O Irão deixa de usar dólares

Será que está preparado para uns milhares de toneladas de democracia?

Comments

  1. Bento Caeiro says:

    PRESUNÇÃO E DEMOCRACIA

    Os nossos condicionalismos culturais, por vezes ignorância e mesmo desprezo pela forma de ser e estar dos outros, levam-nos a erradamente avaliarmos os outros e as suas culturas e sociedades pelo crivo das nossas. Esquecendo que essas sociedades e civilizações evoluíram de forma diferente à nossa e hoje têm uma visão do mundo distinta da nossa.
    Não nos competindo impor modelos que não são os deles, nem estão – também, porque deveriam estar – preparados para os aceitar. Tal como acontece com o conceito de democracia. Não esquecendo que mesmo onde esta idéia nasceu, Grécia, a sua prática não abrangia a totalidade da população – destinava-se apenas aos homens livres.
    Os resultados destes mal-entendidos já nós os conhecemos muito bem – Iraque, Líbia. O mesmo acontecendo com o Irão, antiga Pérsia, com a sua história e desenvolvimento, cujo percurso, em termos políticos e sociais, só aos próprios cabe definir.

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Há uma clara arrogância no conceito de democracia da civilização ocidental.
    E sobretudo esquecemos o longo caminho que a Europa percorreu para a ela chegar, ainda que hoje a democracia esteja completamente neo-liberalizada, não a associando à competente responsabilidade.
    De facto, os “democratas” ocidentais, na sua arrogância, baniram a responsabilidade, prática sem a qual, como diz um conhecido palrador português, a democracia vale zero.
    E não olhamos para dentro. Não olhamos para o tráfico de influências que esta democracia com pouca responsabilidade criou e que gerou tribos: a tribo dos políticos, a tribo dos jogadores, a tribo dos juristas, a tribo dos legisladores, a tribo dos banqueiros, a tribo dos inimputáveis,…

    Ora aqui está o nome mágico – tribo.
    Nesses países onde o conceito de democracia – como nós a praticamos – não existe, também existem tribos. Só que estas se movimentam em campos muito mais lodosos, no sentido de perigo. Daí, a necessidade da união se exercer de outras formas.
    É um equilíbrio altamente instável que, quando rompido, conduz ao terrorismo dentro e fora da região.
    A Europa já esqueceu as consequências do que se passou no Iraque, na Líbia e do que vai acontecer com a Síria?

    Já nos esquecemos das guerras tribais europeias? Pois já e creio mesmo que uma grande parte das pessoas as desconhece. E por isso fala-se do alto cátedra em democracia.
    Tal como nos esquecemos, ou se calhar desconhecemos, todo o percurso que a Europa fez nos últimos 3 mil anos, para ter hoje “doutorados” em democracia.

    Deixar tudo como está?
    Claro que não, mas é importante que quem tem o poder de poder mover as coisas, se lembre das diferenças e as respeite. A mudança começa no respeito, ainda que se não entenda. A solução passa pela formação das pessoas, pela aprendizagem e sobretudo muita paciência.
    Não tivessem aqueles países a riqueza que têm e gostaria de ver se havia alguém preocupado com a democracia a instalar.

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