A ciática de Augusto Santos Silva

Augusto Santos Silva elogiou a mensagem de Mário Centeno sobre a Grécia. Disse ao Expresso que era “perfeitamente normal” e “até simpática”.

Em 2014 defendia exactamente o contrário sobre o resgate português. Leia-se:

Um programa precipitado, errado e nocivo

É verdade que o défice foi reduzido. Mas os 5% que atingimos custaram-nos 30 mil milhões de euros retirados à economia e aos rendimentos do trabalho. É verdade que o défice externo melhorou. Mas foi à custa sobretudo da quebra brutal da procura interna. É verdade que regressámos aos mercados com taxas de juros nominais por enquanto comportáveis. Porém, a sua descida não tem a ver com o nosso programa de ajuda, mas sim com a intervenção do Banco Central Europeu; e não nos beneficia só a nós, mas a toda a Zona Euro.”

Augusto Santos Silva
JN, 17 de Maio de 2014

Augusto Santos Silva confirma-se como grande candidato a próximo Secretário Geral do PS. Assim melhore da Ciática.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Ó Bruno, esta é aquela parte em que eu discordo de si “quase” por completo. Há alguns verbos e adjectivos que não desdenho no seu texto, mas pensar que Augusto Santos Silva será alguma vez o próximo líder do PS, na qualidade de seu Secretário Geral, é apenas uma divagação estéril.
    Para termos uma cópia de Passos Coelho no PS, na alma de Augusto Santos Silva, mal por mal, prefiro o original laranja.
    Não que eu goste do ex líder do PSD, mas prefiro ter por inimigo uma personalidades real e concreta do que uma clone encapotado, do Socratismo.


  2. Tiro certeiro, Bruno Santos !

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    É evidente que as palavras de Santos Silva são o capote que estes miseráveis políticos usam para se cobrirem uns aos outros. Mas não deixa de ser uma voz oficial do governo …
    Relativamente à comparação entre o elogio que ele faz e as palavras que pronunciou em 2014, lembro-me de imediato daquele velho dizer português:
    “Pimenta no cu dos outros é refresco”…

  4. Paulo Marques says:

    Ou isso ou presidente de uma agremiação da segunda circular.

  5. José Fontes says:

    Caro Bruno Santos:
    Deixo o link do texto mais informado, esclarecedor e sensato que já li sobre o vídeo de Centeno.
    https://duas-ou-tres.blogspot.com/2018/08/o-video-de-centeno.html
    É habitual que muitas pessoas comentem apenas a partir do que se ouve nos excertos editados pela miséria de jornalismo e de «media» que nos manipula.
    Portanto, que não ouçam atentamente os vídeos nem leiam totalmente as notícias escritas.
    Tudo como dantes no Quartel de Abrantes.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Caro José Fontes.
      No texto que amavelmente partilhou passam duas mensagens que interessa abordar.
      A primeira, é a “double casquette” do Sr. Centeno que aparece como uma desculpa ou atenuante para as suas palavras,
      A segunda centra-se na memória das pessoas.
      Não podemos dizer hoje uma coisa porque se é ministro das Finanças e amanhã uma outra porque também se está no Eurogrupo.
      Centeno está num governo que disse das políticas financeiras de Passos o que Maomé não disse da bíblia. Contudo, termina o seu discurso, dizendo o mesmo que Luís Montenegro disse há quatro anos.
      É triste ver-se uma pessoa remetida ao papel de “utilizador de casquette” que lhe vai permitindo dizer “A” e “não A” ao mesmo tempo. Não deveriam existir incompatibilidades ou condicionantes morais que obrigassem esta gente a fazer opções sem terem que vender a alma ao diabo?
      A alma é deles, mas não façam, pelo menos, de nós estúpidos.
      Sei que a credibilidade e a coluna vertebral não fazem parte dos políticos, mas experimente-se, de uma boa vez por todas, de acabar com o nojento “politicamente correcto” que tolhe tudo e todos.
      As contradições de Centeno nos dois cargos – di-lo o texto – são evidentes. Mas ele sabe que o são e se aceitou foi pura e simplesmente porque, com António Costa, quiseram fazer o papel dos bons alunos e massajar o ego dos alemães.
      Lembro-me do que diziam de Passos Coelho e de Maria Luís Albuquerque no que respeitava os seus constantes acordos à políticas de Schauble e Merkel. Tenhamos memória.
      São seres rastejantes, com ausência de postura de estado e falta de hombridade política. Não há, de facto estadistas em Portugal.

      Independentemente de tudo, caro José Fontes, a verdadeira imagem que fica, nem é a externa. Com essa podemos bem.
      A imagem negativa que fica, na minha óptica, é a interna ou seja a de alguém que validou as políticas que durante quatro anos nos delapidaram e que até há pouco tempo condenavam e responsabilizavam pelo estado a que chegamos.
      E isto, é indesculpável para os portugueses que sofreram na pela a governação de Passos Coelho & CIA.
      Cumprimentos.

