Marés Vivas: nova derrota judicial de Eduardo Vítor Rodrigues

Foto: Público

O Ministério Público acaba de arquivar as queixas-crime apresentadas por Eduardo Vítor Rodrigues, o cacique de Gaia, contra os ambientalistas que se opuseram à realização do Festival Marés Vivas junto à Reserva Natural do Estuário do Douro.

Prosseguindo a saga judicial que o traz entretido praticamente desde que tomou posse – sendo fácil perceber o motivo pelo qual Gaia é hoje uma cidade parada no tempo -, o presidente da Câmara, agora promovido também a presidente da Área Metropolitana do Porto, apresentou contra dois activistas queixas-crime por difamação e calúnias, na sequência da sua oposição à realização do Festival Marés Vivas junto à Reserva do Estuário do Douro, em Vila Nova de Gaia.

Um dos cidadãos acusados por Vítor Rodrigues – e agora ilibado pelo Ministério Público – proferiu, na altura, as seguintes afirmações, constantes do Despacho de arquivamento da Procuradoria da República da Comarca do Porto, ao qual foi possível ter acesso:

“O presidente da CM entendeu que a vegetação arbustiva do Vale de S. Paio não era uma espécie protegida e avançou com o atentado ambiental do festival no local, levando à irradicação desta espécie e do ecossistema que o suportava, se isto não é um crime de lesa natureza. Na falta de argumentos capazes contra um facto inegável que é a péssima e absurda localização de um festival multitudinário e ruidoso junto a uma reserva protegida, muita desinformação e manipulação com o intuito de convencer os incautos cidadãos de Gaia; o presidente da CM tem sido um exemplo ignóbil de política baixa, medíocre, caluniosa e provinciana, e merece que lhe caia em cima todo o peso da lei com uma pena que faça jus à sua grosseria e menoridade política. É triste que esteja a arrastar com o seu lodaçal e pela sua cega teimosia uma série de boa gente que deve estar mais que arrependida”.

Este despacho é uma vitória para a Democracia e para a Justiça, e deveria servir de lição a todos aqueles responsáveis públicos que gastam o seu tempo e os recursos do povo tentando instrumentalizar a Justiça e colocá-la ao serviço de campanhas de intimidação e silenciamento dos cidadãos.

Além disso, é mais uma vergonha para o Partido Socialista, sempre tão pronto a afirmar-se como grande defensor dos valores de Abril, designadamente a cidadania, democracia e a liberdade, mas que, na prática, cauciona comportamentos próprios de uma ditadura como a que reinou neste país durante quase cinquenta anos.

Comments


  1. 😆 😆 😆

  2. Luís Lavoura says:

    Um linquezinho para uma notícia publicada não cairia mal deste post…

    • Bruno Santos says:

      A notícia é em primeira mão.
      Se não a vir publicada nos jornais, pergunte-lhes o motivo.


  3. ….DENUNCIAR é preciso !!!

    No entanto a podridão política instalada é perene como a relva !!!

Trackbacks


  1. […] Mais uma derrota judicial para o presidente da CM de Gaia Por falar em vergonha… este indivíduo é do mais nocivo que existe a presidir a uma autarquia, ambientalmente pior que uma nulidade, um factor de destruição. Isto a propósito do Festival Marés Vivas virtualmente em cima da Reserva do Estuário do Douro. Mas o povo quer é circo, os pássaros não votam. Aventar. […]


  2. […] outro ambientalista, Paul Summers, foi igualmente alvo da fúria judicial do autarca de Gaia por causa da Reserva do Estuário do Douro e do Festival Marés Vivas, tendo a queixa de Vítor […]

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