A reprodução social promovida por instituições públicas

Durante os anos de 2014 e 2015, o Município de Vila Nova de Gaia levou a cabo, por minha iniciativa, um esforço considerável de aproximação institucional à República Popular da China, no sentido do estabelecimento e fortalecimento de relações de benefício e respeito mútuos. 

No momento em que os frutos desse esforço começaram a ser evidentes, com a organização conjunta de diversas iniciativas, através de contactos estabelecidos ao mais alto nível, tudo implodiu. Os diversos projectos de colaboração que estavam a ser preparados no âmbito do Serviço Público, e que cobriam áreas como a Cultura (Ciclos de Cinema, Concertos, Exposições), a Educação (Ensino gratuito do Mandarim nas Escolas Públicas), a Economia (Protocolos de Amizade) e a Saúde (Projectos-Piloto de Medicina Tradicional Chinesa em escolas públicas e lares de Terceira Idade), abortaram repentina e inexplicavelmente.

Não será inútil, contudo, na busca da explicação dos motivos que estão na base desta inédita hecatombe diplomática, cujo resultado foi o evidente prejuízo das populações, atentar nas diversas publicações que o chefe de gabinete do presidente da Câmara de Gaia foi dando à luz no seu feicebuque, atacando abertamente o governo da República Popular da China e o seu povo.

Talvez por isso seja sem surpresa que se vê agora uma conhecida instituição privada de Vila Nova de Gaia, o conhecido e exclusivo Colégio Cedros (Opus Dei), a assumir o papel que caberia às instituições públicas – leia-se Município – em defesa do Serviço Público e do interesse geral. Mas o Colégio Cedros não existe para defender o Serviço Público, nem os interesses gerais da população. Defende, com legitimidade, os interesses dos seus alunos, das suas famílias e os do projecto privado que representa, dirigido à Aristocracia católica e pago a um preço com que o comum plebeu da Escola Pública nem sonha. É este, afinal, o grande propósito da Escola: garantir que o Plebeu se mantém Plebeu e o Aristocrata, Aristocrata.

Alunos do Colégio (privado) Cedros, de Vila Nova de Gaia

 

Assista à reportagem da RTP sobre o projecto de colaboração entre o Colégio Cedros e o ICBAS, uma das instituições com as quais o Município de Gaia iniciou colaboração no mesmo âmbito, procurando trazer para o Serviço Público exactamente as mesmas valências. Sem sucesso.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Provavelmente a voz da autoridade proclama a ruptura das ligações e, de seguida, os “His master’s voice” abanam as cabeças como os burros quando são atacados por moscas…
    Se assim não é, então as iniciativas para destruir o trabalho feito são individuais e passam incólumes, o que significa que “quem cala consente”.

    Em qualquer dos casos, parece que a “colonização repressiva do pensamento”, que o “individual” ou “his master’s voice” usa nos seus posts, é bem portuguesa e, por mais que se acusem os chineses, não escondem que a solução escolhida tem por objectivo destruir trabalho feito..

    NOTA: Estou à vontade para falar da China, país que conheço e não aprecio. Mas há coisas positivas como em todos os regimes e são essas que deveriam ser potenciadas. Em suma, não partilho os maniqueísmos que vou vendo neste cantinho à beira mar plantado.

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