      • José Fontes says:

        Caro Ernesto:
        É evidente que só posso concordar com muitas coisas que diz.
        Antes de mais, quero felicitá-lo pela educação e trato decentes com que dialoga sempre com os outros comentadores.
        E também pela racionalidade que põe nas suas análises, coisas raras nas redes sociais, como sabe.
        Mas há uma coisa que merece reflexão: se todos os políticos se comportam assim, será porque todos são falhados de carácter ou de espinha dorsal?
        Ou as circunstâncias a isso os pressionam?
        E os políticos são, sempre, extraídos da sociedade, dos povos, reflectindo, de algum modo, as características desses povos.
        Nós, como sociedade, produzimos políticos semelhantes a nós, globalmente falando, como é evidente.
        Por isso os de certas zonas do globo são muito diferentes dos de outras, embora a espécie humana seja a mesma.
        Volto a insistir na leitura atenta do texto da comunicação do Centeno, não omitindo nada e sabendo ler o que as circunstâncias e a diplomacia permitem que seja dito.
        A política é a arte de atingir os objectivos, às vezes por caminhos ínvios, não a arte de vender o peixe na praça pública aos gritos.
        Por isso achei o texto de Seixas da Costa muito sensato, racional, uma análise muito adequada da comunicação do Centeno, que só um diplomata consegue fazer.
        Viu ao que a falta de sensatez, e de diplomacia, do Varoufakis ia conduzindo a Grécia se não tivesse arrepiado caminho a tempo?
        Acha que a queda no precipício conduziria a uma situação melhor do que a de hoje?
        A política é sempre a arte do possível.
        Mesmo que esse possível, muitas vezes, seja mau.
        A coerência é muito difícil de atingir nos dias de hoje, quem se pode arrogar de ser 100% coerente?
        E a ingenuidade e falta de informação por parte de muitas pessoas leva a julgamentos precipitados, hoje feitos na praça pública das redes sociais.
        O segredo é construir o melhor caminho num xadrez movediço, cheio de interesses conflituantes e flutuantes.
        Veja o buraco em que a Inglaterra, e a sua arrogância, meteu o Reino Unido, por mais razões que tivesse do mau funcionamento da UE.
        Imagine que pertencia ao euro, como os problemas estariam exponenciados.
        Cumprimentos
        J. F.

        .

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Caro José Fontes.
          Começo por lhe agradecer as palavras e, naturalmente retribui-las a uma pessoa que civicamente sempre discute os problemas.
          Vou pegar nas suas palavras sobre Varoufakis para dizer que o facto de não estar de acordo com Centeno, não quer dizer que esteja de acordo com Varoufakis. Na minha opinião, os dois experimentam posições extremas e como o caro José Fontes diz e muito bem … “A política é a arte de atingir os objectivos, às vezes por caminhos ínvios, não a arte de vender o peixe na praça pública aos gritos”.
          O que me parece, com toda a honestidade, é que Varoufakis, de facto, portou-se como um vendedor de peixe que se dirige às pessoas aos gritos, mas Centeno fez o papel do verdadeiro mercador de tapetes, onde a subserviência é a palavra de ordem.
          Seixas da Costa tem uma opinião que respeito. Fez uma leitura, mas eu faço outra, provavelmente porque não sou diplomata, embora lide com muita gente e sempre me dê ao respeito.
          Fiz a leitura da vassalagem que só existe porque Centeno a ela se submeteu. Ele sabia ao que ia. Em todo o caso, não precisaria de ser tão directo na mensagem que passou. Até eu, acredite, escreveria e diria algo que não me colocasse no ponto de mira e, sobretudo, evitasse defender o “A” e o “não A” simultaneamente.
          Centeno teve sempre esta postura pouco sólida neste campo. É, sem dúvida, um excelente financeiro, mas nunca foi, ou será político.
          Tenho a certeza que Seixas da Costa, no lugar de Centeno, não teria pronunciado aquelas palavras. Passaria a mensagem que é preciso passar, embora eu entenda que toda a gente se quer esquecer – ou branquear, se preferir, na Grécia, em Chipre e em Portugal – as razões que nos conduziram a tal situação. Na Irlanda e na Finlândia, fez-se muito mais…
          Não me parece que os políticos estejam interessados nas causas de raiz para os problemas financeiros. Jogam no “status”, tal como Centeno joga.
          Tenho para mim que os políticos se deveriam guiar pelo sentido de estado, de forma a nunca renunciar princípios e, no caso de Centeno, também ideias que serviram para justificar más políticas financeiras do passado. Para isso, terão que aprender a “medir” as palavras.

          Sobre os interesses instalados, uma vez mais, o que se deveria fazer era estudar as incompatibilidades, denunciar e eliminar os interesses que são perniciosos. Veja o caso Assembleia da República – Escritórios de advogados. É uma vergonha… Mas há muitos mais, como sabe.

