A gestão autárquica e a descentralização

Notícia JN de 30/10/2018

No passado mês de Janeiro, a gestão da STCP – Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, passou a estar a cargo de seis autarquias (Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Maia, Gondomar e Valongo) da área metropolitana do Porto, como culminar de um longo processo reivindicativo que uniu os autarcas em torno do objectivo de municipalizar a empresa, retirando-a da esfera do Estado central. Sabemos como a “descentralização” de competências e recursos é um tema caro a alguns líderes locais. Querem mandar. Em abstracto, é uma estratégia eleitoralista. Em concreto, diz que a STCP acabou de gastar uma fortuna em autocarros novos que, por serem demasiado altos, não passam debaixo de alguns viadutos.

Comments

  1. Torquato says:

    Quem são as inteligências que passaram a encomenda dos “machimbombos” ?

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Um dos cuidados a ter com a dita “descentralização” é assegurar competências, ainda que essas sejam simples …”capacidade de medição e capacidade de compreensão da simbologia, maior que (>) ou menor que (<)”… Não é preciso ser engenheiro ou professor da universidade. Basta bom senso… e não apenas apetite.

  3. Miguel Bessa says:

    É público, alguém há-de pagar. O dinheiro público cai do céu.
    Alguém num gabinete a gastar dinheiro que não é seu para algo que não vai usar. Estavam a espera de quê?

    • Manuel Silva says:

      Ó Bessa:
      Você é ingénuo ao ponto de pensar que quem paga os erros no privado é o dono?
      Ou é ideologicamente vesgo?
      Por acaso sabe quantos milhões paga o Governo da Madeira para ter lá as companhias low coast?
      E todos os Governos regionais em variadíssimos países e até Governos Centrais?
      Informe-se.
      Depois, quando tem bilhetes baratos, atribui à eficácia da gestão privada.
      Há boa gestão pública e privada, assim como má .
      Se não fosse assim, algumas empresas não faliam e não deixavam fornecedores e Estado com calotes monstruosos.
      O mundo a duas cores: cor-de-rosa no privado e negro no público só existe na sua cabecinha de maniqueísta ideológico.

      • Miguel Bessa says:

        Não sou ingénuo. Infelizmente em alguns casos o estado corre a salvar os privados.

        Há boa e má gestão pública e privada. Claro. Só que a privada má não sou eu que pago! E não há incentivo para pública boa.

        Quer falar do caso específico da Madeira e das viagens subsidiadas? Não devia haver. Esclarecido?

        • Manuel Silva says:

          «Só que a privada má não sou eu que pago!»
          Ai não?
          Estão quem paga?
          O Camões, que era cego de um olho?
          Então quando uma empresa mal gerida entra em falência, normalmente há por ali também falcatruas e/ou fugas de impostos, estas coisas andam sempre ligadas, muitas vezes há também dívidas antigas à Segurança Social e ao Fisco, quem paga isso tudo?
          Certamente que não lhe vão bater à porta, mas paga-o de outra maneira, sem sentir, tal como paga a ineficiência das empresas públicas ou a má gestão de qualquer serviço público.
          Percebeu agora ou é preciso fazer um boneco?
          Ou as palas ideológicas só lhe permitem olhar numa direcção?

        • ZE LOPES says:

          “Há boa e má gestão pública e privada. Claro. Só que a privada má não sou eu que pago!(…).

          Ah! Ah! Ah!Ahhhhh!

          Embora certamente admirado por V. Exa. continuar a viver num regime comandado por uma tal “geringonça” de caráter socialista, logo, uma ditadura, em vez de já estar confortavelmente instalado no paraíso Verde-amarelo a anotar a “evolução” de um tal Bolsoneiro que, por acaso, teceu loas no parlamento a um tal Coronel Ustra, um torcionário que mandava torturar pais à frente de filhos crianças, acho que tenho de me rir de mais uma tirada liberaleira.

          V. Exa. liberaleira já ouviu falar em externalidades? Não? Pois saiba que o conceito tem muitos anos! Diz então V. Exa. que não paga gestão “privada má”. Ai não? Então devia ser preso, porque não paga impostos! (Mais uma a acrescentar à sua aberta defesa de torturadores e, consequentemente, ódio à sociedade aberta em que vive e é sustentada por todos nós!).

          Pois…o BES não era privado? E o BCP? E o BPN? Não foi preciso pagar nada pelas cavaladas financeiras e roubos? V. Exa. não pagou nada, absolutamente nada? O caso é grave!

          E as minas que fecharam por esse país? Durante a exploração enriqueceram multinacionais! Depois fecharam e deixaram o Estado a tomar conta dos prejuízos ambientais!

          Aliás, o seu ídolo já prometeu aos do “Boi” que podem desmatar à vontade, para aumento da eficiência e sucesso da sua “gestão”. Quando vierem os problemas, havemos todos de os pagar, de uma maneira ou de outra!

          O outro lado do sucesso dos privados são os custos sociais! E esses não são deles. São nossos. De V. Exa. se pagar impostos.

        • Miguel Bessa says:

          A escola pública não ensinou ou srs a ler tudo? Esqueceram de de ler “Infelizmente em alguns casos o estado corre a salvar os privados.” Saber ler ajuda bastante nas vossas respostas. Se o estado não se metesse a salvar privados e simultaneamente não se metesse a concorrer a com os privados e/ou a subsidiar não tínhamos de andar todos a pagar má gestão de alguns. Simples!

