Informação, desinformação e contra-informação

No limite, o conceito de Informação pertence ao repertório militar e nesse universo teve origem. Coisa diferente talvez seja o Conhecimento e mais diferente ainda a Sabedoria.

Se três indivíduos assistirem a um determinado acontecimento e lhes for solicitado que o relatem, ou seja, que sobre ele produzam uma Informação, o resultado espelhará não apenas o acontecimento, os factos aparentemente ocorridos, tal como registados pelos órgãos dos sentidos, mas as condições subjectivas de cada um dos três indivíduos que a ele assistiram. Essas condições subjectivas são de variedade potencialmente infinita. No final, podemos ter três relatórios, três informações, que parecem descrever três acontecimentos diferentes.

Se aos três indivíduos produtores da Informação tiver sido ensinada a lei do triângulo, todos eles saberão que a dita Informação vem sempre acompanhada de dois outros vértices: a Desinformação e a Contra-Informação. Este é o singelo princípio das chamadas “fake news”, tão antigo como a Arte da Guerra. O único modo de o combater é através do Conhecimento – que não apenas o intelectual -, estado psicofisiológico que anula todas as barreiras informativas. Mas o Conhecimento é, além do mais, um estado de libertação, ou, pelo menos, da sua potência. Daí que o Estado – o eclesiástico ou o civil – tenha tido desde sempre a preocupação de impedir um sistema de ensino, ou mesmo um sistema social, para ele vocacionado. E menos vocacionado ainda para a Sabedoria. 

Pois, como está escrito (Jo 8:32), “conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres”.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Para isso era preciso que o neo-liberalismo largasse o estado… Boa sorte.

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