Pequena nota

Na sequência de notícias publicadas, durante o dia de ontem, pelo Diário de Notícias e pela TSF, relativas ao julgamento em que é arguido o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, acusado pelo Ministério Público do crime de Difamação agravada, remeti aos dois órgãos de comunicação social o pedido de resposta e rectificação que se segue:

Ao abrigo do n.º 1, do n.º 2 e n.º 3 do artigo 24º da Lei nº 2/99, de 13 de Janeiro (Lei de Imprensa), conjugados com o n.º 2, alínea a), e o n.º 3 do artigo 26º da mesma Lei, vem o signatário requerer junto de V. Exa., os direitos de resposta e rectificação da notícia publicada pela TSF, no dia 10 de Abril de 2018, sob o título “Acordo falhado pela segunda vez leva autarca de gaia a julgamento por difamação”:

A TSF publicou, na sua edição online de 10 de Abril de 2018, uma notícia com o título  “Acordo falhado pela segunda vez leva autarca de Gaia a julgamento por difamação”, na qual são atribuídas ao presidente da Câmara de Gaia várias afirmações irrelevantes. Há uma afirmação, contudo, que, pela gravidade da suspeita que lança sobre o aqui signatário, exige competente esclarecimento.

É a seguinte a afirmação em causa, citada na notícia publicada por V. Exa. e produzida por Eduardo Vítor Rodrigues à porta do Tribunal onde está a ser julgado pelo crime de Difamação agravada:

“o município [de Vila Nova de Gaia] tem quatro processos em curso contra Bruno Santos, estando nomeadamente em causa um relacionado com falsificação de assinatura”.

O processo em causa, referido capciosamente pelo presidente da Câmara de Gaia, está em fase de inquérito sob a responsabilidade do Ministério Público e resulta de uma queixa-crime apresentada por Albino Almeida, presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia, contra o aqui signatário, a 10 de Outubro de 2017, queixa essa em que o acusa de “ter falsificado” a sua assinatura numa Carta de Recomendação que, como será oportunamente provado, o próprio presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia redigiu e assinou no dia 10 de Setembro de 2016, há mais de um ano e meio atrás.

A intenção subjacente a esta denúncia infame e caluniosa, assim como a referência capciosa que a ela faz o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, à porta do tribunal onde está a ser julgado, procurando, mais uma vez, atacar a idoneidade do signatário, é evidente para quem a quiser ver, muito oportuna para Eduardo Vítor Rodrigues, mas certamente pouco impressionante para o Tribunal a quem cabe julgar o presidente da Câmara de Gaia.

Ainda assim, e uma vez que esta infame suspeita foi lançada através do órgão de comunicação social que V. Exa. dirige, solicita o aqui signatário a publicação desta resposta, assim como do documento que a acompanha (cópia da Carta de Recomendação redigida e assinada pelo presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia, autenticada pelo Ministério Público a 20 de Janeiro de 2018 e datada de 10 de Setembro de 2016).

Vila Nova de Gaia, 11 de Abril de 2018

Bruno Santos

 

  • Adenda a 12 de Abril de 2018 (22:46): Ligação

Comments

  1. JgMenos says:

    Que os treteiros paguem, são os meus votos!

  2. Bento Caeiro says:

    Amigo Bruno, acabei de ler o artigo do “DN”. É mais que óbvio que há uma tentativa de manipulação da opinião pública no sentido de apresentar o Bruno como pessoa de má-fé e que não merece confiança – não sendo pessoa de bem:
    Vejam lá que o município até terá quatro processos contra Bruno Santos e um – atentem – é de falsificação de assinatura; vejam bem com que tipo de pessoa estamos a tratar.
    Sendo esta a mensagem que o presidente da câmara quer fazer passar para o público, em geral.

    Sabendo, por experiência própria, como esta gente das câmaras actua, a minha inteira solidariedade para com a tua luta.

    Também, um à parte: porque muito pouco crente em certos parâmetros da justiça, costumo dizer: que a verdade que muitas vezes é encontrada nos tribunais, pouco ou nada tem a ver com a verdade dos factos, pelo que é de muito bom tom precaver-nos com as alegadas verdades que gente como essa quer fazer valer nos tribunais, porque, infelizmente, por vezes, passa.

    • doorstep says:

      Exacto, exactíssimo, Bruno Caeiro!

      A verdade “processual” raras vezes coincide com a verdade “material”, e o aspecto mais grave dessa inevitabilidade é que a maior parte dos juízes não a têm em conta na hora de julgarem, pois a verdade “processiual” é sempre mais confortavel e politicamente correcta.

      Repito o que sugeri há dias: a justiça “brasileira” não está à nossa porta – já está incrustrada no sistema judicial português desde há muito.

      Referindo-se a um tribunal algo decrépito, uma jovem juiz recém saída do CEJ (há menos de 6 meses) dizia-me há dias:

      “Não tem condições nenhumas! Os elevadores são muito pequeninos, E OS MESMOS PARA TODODA A GENTE!”

      Não, não é menina da Foz nem da Linha de Cascais: é filha de um trolha que faz 11 horas por dia na Alemanha “destacado” por uma empresa portuguesa… e de uma “doméstica”!!! Antes de sair do CEJ locomovia-se em bicicleta – agora, magistrada-estagiária, acelera bmw.

      Sic transit…

      • Bento Caeiro says:

        Uma achega, amigo” doorstep ao que disse e de que a nossa sociedade está mais que recheada.

        «Não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu», José Alves Reis, em Provérbios e Ditos Populares.

        “Com este provérbio pretende-se alertar o outro para as humilhações que, decerto, sofrerá por parte de alguém a quem aquele se dirigiu para solicitar algum favor, ou alguma atenção, evidenciando sinais de necessidade ou de dependência. O conselho incide precisamente na particularidade da pessoa a quem é feito o pedido ou para quem se trabalha (a quem se serve): essa pessoa que, hoje, tem uma posição de segurança e de superioridade está marcada por um passado de pobreza, de submissão e de subserviência. Tendo sido alvo de humilhações ao longo de alguns anos, porque se encontrava numa situação de dependência de outros, passa da posição de vítima para a de senhor(a) da situação, sentindo necessidade de fazer sentir ao outro o mesmo por que passou, mostrando prazer em lhe lembrar a sua posição de inferioridade numa relação em que detém o poder, não deixando margem para qualquer tipo de aproximação que possa vir a pôr em causa a distância que quer demarcar, ostentando total repúdio por atitudes de compreensão ou tolerância.

        Este provérbio funciona, quase, como um aviso para que ninguém caia no risco de «ficar nas mãos» de alguém que se envergonhe do seu passado de submissão, porque a vingança no outro, que estará à sua mercê, é a resposta que encontra para apaziguar o seu ressentimento para com um tempo passado, mas não ultrapassado.”

        Tal e qual essa juizínha e ainda há dias a procuradora-geral dizia que o ministério público dispensava alguma da legislação que o rege, porque eles (note-se, este eles) já teriam os seus procedimentos mais que adequados e suficientes: quer dizer, arrogam-se à posição de legisladores – o que aliás já fazem, com as suas interpretações, jurisprudências e supremas e divinais convicções.

        • Os espíritos tortuosos assim fazem, com toda a certeza, replicando os abusos de que foram alvo.
          Mas há também os espíritos “decentes”, que sentem empatia pelo outro e pelas situações análogas que viveram no passado. Por isso, é tudo uma questão de espíritos bem formados que temos obrigação de promover no seio da comunidade.

  3. Bruno Santos says:

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.