O jardim dos caminhos que se bifurcam

O fim da República é um lugar ante o qual se colocam duas possibilidades.
A primeira é a da opção por regimes tradicionalistas, geralmente autoritários, de rígida hierarquização social e grande rigor punitivo sobre os desvios do dogma.

A segunda é a da opção Vital, em que ao Cidadão se sobrepõe o Ser Vivo que, nessa condição, reclama para si já não estritamente direitos e deveres de cidadania, mas o pleno domínio da sua relação com a Vida, em todos os seus aspectos. Caberá a esse Ser Vivo já não apenas a luta pela sobrevivência biológica ou social, no quadro normativo de uma Constituição Republicana que lhe confere deveres e direitos cívicos, mas o usufruto pleno do que lhe pertence e não lhe pode ser retirado: a Vida, enquanto experiência material e espiritual indeclinável, irreprimível e incapturável por qualquer estrutura artificial emergente da organização política.
Este é o caminho da Virtude. É a porta estreita. O caminho mais duro e imprevisível que o Ser Vivo pode escolher. Mas é o único que o libertará do jugo a que está sujeito enquanto estritamente Cidadão, e lhe proporcionará a experiência vital que é seu desígnio adquirir.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    O pensamento que aqui exprime é correcto, mas carregado de uma pureza irrealista.
    Toda a lei que refere, nomeadamente a defesa dos direitos é uma concepção humana. E quem a escreve são, numa República, pessoas que são colocadas na esfera do poder por outras pessoas que os elegem.
    Tenho a ideia que, nesta questão, andamos em torno da mesa à voltas a desenhar algo como uma pescadinha de rabo na boca. Dá-me a ideia que ainda não interiorizamos o poder que, numa República, as pessoas têm e que lhes confere a possibilidade de escolher aqueles que definirão os princípios.
    Nas condições actuais tudo isto é coisa para “inglês ver”, já que a livre escolha não se pode manifestar pela falta de cultura geral e sobretudo, pelo afastamento das pessoas da política e das escolhas, fruto desta corja política que nos tocou em sortes.
    Necessitam-se de verdadeiras campanhas de sensibilização das pessoas para a sua importância no manejo da República. O que se faz hoje é começar pela cúpula como se fosse possível, algum dia, começar uma casa pelo telhado.
    Vamos às gentes. Eduquem-se e cultivem-se as pessoas e a corja política nunca chegará ao topo.

  2. Paulo Marques says:

    As palavras são muito bonitas, mas o voto passa por isto: https://www.federalreserve.gov/econres/notes/feds-notes/asset-ownership-and-the-uneven-recovery-from-the-great-recession-20180913.htm

    Claro que a “nova” direita, quando não mente, não tem ideias muito claras sobre o assunto, mas ao menos não anda a admitir derrotas há 4 décadas em nome de quimeras eurófilas.
    http://bilbo.economicoutlook.net/blog/?p=40650