          Ser coerente a 100% é impossível, mas esta realidade não nos deveria afastar da tentativa de chegar a um valor numérico assinalável. É um exercício que eu faço diariamente, embora reconheça a dificuldade.
          Sobre a Inglaterra. Este país foi sempre um não alinhado na Europa, desde a Idade Média – excepto nos períodos das duas guerras. De uma forma submissa, sempre preferiu as políticas americanas às europeias. Com toda a honestidade, nada me surpreende neles, uma sociedade manifestamente conservadora (com o positivo e o negativo que tal sistema acarreta).
          Mas não tenho a certeza que passarão mal. Os amigos americanos terão interesse em ter um “ponta de lança” nesta Europa que parece, finalmente, afastar-se deles e guiar-se pelos seus princípios que adquiriu milenarmente após muitos tropeções. E a Inglaterra está mesmo à mão de semear. Mas eu acredito que vão voltar atrás, verá.

          Um prazer trocar impressões consigo. Cumprimentos.

        • Paulo Marques says:

          “A política é a arte de atingir os objectivos”

          E esses são quais e quando é que os eleitores podem saber, e pior, votar nestes?

          “Viu ao que a falta de sensatez, e de diplomacia, do Varoufakis ia conduzindo a Grécia se não tivesse arrepiado caminho a tempo?”

          Ao mesmo sítio (que é o mesmo do resto da Eurolândia), austeridade permanente.

          “Veja o buraco em que a Inglaterra, e a sua arrogância, meteu o Reino Unido, por mais razões que tivesse do mau funcionamento da UE.”

          E que buraco é esse? O The Guardian bem tem uma secção para os problemas, mas só tem uma mão cheia de nada. Minto, tem uma mão cheia de problemas da austeridade, que ainda é mais mentiroso. Simplesmente, a economia não funciona de todo como é vendida nos livros e a economia britânica não vai a lado nenhum, apesar da anunciada queda para o dia a seguir ao referendo.

      • Bruno Santos says:

        Caro Ernesto, tem razão. Mas houve uma coisa que eu aprendi na política: ter razão não chega.

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Provavelmente haverá coisas que desconheço.
          Ando a ler uma obra que nos vai elucidando sobre a teoria da conspiração, dizendo que, na política, ela surge a maior parte das vezes quando há falta de informação.

          Li há pouco a sua alusão ao nacionalismo e devo dizer-lhe que me havia escapado essa ligação. Faz sentido.
          Contudo não é o nacionalismo, de facto, que me preocupa, antes o fascismo.Penso que continuamos a ter muita comiseração para quem quer, realmente, tirar verdadeiros esqueletos do armário.
          O nacionalismo combate-se com doutrinas sociais e com a educação das pessoas. As palavras de Centeno não me parecem ir nessa direcção. Mas esta é só e apenas, a minha opinião.
          Abraço.

      • Paulo Marques says:

        Centeno nunca teve duas caras, quem quer chuva na eira e sol no nabal (*) é Costa, tal como o resto dos falsos progressistas eurófilos.

        (*) ou não fosse tudo uma misturada caótica que cada vez mais se contradiz.

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Caro Paulo Marques:
          Ainda que tenha razão, Centeno fica mal na fotografia porque, quanto a mim, não tem idade, nem estatuto social para se limitar a ser um pau mandado.
          Assim sendo, provavelmente não terá só duas caras 🙂
          Sinceramente, eu tenho dúvidas sobre quem é o “homem forte” desta agremiação.
          Já me pareceu muito menos ser Centeno. Ele gere um orçamento com mão de ferro e nada é feito sem passar pelo seu aval. Não critico, apenas constato…

    • Bruno Santos says:

      Obrigado! Compreendo o que diz, embora não concorde totalmente. Na política não há “erros”, nem se retiram “lições”. Há adaptação estratégica. No caso, a adaptação estratégica que houve foi uma tentativa de resposta ao avanço do Nacionalismo. Vamos ver se resulta.

      • Paulo Marques says:

        “Nationalism is a political, social and economic system characterized by the promotion of the interests of a particular nation, especially with the aim of gaining and maintaining sovereignty (self-governance) over the homeland.”

        É, coisa horrível. Eu sei o que quer dizer, mas é possível ser nacionalista sem ser xenófobo, jingoista, imperialista, etc.

    • Nascimento says:

      Sensato? Pois prefiro o texto de Françisco Louçã no ” Estatua de Sal”. Ali são colocadas as verdadeiras questões.Certeiras.

  6. Ana Moreno says:

    Bruno, este Sr. a que te referes no post é o que anda animadíssimo a assinar e promover acordos de comércio “livre” que submetem o poder político e nos submetem a todos ao poder dos tubarões. E que se denomina socialista. Vive com a, digamos, contradição, alegremente.

    • Bruno Santos says:

      Ana, deep state.

    • JgMenos says:

      Socialismo só há um, o que põe fim à propriedade privada dos meios de produção…ou chular o capitalismo também conta?

      • Paulo Marques says:

        Isso é o comunismo, embora aí já nem a União Soviética pode citar.
        Chular o capitalismo não, mas chular os trabalhadores sim – que tal esse slogan para as legislativas?


  7. Sim, Ana. é daquelas figuras molusco- viscoso- reptiliano !

    …mas há mais !!!! de cores várias !

    Abraço, companheira sempre atenta .

  8. JgMenos says:

    Só para alimentar o soalheiro, todos fingem que não sabem que um político com dois chapéus tem necessariamente dois discursos,

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