O preconceito

Tem havido, por parte dos preconceituosos e reacionários incapazes do costume, comentários machistas e indecorosos sobre os preparos em que a deputada europeia do Bloco de Esquerda, a Dra. Marisa Matias, se apresentou discursando no Parlamento Europeu.

Alvitraram essas bestas sobre a indumentária da tribuna, se iria dormir ou se estava a acordar. Se a alça do soutien era preta ou azul cobalto, se o ombro desnudo era um código libidinoso ou militar, se o trapo a cobrir o resto era camisa de noite ou convite para jantar.

Houve, entre esses grunhos de andaime, pendurados nas redes sociais – principalmente o feicebuque – quem perguntasse com indisfarçável alarvidade o que sucederia à cúpula da Catedral de Estrasburgo se o insigne e exangue deputado Marinho e Pinto decidisse discursar de cuecas à mostra, não mostrando propriamente o pinto, mas insinuando apenas a sua miséria protuberante.

Há ainda muito a trabalhar neste país de comedores de batata frita até que possamos ter em paz um Rei em biquíni.

Mas, em verdade vos digo, já faltou mais.

Comments


  1. Típico. Quando a mensagem não agrada, e na ausência de linha argumentativa contrária, não resta mais nada que não seja tentar matar o mensageiro. Enquanto se fala das alças da indumentária não se fala da mensagem.

    • Rui Naldinho says:

      sempre

    • Rui Naldinho says:

      É como escreve. Sempre foi assim e sempre assim será.

    • Bento Caeiro says:

      Contudo, eu, pelo contrário, pergunto-me – sabendo esta gente como vai e para onde vai – por que razão vai então assim?

      Só vejo uma razão: à semelhança do que acontece no ilusionismo, tais preparos destinam-se a desviar a atenção, neste caso, para a pobreza da comunicação.

      Quais foram, então – se é lícito perguntar – as palavras do grandioso discurso de sua alteza que, tanto assim como se de burka fora, o mesmo valor teriam?
      Porque, nós, pobres ignorantes, desprezando tanta sabedoria, só dos trapinhos estamos a falar e a sublime mensagem deixamos para trás.
      Já agora, gostaria de saber o que a senhora, destapando-se, tentava esconder.

  2. o Calcinhas do Dafundo says:

    Eu não me parece mal,mais fosse,ou menos.
    Mas olhe que o Pinto em calcinhas é de evacuar e de evacuar a sala.
    Tende lá paciência,uns e outras.

  3. Ana A. says:

    Eu também acho que aquela “barba de dois dias”, que tão “sexy” fica em certos machos, nos ministros/deputados/advogados e quejandos, dá sempre um ar de desleixo e de preguiça, que não abona nada em favor dos ditos!

    Como vêem senhores, há gostos e desgostos, para tudo!

  4. Afonso says:

    E a Sra.Doutora com tanto e tão importante para dizer ao zé povinho.
    Agora a falar a sério, leiam o “doutoramento” da criatura, que é de morrer a rir( a começar pelo titulo: A natureza farta de nós? ).
    Os doutoramentos em Sociologia agora em Coimbra dão-se a “redacções grandes” sobre as teses do outro grande vulto intelectual da Portugalandia que se dá pelo nome de Boaventura Sousa Santos.

    Afonso

    • Bento Caeiro says:

      Como se sabe a mulher é de uma vacuidade abissal, mas pelo que se vê isso não interessa: a subserviência e vazio intelectual é de tal ordem que já nem precisam de vaselina – como se pode ver por alguns comentários – é só encostar.

      • Paulo Marques says:

        Sabe? Quem? Comparado com quem perdeu as eleições, que se limita a regurgitar a TINA, não lhe faltam ideias.

  5. Fernando Manuel Rodrigues says:

    Achei o pormenor “Dra. Marisa Matias” delicioso… Mas gostei de saber que, afinal, a senhora em questão faz questão de usar o Dr.


    • Não a vi em lado nenhum exigir que a tratassem por Dra.
      Até seria uma despromoção já que ela até é Doutora por extenso.


  6. Permitam-me citar uma pequena conversa que me dei ao trabalho de transcrever de um conhecido programa de rádio, pois acho que é disto que estamos a falar, duma tipologia de ataque pessoal que por norma atinge sobretudo as mulheres (sejam de esquerda ou de direita):

    “Gostaria aqui de falar da nomeação da Helena Fraga para um cargo importante da direção do PSD. Assistiu-se, sobretudo nas redes sociais, a uma quantidade muito violenta de ataques à senhora. Eu apenas me cruzei com a senhora uma vez na minha vida, não a conheço bem pessoalmente, mas fiquei um bocadinho impressionada, sempre que vejo ataques que têm tendência a serem dirigidos, e sobretudo com caraterísticas pessoais e de género. E nesse sentido eu gostava aqui de deixar a minha opinião, que é apenas minha, e certamente muitos dos que me estão a ouvir não vão concordar comigo, mas eu estou convicta de que muitos destes ataques se devem ao facto dela ser mulher. E normalmente as mulheres que estão na esfera pública são muito mais fortemente atacadas que os homens e, sobretudo são atacadas de uma maneira mais feia. De uma maneira que tem a ver com os traços físicos, os traços fisionómicos, com a voz, com o aspeto, com o cabelo…

    Mas de onde é que vêm os ataques às mulheres? Vêm normalmente de outras mulheres. E eu não estou aqui a assinalar os ataques que têm a ver com orientações políticas. Eu estou a falar dos ataques pessoais. Que são ataques que têm recorte de género. E é sobre isto que isto queria aqui deixar o meu olhar negativo, porque o que vi é feio, e mais uma vez tem a ver com a fragilidade de se ser mulher e a vulnerabilidade de se ser mulher, que tem uma exposição muito maior o tipo de ataques que infelizmente as mulheres ficam sujeitas.

    As mulheres quando se expõem publicamente ficam sempre muito mais vulneráveis pelo facto de serem mulheres. Interessa-me a mim o tipo de ataque alarve que faz e com recorte de género, e isso é que não gosto e que quero aqui denunciar e dizer que, se ela fosse homem muitos desses ataques tinham outra tipologia e lamento que ainda haja ataques com este tipo de maldade.”

    Um Certo Olhar / 25 Fev 2018 / Antena 2

  7. Miguel Fonseca says:

    Engordou bastante…

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