          Falcatruas em impostos é crime não é má gestão. (Podem estar correlacionados mas não existe causalidade).
          Dívidas a segurança social são pagas pelos restantes contribuintes mas não são “eternas” como as dívidas das empresas públicas. Já que gostam tanto dos exemplos dos bancos, questiono: há alguma comparação entre o dinheiro sem fim a vista metido nos bancos com “dívidas á SS”? O dinheiro é para ficar com quem trabalhou para o ganhar, não para pagar pseudo serviços que só servem para pagar votos.

          • ZE LOPES says:

            “A escola pública não ensinou ou srs a ler tudo?”

            Ensinou! E a sua? Foi pública ou privada?

            Ensinaram-no lá a apoiar tipos que louvam torturadores? Quanto ás externalidades, tem alguma coisa a dizer? V. Exa. em matéria de Economia é o que se chama um liberal-tanso! Só leu metade da cartilha e mal!

            O “salvamento de privados” pode ser, em muitos casos a única solução para combater, precisamente, os efeitos das externalidades. “Deixar falir” é lindo quando as consequências da falência não lhe caem em cima. Era só ficar sem a conta bancária e logo correria V. Exa. a pedir oa Estado para intervir!

            Defende a privatização da segurança Social porque é melhor gerida por privados? E quando os “fundos” vão à falência que se diga aos subscritores “azar o teu” quando ficarem sem nada, como tem bastas vezes acontecido?

            Defende a saúde privada que limita os cuidados de saúde em função do custo e que, quando tudo corre mal, envia os pacientes para o hospital público?

            São perguntas retóricas. Eu sei a resposta mas é só para ver se V. Exa. lá chega.

          • Manuel Silva says:

            Zé Lopes:
            Externalidades?
            Isso são futilidades para o Bessa.
            A cassete dele ainda é uma Beta, portanto, antes da VHS.
            Como quer que ele saiba o que é esse bicho das externalidades?
            Um amigo da região de Setúbal enviou-me um jornal de lá, com um artigo muito interessante (de um professor de Economia da Universidade de Évora) a propósito de um assunto que, eu e ele, discutimos quando nos encontramos, depois da fazermos quilómetros de autoestradas sem carros..
            Quem deve pagar as autoestradas?
            Quem as usa, mas, para serem rentáveis as portagens são caras, ou então, já que estão construídas (muitas desnecessariamente, mas os fundos europeus de 1987 em diante eram tentadores e fazia-se obra depressa para ganhar eleições) o preço das portagens deve ser acessível para tirar carros das estradas nacionais?
            Mesmo perdendo receita, acaba por se ganhar em produtividade, acidentes (menos), poupança de energia,etc.
            Até aposto que o Bessa não concorda.
            Para ele está bem assim, como mama das Brisas e companhia.

          • ZE LOPES says:

            Sim, é um bom exemplo de externalidaes, as provocadas pelo uso das autoestradas com portagens caras.

            Quando as portagens foram introduzidas na A23, por exemplo, logo se verificou que o trânsito desviado para as estradas nacionais estava a degradá-las rapidamente e que também tinham largamente aumentando o número de acidentes. Os concessionários engordaram. Quem pagou os prejuízos?

            Isto para não falar do que aconteceu no Algarve com as portagens na “Via do Infante”.

            Neste caso são externalidades negativas. Mas o setor privado muitas vezes, também assume as positivas como proveito, pagando zero por elas. Seria outra conversa interessante.

            O Xô Bessa vive na cartilha liberal do ´século XIX. Em 1932 já Pigou se afastava dos neoclássicos ao apontar a existência de externalidades que punham em causa os modelos liberais de funcionamento dos mercados. Mas, para o Xô Bessa, tal não conta. É tudo obra do marxismo internacional.

        • Paulo Marques says:

          Não paga? Só pegando neste caso, quem acha que pagou o material e paga reparação (fora da garantia) da Fertagus? Quanto investiram a Aenor, Brisa e demais em pontes e auto-estradas?
          Para nem falar do investimento dos CTT em fechar balcões.
          Paga bem e até gosta.

    • Paulo Marques says:

      Você nem com aviso lá vai. Volto a perguntar, se a dívida é má, porque é que a dívida criada pelo seu amado Trump já é virtuosa e porquê?
      https://www.cbo.gov/publication/54325

      E do tão amado Reagan foi boa porquê?
      https://www.treasurydirect.gov/govt/reports/pd/histdebt/histdebt_histo4.htm

      Porque são de direita, claro!

  4. Ana A. says:

    “Em concreto, diz que a STCP acabou de gastar uma fortuna em autocarros novos que, por serem demasiado altos, não passam debaixo de alguns viadutos.”

    A menos que a frota seja para ser toda substituída, pelos novos autocarros, não vejo um grande drama. Ficam os velhos para passar debaixo dos viadutos. E ainda que assim não fosse, era só corrigir o trajecto para as vias sem viadutos!

  5. Torquato says:

    Ficam os velhos para passar debaixo dos viadutos.

    Mas que inteligência !
    Quando quiserem resolver broncas é só ligar à Ana A.
    Ora porra minha senhora!

    • Ana A. says:

      Sr. Torquato não se enerve!

      Estou a ver que a predisposição para entender o sarcasmo, é “uma cena que a si não o assiste”!

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