Política e futebol

Colocando de parte os actos de violência, que cabe às autoridades competentes investigar e julgar, o que mais impressiona no assunto que envolve o Sporting é a proximidade entre o Futebol e a Política.
Tal confusão entre mundos é o sinal de que a República e a Democracia atravessam um momento especialmente perigoso. Não significa isto que o poder político não possa pronunciar-se sobre os recentes acontecimentos envolvendo actos de violência, mas a amplitude e a insistência com que o faz, denotam a existência de uma frágil fronteira entre a dignidade dos representantes do Estado e o mundo do futebol, com toda a sua diversidade tribal.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Se me permite caro Bruno Santos, ainda mais grave é a fractura
    da sociedade que foi anunciada pela classe política, quando começou a discutir este tema.
    Futebol que tem logo todas as explicações, julgamentos, inquirições enquanto que o resto, onde entra o regabofe do arrombamento das finanças públicas e os jogos promíscuos dos políticos, continua no silêncio dos deuses.

    O Sr. presidente deixou de tirar umas quantas selfies para vir discursar sobre a conveniência do factor desportivo, esquecendo-se da inconveniência da justiça em casos muito graves e que ele deveria vigiar.

    O Sr. presidente, o Sr. primeiro ministro e o Sr. ministro das Finanças, vêm dar alvíssaras aos portugueses sobre a recuperação da banca, mas nem uma palavra sobre o julgamento dos factos.
    Compare-se com o futebol!

    Para mim o que mais me choca é que esta mísera classe política joga connosco de uma forma despudorada, fazendo do pobre português um idiota pagador.
    É vê-los a falar com o seu clubismo em chamas (Ferro Rodrigues e quejandos), da mesma forma que falam para defender o interesse mesteiral da classe, como aconteceu com as viagens dos deputados. Mais unidos que a Direcção do Sporting!!!
    Que gente mesquinha e nula.

    NOTA: Razão tinha o meu falecido sogro que me dizia que na bola, quando um doutor se põe a discutir com um trolha (com todo o respeito que me merece a classe), não se sabe quem é quem. Da mesma forma se o presidente da Assembleia se integrar na discusão, o quadro não muda de aspecto.
    Olhe, é o que temos …

    • Manuel Lopes says:

      Os nossos políticos de hoje sem a ética nem os princípios de outrora. Sinal dos tempos.

    • Bruno Santos says:

      Caro Ernesto Ribeiro, vivemos tempos e realidades que não são fáceis de perceber. Por vezes até é melhor não se perceber, pois, quando se percebe, a percepção sobre a realidade toma contornos ainda mais inquietantes.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Infelizmente, são facílimas de perceber. Esta gentalha anda lá toda ao mesmo.
        É gente primária e a forma mais simples de os classificar é utilizar a história do verniz que, no caso deles, estala com toda a facilidade.
        Falta conteúdo a esta gente cujo narcisismo os impede de ver que se vão afogando em inúmeras contradições.


  2. CONCORDO em absoluto com as vossas análises .
    Qual a esperança afinal que nos resta, perante todo este descalabro e mediocridade dos responsáveis e que continuam, eles sim, a ser os donos disto tudo ? o que nos resta fazer e actuar em intervenções válidas de cidadania activa para a mudança desejada necessária e urgente perante o descalabro e o abismo e podridão em que estamos a cair ?
    e atenção aos nossos jovens, terão consciência do que se está a passar quanto ao que vai ser o futuro deles ? …acho que não : (

  3. Fernando Antunes says:

    Concordo com a questão da falta de dignidade da nossa classe política. Por isso é que digo que problema maior que a mera proximidade entre futebol e política é a futebolização da política.
    Talvez até o tipo de linguagem se tenda a aproximar cada vez mais — repare-se como se analisam os partidos em termos de vitórias ou derrotas e não de ideias; e como se abordam mudanças nas lideranças partidárias como se de chicotadas psicológicas se tratasse. A mim preocupa-me, é claro, a proximidade entre política e futebol — não sei porque raio os estádios são pagos maioritariamente com dinheiros públicos, nem porque as dívidas dos clubes são sistematicamente perdoadas e as minhas eventuais dívidas jamais contarão alguma vez com a benevolência dos bancos ou da máquina fiscal do Estado, antes pelo contrário.

    Mas, de um modo mais inquietante, preocupa-me que o futebol e a política sejam tendencialmente quase indistinguíveis entre si.

    Preocupa-me que nas comissões de honra dos clubes estejam altas figuras do Estado; ou que deputados da Nação, eleitos e pagos pelos cidadãos, se prestem ao papel de comentadores semanais do pagode da bola, referindo-se ao presidente do seu clube como o “meu Presidente”… O problema é sermos mesmo um país cada vez mais de “paineleiros” (no pun intended!). Questões relevantes são chutadas todos os dias para canto, ou, se alguma coisa relevante é por vezes debatida, é quase sempre com a superficialidade das conversas de tasca, em frente à edição do dia do Record.

    • Bruno Santos says:

      É o velho problema do pão e do circo.

    • Paulo Marques says:

      “repare-se como se analisam os partidos em termos de vitórias ou derrotas e não de ideias; e como se abordam mudanças nas lideranças partidárias como se de chicotadas psicológicas se tratasse. ”

      Décadas de Marcelo e só agora é que reparou?

      • Fernando Antunes says:

        Não é “só agora é que reparei” — pior que os actuais Marcelos são os Andrés Venturas e os Trumps ‘à Portuguesa’ (ou os BdC’s da política) que aí vêm, pois a conjuntura assim o promete.

  4. Paulo Marques says:

    Quando penso na “proximidade entre o Futebol e a Política”, não são propriamente os lagartos que me vêm à cabeça. Aliás, este caso vem mesmo a calhar para muitos.
    Mas isso há demais para quase todos, desde o mordomo que vai oferecer a câmara ao fim de semana até o que oferece um estádio construído em cima de areia.

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