Autarca de Gaia leva ambientalista a julgamento

 

São inúmeros, a avaliar pela Comunicação Social, os Processos Judiciais em que está envolvido Eduardo Vítor Rodrigues, o autarca de Gaia, presidente da Área Metropolitana do Porto e dirigente do Partido Socialista. Esta verdadeira disfuncionalidade cívica, institucional e política, há-de constituir caso único em Portugal, onde não há memória de um autarca socialista manter um tal nível de litigância criminal, invadindo os Tribunais com Processos-Crime e transmitindo à ordem social de que participa – em cargos de alta responsabilidade – uma imagem totalmente contrária ao exemplo que se lhe exige, quer enquanto político e dirigente do PS, quer enquanto cidadão e professor da Universidade do Porto.

O Ambientalista Carlos Evaristo. Fonte: Facebook

Desta vez a sorte calhou a um activista ambiental, Carlos Evaristo, que ousou criticar o presidente da câmara de Gaia a propósito do Festival Marés Vivas e da sua localização contígua à Reserva Natural Local do Estuário do Douro. Segundo dá nota o jornal Público, o ambientalista foi acusado de difamação pelo dirigente do PS e vai a julgamento por causa  disso.

Numa manobra demagógica bem ao seu jeito, Vítor Rodrigues mandou dizer pela sua assessoria de imprensa que “está disponível para uma solução extra-judicial, até porque acha que os tribunais não devem ser palco para estes assuntos”. Efectivamente. Aliás, deve ser por isso, por achar que “os tribunais não devem ser palco para estes assuntos”, que Vítor Rodrigues parece não fazer outra coisa, senão processar e ser processado.

Um outro ambientalista, Paul Summers, foi igualmente alvo da fúria judicial do autarca de Gaia por causa da Reserva do Estuário do Douro e do Festival Marés Vivas, tendo a queixa de Vítor Rodrigues sido arquivada, e muito bem, pelo Ministério Público. Summers fez nas redes sociais um comentário muito pertinente sobre esta inacreditável saga do dirigente socialista, que vale a pena ler. Escreveu o ambientalista:

“Considero isto um caso de bullying institucional, político e económico de forma a intimidar a cidadania para que não se pronuncie e defenda causas que lhes são caras. Isto devia ser referenciado nas mais altas instâncias internacionais de defesa dos direitos humanos. O presidente envolveu a autarquia nesta sua revanche política o que é altamente reprovável. Mostrou tiques autoritários e caciquistas contra a livre opinião, a mobilização popular, a sociedade civil e a participação pública que devem fazer parte integrante do exercício democrático. Tudo isto é altamente reprovável e condenável e mais ainda por a classe política e o Partido Socialista não se terem indignado por esta falta de civismo, urbanidade e lisura de parte de alguém com responsabilidades públicas e com um mandato político representando esta mesma cidadania. Inadmissível e deplorável !”

Nuno Oliveira. Imagem: Público

Um outro caso, que deveria merecer adequado tratamento e divulgação por parte da Comunicação Social, mas que está a ser total e convenientemente silenciado, é o do fundador do Parque Biológico de Gaia, Nuno Oliveira, um prestigiado biólogo de Vila Nova de Gaia que foi exonerado por Vítor Rodrigues da Direcção de Ambientes e Parques da Câmara Municipal, retirado do Parque que fundou e colocado, sem tarefas, num armazém anexo ao Centro de Interpretação do Património da Afurada. Mais um exemplo, que, neste caso, eu próprio testemunhei pessoalmente, da extrema dificuldade que este autarca tem em conviver com a opinião diversa e com as regras da democracia.

Comments

  1. José Peralta says:

    E o Partido Socialista sabe disto ?

    E se sabe, porque demora a tomar uma atitude contra o cacique ?

    • Bento Caeiro says:

      Não sejas ingénuo Peralta, este tipo de atitudes – mudando apenas a forma como se manifestam – caracteriza o poder autárquico. Mais visível nuns autarcas do que em outros, mas sempre pronto a vir à superfície – assim as circunstâncias se verifiquem – é precisamente assim o caciquismo. Por ser assim, perpassa todos os partidos, ou melhor o cacique, por natureza, move-se entre os partidos e formações que lhe proporcionem o lugar ou acesso ao cargo. Mas é, também, a estes e às suas movimentações que se deve aquilo que se designa de “descentralização e reforço do poder local” – são sempre os mais activos e influentes. Não é por acaso que já conseguiram reforçar, muito recentemente, o poder das autarquias, com atribuição de mais funções e acesso a mais verbas. Sendo assim reforçadas as condições para a existência e o desenvolvimento deste tipo de autarca – precisamente por passarem a existir mais oportunidades de negócio.

  2. dariosilva says:

    Deixem-me adivinhar: o passatempo dilecto do senhor doutor professor é sustentado pelo orçamento da CMG. Acertei?

  3. Abel Barreto says:

    Fico fodido (desculpem o termo, mas é assim mesmo), pela forma como aquele indivíduo (já estava para escrever um adjectivo para esse Sr., mas voltei atrás, não vá ele processar-me), gasta o dinheiro que é de todos em proveito próprio, e como perante uma manifesta e pública violação das suas funções nada é feito por quem de direito. E fico triste e revoltado por alguém como o Nuno Oliveira ser tratado dessa forma (independentemente do que possa ter dado origem a essa situação). A atitude tomada pelo sr. presidente da C.M. de Gaia é do mais reles e ao nível do empregador menos respeitador da lei e da condição humana.
    Um nojo.

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  1. […] Quem afirma isto é a mesma pessoa que anda a processar criminalmente ambientalistas. […]

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