer, enquanto cidadão, é andar em cima das empresas a ver que dados têm e para apagarem a informação quando não for necessária, instrumentos obrigatórios graças a essa directiva.
          Há ainda o direito a ser esquecido, de balanço bastante mais complicado, mas com razões de ser.

          A Europa não se esqueceu das lições da segunda guerra e da guerra fria, felizmente.

          • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

            Estamos completamente de acordo no que toca à regulação, algo que é impensável não existir em matéria tão delicada.
            Mas custa-me que tenha que ser o cidadão a preocupar-se com o que fazem aos seus dados. Que se preocupe com os dados que fornece, estamos de acordo, mas estar a fazer o papel de polícia social, não me parece correcto.
            Mas a verdade é que não há para já, saída.

            Mas há um ponto em que não estou, de todo, de acordo consigo que é quando afirma que … “A Europa não se esqueceu das lições da segunda guerra e da guerra fria, felizmente” …
            Esqueceu sim senhor caro Paulo Marques.
            Para já repare que toda esta informação serve fundamentalmente os americanos que vão constituindo uma network que nos faz rir de uma qualquer do antigo KGB, da Scotland Yard e do FBI todos juntos. Ao dia de hoje, não sabemos quem domina esse infinito banco de dados. Mas não é a Europa seguramente.
            Mas esqueceu mais. Esqueceu, por exemplo que a segurança das suas fronteiras não pode ficar dependente de uma qualquer externa NATO. Mandou às malvas a sua defesa, permitiu que os americanos se encarregassem do Kosovo e agora, passeiam-se livremente pelos pontos sensíveis desta Europa realizando exercícios militares. A Europa não percebeu que se entregou de mão beijada a uma potência imperialista, como seria, se o caso fosse com a Rússia. E ironia do destino, veja só quem anda agora a discutir a necessidade de um exército europeu: justamente a força Teutónica…
            E assim vamos: dá-se a volta ao círculo e regressa-se ao ponto de partida …
            Cumprimentos.

          • Paulo Marques says:

            Estava preguiçoso e a querer acabar. Referia-me ao que as SS, a Stazi e outras burocracias fizeram com a informação.
            Imagino que o controlo se comece a apertar também aos estados europeus, porque o descontrolo sobre a informação nos hospitais mete medo. E parece que a tangerina fez os governos terem noção do que é partilhar informação com a CIA, coisa que décadas de espionagem industrial não fizeram.
            Quanto às redes sociais, ou permitem o mesmo controlo ou saem do mercado europeu. O Google permite apagar os dados, por isso ainda tenho conta (está na altura de mais uma purga), o resto não tem acesso a mim graças ao uBlock.

  4. Bruno Santos says:
    • Carlos Almeida says:

      Estão a confundir a Internet com o site do “Isac”

    • Paulo Marques says:

      Primeiro, a campanha de Obama não fez o mesmo, pediu permissão – embora pareça que tenha usado informação sobre terceiros na mesma.
      Segundo, a censura na internet não é nada de novo, muito menos no Facebook, e há-de cair com o peso da sua impossibilidade.
      Terceiro, não ter conta no FB não impede que tenham um perfil completo e actualizado sobre si, porque os scripts presentes por toda a internet mandam-lhe informação.
      Quarto, se quer fazer alguma coisa, comece em Maio a mandar pedidos para todo o lado a pedir a sua informação pessoal ou a sua remoção. Viva a GDPR.


  5. “O Estado – o Soberano – sabe mais sobre cada um dos seus súbditos…” nem neste caso temos coragem de reconhecer e afirmar a realidade…

    “O Estado – o Soberano – sabe mais sobre cada um dos seus escravos…”

  6. Carlos Almeida says:

    Como apagar temporariamente ou mesmo definitivamente a conta do “Fakebook”

    Não experimentei, porque não tenho conta, mas quem quiser tentar para se livrar da praga, siga as instruções dadas num artigo do Publico. Abaixo segue o link

    https://www.publico.pt/2018/03/20/tecnologia/perguntaserespostas/como-sair-do-facebook-1807427

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